POLÍTICA

'Governos precisam passar a ter marido porque daí não vai quebrar', diz Temer em entrevista a Ratinho

Rejeição ao presidente subiu de 45% para 64%, de acordo com pesquisa Datafolha.

30/04/2017 15:12 -03 | Atualizado 30/04/2017 15:14 -03
Reprodução/SBT
Presidente Michel Temer em entrevista ao Programa do Ratinho, no SBT.

Em um esforço para aumentar o apoio da população às reformas previdenciária e trabalhista, o presidente Michel Temer concedeu uma entrevista ao Programa do Ratinho, do SBT, em que disse que "os governos agora precisam passar a ter marido porque daí não vai quebrar".

O peemedebista fez uma comparação com o orçamento familiar para explicar as mudanças na aposentadoria. A PEC 287/16 estabelece, dentre outros prontos a idade mínima de 65 anos para os homens e de 62 anos para as mulheres.

Uma dona de casa, ela não pode gastar se o marido dela ganha R$ 5 mil, ela não pode gastar mais que cinco, senão ela vai quebrar o marido. Porque o governo gasta mais do que arrecada sempre? Não estou dizendo o governo federal, mas o governo municipal, o governo estadual sempre gasta mais do que arrecada.

A entrevista foi exibida na noite deste sábado (29).

Temer sustentou que as reformas são cruciais para a redução do desemprego e recuperação da economia e que sem a reforma da Previdência, não haverá para pagar o benefício no futuro.

Nesta sexta-feira (28), centrais sindicais organizaram uma greve geral em protesto às mudanças trabalhistas proposta pelo governo do peemedebista. A reforma trabalhista foi aprovada na última quarta-feira (26) na Câmara dos Deputados e será analisada agora pelo Senado.

O presidente reforçou que não será candidato em 2018 e disse não Temer a Operação Lava Jato, onde é citado mais de 40 vezes. Ele afirmou ainda acreditar que "surja uma liderança".

O país é muito criativo, não é? Nós todos, brasileiros, somos muito criativos. Então não é improvável que, como nós estamos colocando o país nos trilhos (..), quem assumir o governo encontre a locomotiva andando. Então eu acho que vai aparecer, aparecerá. Nós temos um ano e pouco pela frente para as candidaturas. Seguramente vai aparecer gente para liderar o país.

Impopularidade

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (29) mostra que a rejeição ao seu nome como eventual candidato ao Palácio do Planalto subiu de 45% para 64% de dezembro para cá.

A impopularidade do governo Temer é comparável à de sua antecessora, Dilma Rousseff, às vésperas da abertura do processo de impeachment.

A gestão do peemedebista tem 61% de avaliação ruim ou péssima, com 28% a considerando regular e apenas 9%, ótimo ou bom.Antes de ser afastada, a petista tinha 63% de rejeição e 13% de aprovação. Em agosto de 2015, ela registrou o pior resultado medido pelo instituto desde 1985. Na data, 71% achava o governo ruim/péssimo e 8% de ótimo/bom.

Temer enfrenta um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do seu mandato. Caso isso aconteça, deve ser feita uma eleição indireta.

Apenas 10% dos entrevistados pelo Datafolha apoiam essa hipótese. Outros 85% aprovam eleições diretas, o que depende da aprovação de uma emenda na Constituição.

Greve Geral em 28 de abril de 2017

LEIA MAIS:

- Para governo Temer, até agora greve é um fracasso e não muda reformas

- Desde quando escolhemos Temer?

- Citado nas delações da Odebrecht, Temer diz que 'compartilha indignação' dos brasileiros