ENTRETENIMENTO

Como 'Malhação' quer falar sobre diversidade ao contar a história de 5 meninas

Nova temporada do tradicional folhetim da Globo estreia dia 8 de maio.

02/05/2017 19:01 -03 | Atualizado 09/05/2017 16:28 -03
Divulgação
Keyla (Gabriela Medvedovski), Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski) são cinco amigas improváveis.

A próxima temporada de Malhação estreia na próxima segunda-feira (8) e vem cheia de novidades.

Pela primeira vez em 22 anos, o folhetim deixará o Rio de Janeiro para ser ambientado na capital paulista. Concebida por Cao Hamburger (Castelo Rá-Tim Bum), a trama marca a estreia do premiado autor em uma novela da Globo e traz na direção o veterano Paulo Silvestrini (Torre de Babel, A Favorita, Avenida Brasil) - que esteve no comando da atração há exatos dez anos.

No entanto, o principal toque de frescor no tradicional folhetim vespertino da TV brasileira concentra-se no núcleo principal. Em Malhação: Viva a Diferença não haverá um sujeito ou casal como personagens principais, muito menos o famigerado triângulo amoroso.

Pelo contrário, a nova temporada terá cinco meninas protagonistas.

"A dispersão desse protagonismo é para defender a proposta de se discutir a questão da diversidade como assunto principal da nossa história", conta o diretor Paulo Silvestrini em entrevista ao HuffPost Brasil.

Keyla (Gabriela Medvedovski), Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski) são cinco amigas improváveis.

Mãe adolescente, boa aluna e hacker periférica, jovem rica de estilo alternativo, artista rebelde e uma jovem solitária formam os perfis gerais da quinteto que construirá uma forte amizade a partir de um evento marcante: o nascimento do pequeno Tonico (filho de Keyla) numa tarde de pane no metrô de São Paulo.

"O convívio delas se baseia nas descobertas dos prazeres e das dificuldades de se conviver com pessoas diferentes. Essas diferenças dizem respeito à formação, à condição socioeconômica, ao lugar da cidade onde elas moram, onde convivem, a escola que frequentem, os amigos que elas têm", revela o diretor.

A questão da tolerância à diversidade serve de gancho para Cao se aprofundar nos dilemas e temas adolescentes considerados universais, tais como: as primeiras paixões, iniciação sexual, abuso drogas e bebidas e dúvidas sobre o futuro profissional.

"São assuntos que nós consideramos contemporâneos e que abraçam o universo jovem, mas não só do ponto de vista do jovem que se vê ali representado ou que percebe uma possibilidade de identificação, mas de todo o público que se interessa por esses assuntos – independente da idade, origem ou formação cultural", afirma Silvestrini.

Nos últimos vinte anos, a tecnologia deu um salto e as redes sociais tornaram-se ferramentas praticamente onipresentes na interação entre jovens e adolescentes em grandes metrópoles como São Paulo. Questionado sobre como essa realidade será abordada em Malhação: Viva a Diferença, Silvestrini pondera:

"A tecnologia evoluiu muito rápido, mas o ser humano não evolui tão rápido assim. Existe um gap entre as ferramentas com as quais o ser humano se relaciona e os assuntos com os quais ele se relaciona. O assuntos não mudaram tanto assim, já a forma como a gente lida com eles mudou."

No entanto, problemas de convívio e outras questões provocadas pela tecnologia também devem ser abordados pelo folhetim. "Nós queremos enfrentá-los", afirma o diretor.

Na esteira de temas densos do universo adolescente, e ainda pouco retratados na TV, é inevitável pensar em 13 Reasons Why, série controversa e bem-sucedida da Netflix - que aborda questões como bullying, cyberbullying, depressão e suicídio.

A princípio, essas questões vão passar longe do universo criado por Cao Hamburger para o quinteto de amigas. Sem tomar partido sobre a abordagem dessas questões na série do serviço de streaming, Silvestrini defende que todo assunto do universo jovem e adolescente seja tratado com "delicadeza".

"Em particular, os assuntos tratados pelo programa são assuntos muito caros para os nossos personagens no momento da vida em que eles estão. Então a nossa aproximação é muito cuidadosa e criteriosa e, por isso, delicada."

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