POLÍTICA

De frente com Sérgio Moro: O discurso de Lula de perseguição e a união da esquerda

Apesar do cerco da Justiça contra protestos, atos estão programados na capital do Paraná em favor do ex-presidente.

10/05/2017 01:05 -03 | Atualizado 10/05/2017 01:27 -03
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10 de maio de 2017.

Três anos depois do início da Operação Lava Jato e o simbolismo da semana que marca um ano do impeachment de Dilma Rousseff (PT) da presidência do País.

O prognóstico mais provável é que na tarde desta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteja frente a frente com o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância.

Isto porque, embora afirmem que o ex-presidente está disponível para esclarecer quaisquer dúvidas e questionamentos, a defesa do ex-presidente tenta adiar o depoimento com três pedidos de habeas corpus.

Apesar dos pedidos, a expectativa entre os correligionários de Lula é de que a Justiça não acatará os argumentos da defesa. Sem esperança, lideranças do PT e apoiadores do ex-presidente embarcaram na noite de terça-feira (9) para Curitiba.

O grupo, que se juntará aos militantes, encontram o presidente em um ato em defesa do ex-presidente na capital do Paraná. A proposta é apontar irregularidades na ação contra o petista, reafirmar o discurso de perseguição e unir as esquerdas.

Ao HuffPost Brasil, aliados do petista declararam que o ex-presidente tem arsenal para desmontar a tese de Moro. Pessoas próximas a Lula defendem que há muito "disse-me-disse" no processo e "nenhuma" prova.

Embora a trupe em favor do presidente esteja em Curitiba, atos contra o presidente estão programados em várias cidades do País. Em São Paulo, uma vigília no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), organizada por movimentos como o Brasil Livre (MBL), também marcam presença.

Na capital do Paraná, a Justiça proibiu acampamentos e fechou ruas de acesso à prédios da Justiça Federal. A decisão judicial afirma que "os direitos fundamentais consistentes na liberdade de pensamento e de reunião/manifestação não podem se sobrepor ao direito de locomoção, ao direito à segurança e à propriedade".

Propina e tríplex

Réu na Lava Jato, o ex-presidente será questionado por Moro sobre a suspeita de recebimento de propina no caso que envolve a compra do tríplex de quase R$ 4 milhões no Guarujá (SP).

De acordo com depoimento de executivos da OAS, o apartamento é resultado de pagamentos de propina por contratos da Petrobras com a empreiteira. Os delatores dizem que o apartamento sempre pertenceu a empresa.

A justificativa de que o imóvel pertence a empresa é usado pelos advogados de Lula como forma para refutar a tese de recebimento de propina.

A defesa do ex-presidente diz que, além de não haver documentos de que o imóvel foi entregue ao ex-presidente, a OAS o usava como garantia em contratos, o que a impediria de destinar o apartamento ao ex-presidente.

Investigadores da Lava Jato também apontam um sítio em Atibaia (SP) como outro bem do presidente originário de recursos desviados.

Perseguição

O depoimento é tido entre lulistas como instrumento de união das esquerdas e de denúncia do que chamam de abusos da Lava Jato.

Simpatizantes do ex-presidente encampam a tese da defesa de que há intenção de constranger o petista e evitar que ele seja candidato em 2018.

O argumento endossado é o mesmo da defesa de que "a Lava Jato (...) se tornou uma perseguição ao ex-presidente Lula, aceitando ações capengas e sem provas sobre um apartamento que o ex-presidente aluga e um terreno que jamais foi pedido ou usado pelo Instituto Lula para justificar uma perseguição política que tem como objetivo impedir que Lula seja candidato em 2018".

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