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O ataque hacker à campanha de Macron e o rumo incerto das eleições presidenciais na França

2º turno na França terá 50 mil policiais após ataque hacker e preocupação com festa da vitória.

06/05/2017 14:44 -03 | Atualizado 06/05/2017 14:48 -03
Gonzalo Fuentes / Reuters
Uma mulher passa à frente de posteres oficiais de Macron e Le Pen para as eleições presidenciais de 2017.

A Comissão Nacional de Controle da Campanha Presidencial na França pediu na madrugada deste sábado (6) que os meios de comunicação não publiquem informações sobre os documentos internos hackeados da campanha do candidato presidencial Emmanuel Macron e difundidos nas redes sociais. As informações são da Agência EFE.

Em um comunicado, a comissão pediu para que os veículos de imprensa, especialmente os sites, não divulguem o conteúdo desses dados, já que, acredita-se que parte deles são falsos.

Após reunião de urgência na manhã deste sábado (6) para examinar o caso, a comissão estendeu o aviso a toda a população e usuários de redes sociais alertando que a divulgação desses documentos (o "MacronLeaks", como já vem sendo chamado na França) pode envolver "responsabilidade penal" de seus autores.

O organismo "pede aos atores presentes em sites da internet e nas redes sociais, em primeiro lugar os meios, mas também todos os cidadãos, a ter responsabilidade e não transmitir esses conteúdos, com o intuito de não alterar a transparência da eleição, não infringir a lei e não se expor a uma infração penal".

E lembra que os documentos divulgados têm todas as chances de terem sido "misturados com informações falsas". Com isso, a transmissão ou retransmissão está "suscetível a receber uma qualificação penal de muitos tipos e de acarretar a responsabilidade de seus autores".

O partido Em Movimento, fundado por Macron, informou na noite de ontem que foi vítima de um ataque hacker "em massa e coordenado" que levou ao vazamento "nas redes sociais de informações internas de diversas naturezas".

A coordenação da campanha denunciou que os arquivos pirateados - como e-mails, documentos contábeis e contratos - "foram obtidos há várias semanas graças ao ataque hacker de endereços de e-mail pessoais e profissionais de dirigentes do movimento".

De acordo a equipe de Macron, os autores do ataque enviaram documentos falsos junto com verdadeiros para "semear a dúvida e a desinformação".

O anúncio foi feito faltando pouco menos de 24 horas para a abertura das urnas para o segundo turno das eleições presidenciais e poucos minutos depois do encerramento da campanha eleitoral de um pleito que tem Macron como grande favorito em relação à candidata de extrema direita Marine Le Pen.

O vazamento e o impacto nas eleições

Pascal Rossignol / Reuters
Torn and overlapping official posters of candidates for the 2017 French presidential election Marine Le Pen of French National Front (FN) political party, and Emmanuel Macron, head of the political movement En Marche !, or Onwards !, are seen in Cambrai, France, May 4, 2017. REUTERS/Pascal Rossignol

A frente Em Movimento, pela qual o candidato Emmanuel Macron concorre à presidência da França, informou ontem (5) ter sido vítima de um ataque hacker "em massa e coordenado" que levou ao vazamento "nas redes sociais de informações internas de diversas naturezas".

Em comunicado, a campanha de Macron denunciou que os arquivos pirateados - como e-mails, documentos contábeis ou contratos - "foram obtidos há várias semanas graças ao ataque hacker de endereços de e-mail pessoais e profissionais de dirigentes do movimento". As informações são da Agência EFE.

O anúncio foi feito a quase 24 horas da abertura das urnas, que ocorrerá no domingo, para o segundo turno das eleições presidenciais e poucos minutos depois do fechamento da campanha eleitoral de um pleito que tem Macron como grande favorito em relação à candidata de extrema direita Marine Le Pen.

Segundo o movimento criado pelo ex-ministro da Economia há um ano visando a disputa das eleições, os autores do ataque enviaram documentos falsos junto com os autênticos para "semear a dúvida e a desinformação".

Para o Em Movimento, o roubo é "uma tentativa de desestabilizar as eleições presidenciais", como "já se viu nos Estados Unidos na última campanha", o que os serviços de inteligência americanos atribuem à Rússia.

A campanha de Macron, que denunciou nas últimas semanas ter sido tema de notícias falsas por parte de veículos da órbita do regime russo, se considera "a mais afetada" por esse tipo de iniciativa.

A equipe de Macron esclareceu que "os documentos pirateados são todos legais e traduzem o funcionamento normal de uma campanha presidencial".

"Sua divulgação torna públicos dados internos, mas não nos inquieta o questionamento da legalidade e a conformidade dos documentos", afirma o comunicado.

Segundo o movimento liderado por Macron, as contas da campanha serão apresentadas à comissão nacional responsável por sua supervisão, mas chamaram a atenção sobre o fato de que alguns documentos vazados correspondam a previsões, e não a operações realizadas.

A campanha pediu à imprensa para que "assuma suas responsabilidades em consciência" ao levar em conta "a natureza dos documentos vazados, que em grande parte são simplesmente falsos".

"Tomaremos todas as iniciativas necessárias ante os atores públicos e privados para esclarecer esta operação inédita em uma campanha eleitoral francesa", acrescenta a nota.

Em 26 de abril, o Em Movimento confirmou ter sido alvo de pelo menos cinco cyberataques realizados por "profissionais" e atribuídos ao mesmo grupo de piratas russos, Pawn Storm, que foi responsabilizado pelos vazamentos de e-mails da campanha da candidata do Partido Democrata na última eleição presidencial nos Estados Unidos, Hillary Clinton.

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