POLÍTICA

Entre o 'golpe' e a 'salvação do País': O impeachment 1 ano depois

Ouvimos políticos, especialistas, economistas e lideranças de movimentos sociais para saber o que mudou desde maio de 2016.

11/05/2017 19:43 -03 | Atualizado 12/05/2017 09:11 -03
Paulo Whitaker / Reuters

12 de maio de 2016, 6h30: Depois de uma sessão de mais de 20 horas, o Senado Federal aprova por 55 votos contra 22 o impeachment de Dilma Rousseff e a petista é afastada do cargo por 180 dias.

No mesmo dia, a então presidente foi notificada e deixou ainda pela manhã o Palácio do Planalto. A cena de Dilma, vestida de vermelho, e rodeada de ministros e aliados, entrou para a História.

O então vice-presidente Michel Temer também foi notificado. Às 11h25 foi oficializado que ele comandaria o País pelos próximos meses até a conclusão do processo de impeachment.

Neste ano, o governo do presidente Michel Temer, que está na mira da Operação Lava Jato, se sustenta na articulação política para aprovar reformas e alcançar a alcunha de governo reformista.

Aqui está o que HuffPost Brasil ouviu de políticos, especialistas e lideranças de movimentos sociais sobre este período:

Lindbergh Farias, senador (PT-RJ), da tropa de choque em prol de Dilma Rousseff:

"Foi um golpe completamente desmoralizado. Foi um golpe e hoje estamos vendo que eles diziam que a economia ia melhorar, mas só piora. Temos um desemprego de 14 milhões de pessoas. Eles faziam discurso da ética e tem uma quadrilha instalada no Palácio do Planalto. Acho que só tem uma saída agora, a antecipação de eleições. O País está em uma crise violentíssima e não há alternativa se esse presidente continuar aí. Foi um golpe para retirar direito de trabalhadores e isso está claro para a população."

Darcísio Perondi, deputado (PMDB-RS), um dos líderes do impeachment na Câmara:

"O impeachment salvou o País. O governo Michel Temer enfrenta a depressão econômica grave, enfrenta a crise de serviços públicos melhores, restabelece o diálogo com o Parlamento. É inimaginável o Brasil hoje sem o impeachment. Estaríamos em uma Grécia ou um Rio Janeiro. Eu, como um dos líderes, tenho consciência de manter a convicção de que tudo que fiz faria de novo. Valeu ter se entregado para o impeachment. O Michel é o presidente reformador. O Brasil não tem na sua História recente nem mais antiga um presidente reformador como ele, em especial em 12 meses. Fica na História."

Jair Bolsonaro, deputado (PSC-RJ) com sonho de disputar a presidência em 2018:

"Um governo refém do PSDB, com um canhão apontado para a cabeça que é a Lava Jato, que pegou o País com 10 milhões de desempregados e agora está com 12 milhões. País que não arrecada, que dado a corrupção em escala, faz com que os empresários cheguem lá fora para fazer negócio com o manto da desconfiança, um País com uma das mãos de obras mais caras do mundo e não tão bem preparada."

Raul Velloso, consultor econômico e colunista dos jornais O Estado de São Paulo e O Globo:

"A estratégia que o governo escolheu na parte econômica que está bem-sucedida foi aprovar um controle sobre o crescimento do gasto, que é a PEC do teto, seguida da reforma da Previdência porque é o gasto que mais cresceu e ocupa mais espaço. O teste para saber se está certo é se mercados aceitaram e se vê isso pela taxa de risco, que caiu. Então a gente pode dizer que as medidas foram suficientes para reduzir o risco do País."

Roberto Romano, doutor em filosofia e professor de Ética Política no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp:

"Poderia propor reformas, mas precisaria ter uma legitimidade mínima, que não tem porque está preso às injunções do Congresso Nacional. Ele entrou no antigo jogo do Executivo com o Congresso que é essencialmente corrupto, que é a comprar votos através da liberação de cargos e recursos (...) Mostra que não tem firmeza de liderança junto ao Estado brasileiro."

Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes:

"A mobilização dos movimentos sociais que se formou contra o governo Temer foi muito expressiva. Um marco importante foram as ocupações das escolas e universidades no final do ano passado. Foi o movimento estudantil que inaugurou a oposição com a discussão da medida provisória da reforma do Ensino Médio, seguida pela PEC do teto de gastos. Foram mais de cinco mil escolas e 300 campi universitários. E este é um ano dos trabalhadores, numa pauta que influencia toda a sociedade, que é a reforma da Previdência, que significa o fim da aposentadoria."

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