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Estudante atingido pela PM na greve geral respira por aparelhos

Atingido por um golpe de cassetete no rosto, em Goiânia, Mateus Ferreira sofreu traumatismo cranioencefálico e múltiplas fraturas.

29/04/2017 17:23 -03 | Atualizado 29/04/2017 17:36 -03
Montagem / Twitter / Facebook
Mateus Ferreira, de 33 anos, foi atingido no rosto por policial militar em manifestação.

O estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiânia (UFG) Mateus Ferreira, 33 anos, está internado em estado grave no Hospital de Urgências de Goiânia e respira por aparelhos, segundo boletim médico divulgado neste sábado (29).

Ele foi atingido por um golpe de cassetete de um policial militar no rosto em protesto na greve geral desta sexta-feira (28), sofreu traumatismo cranioencefálico e múltiplas fraturas. A manifestação é contra as reformas trabalhista e previdenciária, propostas pelo governo de Michel Temer.

De acordo com informações divulgadas pelo Hospital de Urgências de Goiânia, Mateus passou por um procedimento de reconstrução facil e segue internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Uma gravação divulgada nas redes sociais mostra a agressão ao estudante na Praça do Bandeirante com a Avenida Anhanguera, no setor Central, em Goiânia, após confusão entre manifestantes e policiais.

Uma sequência de fotos mostra que o cassetete do policial quebrou ao atingir o rosto do estudante.

No momento da agressão, um grupo de mascarados estava em confronto com a PM, depois de jogar rojões contra os policiais. Organizadores estimam que 30 mil pessoas participaram de atos em Goiânia nesta sexta.

Mateus foi atingido e ficou caído no chão. O agente saiu correndo e o rapaz recebeu os primeiros socorros de outros manifestantes.

A Universidade Federal de Goiás, onde o estudante cursa o 3º período de Ciência Sociais, repudiou, em nota, o episódio, que classificou como "desrespeito à lei e à sensatez" e "bárbaro ato de agressão".

Mateus sofreu uma agressão unilateral, criminosa e irracional por parte de um profissional que, investido em suas funções segundo o regime artigo 144, parágrafo 5o, da Constituição da República para manter a ordem, promoveu a ilicitude e a barbárie na manhã do dia 28 de abril, incorrendo arbitrária e imotivadamente contra os direitos fundamentais e a integridade físico-corporal de um cidadão.

A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) informou que condena as agressões e que a "exigência de imobilização de eventuais manifestantes nunca justificará a transgressão de limites". A pasta informou que será "rigorosa na punição administrativa e no encaminhamento para a esfera judiciária".

Greve Geral em 28 de abril de 2017

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