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PM afasta das ruas capitão que agrediu estudante com cassetete no rosto em manifestação

Policial continua trabalhando administrativamente. "Polícia tem o direito e o dever de reprimir atos delinquenciais", diz secretário de Segurança.

30/04/2017 19:44 -03 | Atualizado 01/05/2017 10:45 -03
Montagem / Twitter / Facebook
Estudante de Ciência Sociais, Matesu Ferreira sofreu traumatismo cranioencefálico após PM atingí-lo no rosto com cassetete.

Polícia Militar de Goiás afastou das ruas o capitão Augusto Sampaio, subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar. Ele agrediu, com um cassete, o estudante Mateus Ferreira da Silva, de 33 anos, durante um protesto na greve geral na última sexta-feira (28), em Goiânia.

De acordo com o comandante geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Divino Alves de Oliveira, o capitão foi afastado devido a um inquérito que apura o caso, mas segue trabalhando administrativamente. A investigação tem um prazo de 30 dias para ser concluída.

O estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiânia (UFG) foi atingido por um golpe de cassetete de um policial militar no rosto em protesto na greve geral.

Ele sofreu traumatismo cranioencefálico e múltiplas fraturas. Neste sábado (29), ele passou por uma cirurgia de quatro horas para reparação dos ossos do rosto no Hospital de Urgências de Goiânia , onde segue internado.

Pai de Matesus, Salatiel Ferreira da Silva Filho, informou à TV Anhanguera que os rins do filho não estão funcionando e que os médicos encontraram uma mancha no pulmão dele, que precis ser avaliada para saber se ele sofre de pneumonia ou se há acumulo de sangue no local.

Segundo boletim médico do hospital divulgado nesta segunda-feira (1º), o estudante está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sedado, respirando por aparelhos e com pressão baixa.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a agressão ao estudante na Praça do Bandeirante com a Avenida Anhanguera, no setor Central, em Goiânia, após confusão entre manifestantes e policiais na greve geral. Mateus protestava contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo de Michel Temer.

Uma sequência de fotos mostra que o cassetete do policial quebrou ao atingir o rosto do estudante. O agente fugiu após o episódio.

Sequência mostra que PM quebrou o cassetete no rosto do estudante Mateus Ferreira em Goiânia https://t.co/tT1sjF1La8 (fotos: Luiz da Luz) pic.twitter.com/Wctg2HQblg

— Niara de Oliveira (@NiDeOliveira71) 29 de abril de 2017

O secretário de Segurança Pública de Administração Penitenciária (SSPAP) do governo de Goiás, Ricardo Balestreri, afirmou em seu perfil no Facebook que a "polícia tem, sim, o direito e o dever de reprimir atos delinquenciais".

O secretário do governo de Marconi Perillo (PSDB) afirmou que a intervenção " nunca tem como objetivo ferir as pessoas" e reclamou da falta de equipamentos da coorporação.

Nem sempre a polícia recebe o nível sofisticado de capacitação que requer e os equipamentos não letais necessários para a progressão racional da força. É preciso municiar o policial desses recursos que ele necessita. Estou há um mês e meio como secretário e lutando muito para melhorarmos o nível do equipamento e da capacitação.

Balestreri disse ainda que "todo policial tem o conhecimento elementar de que para imobilizar alguém não pode atingir a cabeça ou os genitais". "Aliás, qualquer pessoa adulta e racional tem esse conhecimento", completou.

Amigos do estudante tentam arrecadar recursos para custear as passagens e estadia para seus familiares, que moram em Osasco (SP). O objetivo é arrecadar R$ 10 mil.

Em nota, a OAB-GO exigou a abertura de procedimentos investigatórios contra os agentes estatais envolvidos nas agressões. "A violência policial acaba por invalidar o sistema democrático constitucional e impede a plena e a livre convivência social. Atropela a promessa da cidadania, causando sérios danos no seio da sociedade", diz o texto.

Espera-se da Polícia Militar de Goiás o uso racional e mínimo da força com autocontrole para manutenção da ordem pública em situações de provocações e possíveis tensões, que possam ocorrer durante os democráticos protestos populares. O uso de força policial jamais pode ser confundido com ações truculentas de violência ocorridas no episódio do último dia 28, tais como, perseguição a manifestantes, utilização de cassetetes, bombas gás e de efeito moral, dentre outras práticas abusivas.

Nas redes sociais, foram diversas as manifestações de apoio ao estudante.

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