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Datafolha: Para 58%, trabalhadores perdem direitos com reforma trabalhista

Temer afirma que "1º de Maio deste ano marca um momento histórico" e que as reformas criarão mais empregos.

01/05/2017 11:42 -03 | Atualizado 01/05/2017 11:52 -03
Sergio Moraes / Reuters
Greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária, em 28 de abril de 2017.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (1º), Dia do Trabalhador, mostra que 58% dos entrevistados acredita que os trabalhadores perdem direitos com a reforma trabalhista, aprovada na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (26).

A taxa que sobe para 66% dos assalariados registrados e para 68% dos empresários. Outros 21% acham que não haverá mudança e 11% acreditam que os direitos vão aumentar.

O ponto principal da proposta, agora em análise no Senado é o negociado sobre o legislado, ou seja, acordos entre patrão e empregado valerão mais do que a lei. Poderão ser negociados o registro de ponto, a compensação do banco de horas, a participação nos lucros das empresas e a redução do intervalo intrajornada, entre outros pontos.

Apenas 30% apoiam a negociação direta e 60% preferia que as condições fossem definidas em lei. Para 35% dos entrevistados (e 27% dos empresários), haverá redução na remuneração. Outros 17% (e 15% dos empresários acreditam que ela irá aumentar e 44% não aposta em alterações.

Na avaliação de 64% dos brasileiros, a reforma trabalhista privilegia mais os empresários do que os trabalhadores. Pensam o mesmo sobre a terceirização 63% dos entrevistados. A nova lei, que libera a terceirização para todas atividades, foi sancionada em 31 de março.

Para 34% dos ouvidos pelo Datafolha, a nova legislação deve aumentar a criação de empregos. Outros 31% acreditam que vagas serão fechadas e igual parcela não aposta em mudanças.

Entre os empresários, 48% estão otimistas novas vagas após a reforma. O percentual cai para 29% entre funcionários com carteira assinada.

O Datafolha fez 2.781 entrevistas em 172 municípios na quarta (26) e na quinta (27), antes da greve geral na última sexta-feira (28), contra a reforma trabalhista e previdenciária. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A criação de empregos e a recuperação da atividade econômica são os principais argumentos do governo de Michel Temer para as mudanças legais.

Nesta segunda, ele divulgou um pronunciamento em que disse que o 1º de Maio deste ano "marca um momento histórico" por causa da reforma. "Primeiro, vamos criar mais empregos. Segundo, todos os seus direitos trabalhistas estão assegurados", afirmou.

Iniciamos uma nova fase, uma fase em favor do emprego. Estamos fazendo a modernização das leis trabalhistas e você terá inúmeras vantagens.

Previdência

Sete em cada dez brasileiros se dizem contrários à reforma da Previdência, de acordo com o Datafolha. A PEC 287/16 está prevista para ser votada na comissão especial da Câmara na próxima quarta-feira e em plenário até o fim do mês. São necessários 308 votos, em dois turnos.

A rejeição chega a 87% entre funcionários públicos, 76% entre jovens de 25 a 34 anos e entre os com ensino superior, 74% entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos e 73% entre mulheres.

O ponto principal da reforma é o estabelecimento de uma idade mínima para se aposentar: 65 anos para eles e 62 para elas. A nova fórmula para cálculo de benefício exige 40 anos de contribuição para receber o valor máximo.

Ainda de acordo como Datafolha, apenas 10% dos brasileiros têm planos de previdência privada e 38% disseram aplicar em poupança e outros investimentos.

Greve Geral em 28 de abril de 2017

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