MULHERES

O ótimo motivo pelo qual as capas da Elle Brasil sobre diversidade estão ganhando o mundo

Diversidade importa. Simples assim.

06/05/2017 12:36 -03 | Atualizado 06/05/2017 12:36 -03

Não é de hoje. Desde a época da extinta Revista Realidade, até os dias atuais das sobreviventes ao tempo Claudia e Veja, quando a capa de uma revista impressa reflete questões valiosas para o debate público e sai da rotina, consegue certamente pautar uma discussão e fazer a mente de muitos leitores dar um nó.

A Elle Brasil de maio fez exatamente isso e está ganhando o mundo com três capas que celebram a diversidade do amor, da amizade e inerente à vida -- e também o mês de aniversário da revista aqui em terras tupiniquins.

Divulgação/Elle Brasil

"Em um mundo que parece estar cada vez mais dividido, afeto, coletividade, parceria, empatia e, principalmente, amor são valores em que ELLE acredita.", diz a revista em texto de divulgação da nova edição nas redes sociais.

E continua:

"Na moda atual não tem sido diferente: coleções colaborativas, laços familiares, peças carregadas de valor simbólico e discursos apaixonados pautam esse novo momento em que o coração fala mais alto do que qualquer outra coisa. Fall in love pela nossa edição de aniversário"

Na capa acima é possível ver cores, rostos, cabelos e estilos diversos que rompem, de certa forma, com a lógica das capas de revista femininas que sempre trouxeram um padrão em suas capas: a boa e velha receita de bolo com a modelo magra, branca, com roupas que provavelmente só representam a indústria da moda e não o que, de fato, suas leitoras usam ou gostariam de usar.

Outra versão da capa da Elle Brasil deste mês celebra o amor e a diversidade com duas mulheres.

Divulgação/Elle Brasil

E foi muito elogiada. As publicações norte-americanas ressaltaram com afinco o tratamento dado á população LGBT no Brasil e a importância de uma revista como a Elle Brasil trazer um tema como diversidade á tona. Segundo a ONG Transgender Europe, o Brasil é o País que mais mata travestis e transexuais no mundo.

"As capas mostram o apoio da Elle Brasil para a comunidade LGBTQ, apesar da atual epidemia contra essa população no país. A publicação já colocou dois modelos brasileiros transgêneros em suas capas, incluindo Valentina Sampaio (que recentemente foi capa da Vogue Paris) também", escreveu a Refinery29 sobre a edição brasileira da revista.

"Há incontáveis capas de livros e revistas com imagens heteronormativas românticas mas repetitivas de um homem e uma mulher se abraçando. Então, ver este casal do mesmo sexo é refrescante. E não parece que eles estão objetificando as mulheres para o espectador — o olhar nos lembra os doces momentos no começo de um novo relacionamento e seus sorrisos indicam esse tipo especial de alegria", definiu a revista Allure sobre a repercussão das capas.

A foto da capa acima foi feita pelo fotógrafo Will Vendramini que, ao publicá-la em seu Instagram, escreveu: "Afeição' foi o tema e é o que sinto quando vejo isso hoje! Obrigado a todos que fizeram parte desse projeto!".

A revista já está disponível bancas, e ainda traz uma terceira capa para esta edição:

Divulgação/Elle Brasil

Não dá vontade de ter um bichinho desses também? Em seu Instagram, a diretora de redação da Elle Brasil, Susana Barbosa, escreveu:

"E a segunda capa é com a minha princesa @thairinegarcia de volta à capa da @ellebrasil. Princesa ELLE não acredita em príncipes, afinal estamos em 2017. Pero los 🐸🐸🐸, que los hay, los hay! É muito amor por uma capa!".

Ainda em seu Instagram, Susana comemorou o sucesso dessa edição de aniversário da revista, que completa 29 anos:

"Orgulho de levar às bancas uma revista fora do comum, em muitos sentidos! Com jornalismo de moda responsável, com coragem de apostar em ideias e pessoas novas. Orgulho do meu time e do que estamos construindo. O nosso amor e a nossa moda a gente inventa!".

Elle Brasil tem colocado debates importantes em suas edições.

Em 2015, Ju Romano, jornalista e modelo plus size brasileira foi capa da edição online da revista que, na edição impressa, trazia um espelho em sua capa para celebrar a beleza de cada uma de suas leitoras; depois disso, trouxe uma edição sobre feminismo e direitos das mulheres com três capas e um manifesto; colocou a modelo Alek Wek, negra e refugiada, na capa no ano passado e também a modelo trans Valentina Sampaio.

Parece que a diversidade chegou. E vai ficar.

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