ENTRETENIMENTO

7 filmes da Netflix para você pensar no quão destruidor o racismo pode ser

Uma lista para quem ficou incomodado com 'Cara Gente Branca'.

12/05/2017 19:17 -03 | Atualizado 22/05/2017 17:18 -03

Colorismo, solidão da mulher negra e apropriação cultural. Alguns temas discutidos há décadas pela militância negra dentro e fora do Brasil têm ganhado popularidade nas redes sociais desde a estreia de Cara Gente Branca, no último dia 28 de abril.

Inspirada em filme homônimo de 2014 e produzida pela Netflix, a série usa de humor e acidez para retratar desconcertantes cenários de tensão racial entre jovens americanos.

Na trama, um grupo de estudantes negros enfrenta o racismo estrutural de uma universidade elitista, frequentada majoritariamente por pessoas brancas.

A voz que responsável por fazer emergir o racismo cotidiano é de Samantha White (Logan Browning), estudante à frente do programa de rádio da instituição que dá nome a série.

Cara Gente Branca retrata uma realidade norte-americana, cujos paralelos com a o cenário brasileira são plenamente possíveis, haja vista a situação do negro no Brasil – historicamente marginalizado no país.

A fim de colaborar com a proliferação das discussões sobre racismo que tem ocorrido nas redes nos últimos dias, o HuffPost Brasil lista a seguir outros 7 filmes e documentários disponíveis também na Netflix, que têm a questão racial como tema central.

Aqui estão eles:

1. What Happened, Miss Simone? (2015) - Dir.: Liz Garbus

Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, What Happened, Miss Simone? conta a história de uma das maiores lendas da música americana. Nina Simone foi pianista, cantora, compositora e uma obstinada ativista pelos direitos dos negros norte-americanos. Neste filme, a diretora Liz Garbus traça a trajetória da artista trazendo a tona como as questões raciais permearam toda a sua vida e obra.

2. Bienvenue à Marly-Gomont (2016) - Direção: Julien Rambald

Baseado em fatos reais, Bem-vindo a Marly-Gomont se passa nos anos 1970, quando Seyolo Zantoko, um médico negro recém-formado no Congo se muda com a esposa e os filhos para um pequeno vilarejo na França, de onde recebeu uma boa oportunidade de trabalho. Lá, ele enfrenta uma jornada contra o racismo e a ignorância de uma comunidade que nunca conviveu com negros. Apesar das amargas questões abordadas, o filme tem atmosfera leve e é perfeito como pontapé inicial para discussão sobre questões raciais com crianças.

3. 13th (2016) - Dir.: Ava DuVernay

A abolição da escravidão não impediu que a população negra dos Estados Unidos continuasse sofrendo discriminação, abusos e seguisse até hoje sendo continuamente encarcerada a fim de garantir interesses sociais e econômicas das classes ricas – não por coincidência formada por brancos. Essa é a tese levantada por 13ª Emenda, da aclamada diretora Ava DuVernay (Selma). Ao lançar mão de estatísticas, entrevistas com ativistas, especialistas, políticos e estudiosos, o filme prova que a desigualdade racial na América ainda está longe de ser vencida.

4. 13th: A Conversation with Oprah Winfrey & Ava DuVernay (2017)

A 13ª Emenda: Oprah Winfrey Entrevista Ava DuVernay é um programa especial da Netflix que traz reflexões complementares às discussões propostas no documentário. Parceiras de trabalho (Oprah produziu já produziu dois filmes de Ava), apresentadora e cineasta conversam conversam sobre o processo de realização do documentário, a recepção do filme nos EUA e as perspectivas políticas no país após a eleição do republicano Donald Trump. Vale ressaltar que com 13º Emenda, Ava DuVernay se tornou a primeira mulher negra a ser indicada ao Oscar de documentário.

5. Cidade de Deus - 10 Anos Depois (2013) - Dir.: Cavi Borges e Luciano Vidigal

Considerado um dos filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, Cidade de Deus é revisitado neste documentário dez anos depois de seu estrondoso sucesso. Dirigida por Cavi Borges e Luciano Vidigal, e com o apoio indireto de Fernando Meirelles, Cidade de Deus - 10 Anos Depois mostra o que mudou na vida dos intérpretes do longa que retrata de forma arrojada a desigualdade social e ascensão da violência na favela Cidade de Deus, situada na zona oeste do Rio. Apesar de não apontar diretamente para questões raciais,o documentário (assim como o filme) revela facetas importantes da construção social no Brasil que desumaniza a população negra.

6. Maya Angelou and Still I Rise (2016) - Dir.: Bob Hercules e Rita Coburn Whack

​Exibido no prestigiado Festival Sundance de Cinema, Maya Angelou,e Ainda Resisto é o primeiro documentário feito sobre a lendária artista, atriz, escritora e poeta Maya Angelou. Dirigido por Bob Hercules e Rita Coburn Whack, amigos próximos dela, o filme apresenta um retrato íntimo de Maya, que na infância sofreu um traumático abuso, superado pelo poder de suas próprias palavras – escritas e faladas. A luta contra racismo central na trajetória de superação e luta de Maya que, antes de morrer em 2014, aos 86 anos, chegou a receber do então presidente dos EUA, Barack Obama, a mais alta condecoração civil americana, a Presidential Medal of Freedom.

7. The Black Panthers: Vanguard of the Revolution (2015) - Dir.: Stanley Nelson

O Partido dos Panteras Negras para Autodefesa surgiu na década de 60, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater as condições de extremo racismo que assolava os negros, resultante em boa parte do passado escravocrata do país. Adeptos do armamento da população negra para enfrentamento da violência do Estado, o grupo trouxe novas e controversas questões à tona sobre a problemática do racismo. Neste documentário dirigido por Stanley Nelson é possível acompanhar diferentes pontos de vista de figuras que participaram direta ou indiretamente do movimento, incluindo policiais, jornalistas, informantes do FBI e integrantes do partido.

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