POLÍTICA

Após delação da Odebrecht, Lula e Bolsonaro se fortalecem na disputa de 2018, segundo Datafolha

Deputado cresceu e aparece em segundo lugar, empatado tecnicamente com Marina Silva.

30/04/2017 11:21 -03 | Atualizado 16/05/2017 21:19 -03
Montagem / Facebook / Agência Brasil
Lula e Bolsonaro são principais nomes na disputa pela Presidência em 2018, diz Datafolha.

Primeira pesquisa Datafolha divulgada após os vídeos de delatores da Odebrecht na Lava Jato mosta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na liderança.

O parlamentar cresceu e aparece no segundo lugar da corrida para a Presidência em 2018, empatado tecnicamente com a ex-senadora Marina Silva (Rede).

Conhecido pelas posições de extrema direito e investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por incitação ao crime de estupro e injúria, Bolsonaro subiu de 9% para 15% e de 8% para 14% nos dois cenários em que é possível acompanhar a evolução.

Ele é o segundo nome mais lembrado de forma espontânea, com 7%. Nessa categoria, Lula lidera, com 16%.

Com a imagem de "outsider", apesar de estar na vida pública desde 1989, a rejeição ao parlamentar é de 23%, considerada baixa. O eleitorado se concentra em jovens instruídos e de maior renda.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem intensificado sua agenda de viagens pelo País, onde participa de eventos com discurso de pré-candidato.

Lula

Alvo de cinco inquéritos e um dos principais atingidos pela Lava Jato, Lula se mantém como principal nome na disputa. Nos dois cenários aferíveis, as intenções subiram para 30%, saindo de 25% e 26%.

O Datafolha atribui o resultado à oposição ao governo Michel Temer (PMDB), considerado impopular.

Em um eventual segundo turno, Lula derrota todos exceto Marina e o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos contra o ex-presidente na primeira instância da Lava Jato.

O magistrado não é filiado a qualquer partido, mas teria 42% das intenções de voto em um segundo turno com Lula, que ficaria com 40%.

No cenário de primeiro turno em que é incluído, o juiz chega tecnicamente em segundo. Neste cenário, o apresentador Luciano Huck aparece com 3%. Ele também não é filiado a qualquer legenda.

Doria

A delação da Odebrecht também teve impacto sobre o PSDB, onde o prefeito de São Paulo, João Doria aparece com índices competitivos. Os outros presidenciáveis do partido, o senador Aécio Neves (MG), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra (SP) foram citados no esquema de corrupção.

Aécio, segundo lugar na disputa de 2014, investigado por corrupção e caixa dois tem o mesmo índice de rejeição que Lula 44%, contra 30% do último levantamento. As intenções de volta caíram de 11% para 8%.

Suspeito de receber R$ 10,7 milhões em caixa dois, Alckmin tem rejeição de 28% - antes era de 17% - e 6% das intenções de voto, dois pontos percentuais a menos do que na última sondagem.

Na hipótese de ser o candidato com Lula, Doria pontua 9% no quarto lugar. Sem Lula, sobe para 11% mas fica na mesma posição, ultrapassado por Ciro Gomes (PDT).

No segundo turno, Doria perderia para Lula, Marina e Ciro. O prefeito tem baixa rejeição (16%) e nega que será candidato.

Marina registra tendência de queda nos cenários de primeiro turno. Para o segundo turno, ela segue na liderança, mas empata tecnicamente com Lula.

O Datafolha fez 2.781 entrevistas, em 172 municípios, na quarta (26) e na quinta (27), antes da greve geral de sexta (28). A margem de erro é de dois pontos percentuais.

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