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A justificativa da prefeitura de Jequié para enviar os 'mochilões' aos alunos da educação infantil

"O evento das mochilas escolares de Jequié deixa para trás desafios importantes que o município terá pela frente."

09/05/2017 15:01 -03 | Atualizado 09/05/2017 15:07 -03
Reprodução
A Secretaria Municipal de Educação de Jequié divulgou uma nota de esclarecimento explicando as mochilas.

Em Jequié, cidade do interior da Bahia, a Secretaria Municipal de Educação ofereceu novos kit escolares para os alunos da rede pública. A distribuição dos kits aconteceu na última sexta-feira (5).

As mochilas foram recebidas com alegria pelo alunos, segundo o post da Secretaria publicado em sua página oficial do Facebook.

Porém, uma imagem de uma turminha específica tem chamado a atenção da internet.

Isso porque todos os alunos, da creche ao ensino fundamental, receberam as mochilas com um tamanho padronizado e, aparentemente, os pequenos não foram lembrados na hora de distribuir o material.

Na foto, os menores aparecem com as mochilas que são praticamente do mesmo tamanho que eles. As crianças chegam a caber dentro da sacola.

E é claro que as 'mochilas gigantes' viraram piada nas redes sociais.

E teve até quem ficasse bravo com a prefeitura, mas que não soubesse como lidar com a fofura das crianças.

Na manhã desta terça-feira (9), a Secretaria Municipal de Educação de Jequié divulgou uma nota de esclarecimento explicando o ocorrido.

Eles comentaram a repercussão dos kits escolares nas redes sociais e argumentaram que a atenção às mochilas desviou o foco dos desafios que o munícipio tem para enfrentar quando se trata da educação infantil na rede municipal.

Na nota, eles alegam que Jequié está entre as piores colocações no índice de Oportunidade da Educação Brasileira, posição herdada das outras gestões, e que houve um crescimento significativo de matrículas de alunos na rede neste ano.

Leia a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O evento das mochilas escolares distribuídas aos alunos da rede municipal de ensino de Jequié, tão comentado na imprensa e nas redes sociais, deixa para trás desafios importantes que o próprio município terá pela frente. Os relatórios contendo os péssimos índices herdados na Educação local, que envolvem baixa matrícula, baixo IDEB, baixo IOEB e mais sério ainda: a baixa proficiência dos alunos da rede municipal de ensino.

A tarefa de recuperar estes índices começou com o aumento significativo de matrículas na rede. Mais de 4 mil novos alunos matriculados, saindo de 13 mil para mais de 17 mil novos alunos, e que precisará de uma força tarefa que envolva toda a sociedade de Jequié para melhorar os péssimos índices deixados pelas gestões anteriores. Só no IOEB (Índice de Oportunidade da Educação Brasileira), com nota 3,2, Jequié amarga o 4978° lugar entre os 5.500 municípios do Brasil. Sem contar o IDEB de 3,2 nas séries iniciais e 2,9 nas séries finais. Triste ter que afirmar que a proficiência do 9° ano em Matemática dos alunos de Jequié é de apenas 5%.

Voltando ao tamanho da sacola, se é que alguns acham isso o mais importante, segundo o Ministério da Saúde, uma criança não pode carregar mais que 10% do seu peso. Sendo assim, parece que não tem como entregar a uma criança de creche uma mochila com tamanho ideal. Acreditamos que crianças de creche, tradicionalmente, não podem e não devem carregar suas mochilas que às vezes contém roupa, toalha, fralda, merenda, etc. Ou será que estas pessoas querem afirmar que os pais de hoje não estão servindo nem pra carregar a mochila de seus filhos? Pela utilidade de uso, as mochilas compradas pelo município, ao valor de R$ 11,40, parece que o quesito economicidade e contemplação ficaram de lado, dando espaço a outros interesses.

Além das mochilas, os kits escolares possuem camisetas e um estojo para que os alunos possam guardar materiais escolares. As camisetas foram distribuídas de acordo com a idade das crianças.

Em entrevista ao G1, a assessoria da secretaria explicou que os alunos da creche não estavam previstos nas distribuições dos kits, mas após reuniões com os professores eles foram incluídos.

"Deve prevalecer o bom senso de todos os envolvidos na utilização dos materiais distribuídos, cabendo principalmente aos pais ou responsáveis utilizarem as mochilas para transporte do material das crianças, lembrando ainda que o Ministério da Saúde recomenda que o peso transportado pelo aluno não ultrapasse em mais de 10% do peso da criança", disse o secretário de Educação Roberto Gondim.

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