POLÍTICA

Para governo Temer, até agora greve é um fracasso e não muda reformas

“O governo percebe o fracasso dessa movimentação, que está muito restrita”, afirmou Osmar Serraglio, ministro da Justiça.

28/04/2017 16:56 -03 | Atualizado 28/04/2017 19:37 -03
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
Protesto em São Paulo, na greve geral contra reformas do governo de Michel Temer.

Na avaliação do governo do presidente Michel Temer, a greve geral desta sexta-feira (28) foi um fracasso e não irá impactar na votação da reforma da Previdência.

A previsão é que a PEC 287/16 seja votada na comissão especial sobre o tema da Câmara na próxima quarta-feira (4) e no plenário até o fim do mês.

Em entrevista à radio CBN pela manhã, o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, minimizou os protestos.

Até esse momento, o governo percebe o fracasso dessa movimentação, que está muito restrita. Você pega milhares e milhares de pessoas, obstruídas por 15, 20 ou 50 pessoas.

De acordo com o ministro, o protesto é uma reação limita aos sindicatos, prejudicados com o fim da contribuição obrigatória aprovada na reforma trabalhista pela Câmara na última quarta-feira (26).

Isso evidencia numa primeira análise uma greve não existente. É uma greve mais aparentemente dos sindicatos e das centrais perturbados com a decisão dessa semana do Congresso Nacional que de alguma maneira está retirando recursos bilhardários.

Questionado se a paralisação prejudicaria a reforma da Previdência, Serraglio afirmou que o efeito será o contrário. "A nação precisa tomar rumo e isso só acontece tirando da zona de conforto", afirmou.

Aliado do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Serraglio atuou para postergar o processo de cassação do peemedebista quando comandou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Ele também foi citado na Operação Carne Fraca.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também desqualificou a greve geral. "Isso não é greve, é piquete. Greve é quando o trabalhador cruza os braços na fábrica. Mas hoje as pessoas estão em casa. O que está acontecendo é um grupo impondo uma restrição ao direitos das pessoas se locomoverem", afirmou ao jornal O Globo.

Em nota, o presidente Michel Temer defendeu o direito de expressão, mas minimizou as manifestações e lamentou episódios de violência, como no Rio de Janeiro.

Houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações. Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente.

O peemedebista disse ainda que o governo irá continuar a trabalhar "em prol da modernização da legislação nacional". Ele afirmou ainda que acredita "na força da unidade de nosso país para vencer a crise que herdamos e trazer o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento social e do crescimento econômico".

'Não muda nada'

Na avaliação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, os protestos não afetarão a votação das mudanças das regras de aposentadoria.

"Não creio não porque há uma consciência muito forte de que é preciso que nós enfrentemos o problema da Previdência", afirmou em entrevista à CBN.

O peemedebista citou o exemplo da crise financeira do Rio de Janeiro. "Vários outros estados estão vivendo uma situação de falta de recursos absolutamente intolerável. Isso não pode acontecer na União", completou.

Greve geral

As ruas foram bloqueadas por manifestantes nas principais cidades do País. A paralisação dos ônibus foi total em Curitiba, Salvador e Recife e parcial em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte.

Não há números oficiais da adesão aos atos nas ruas e à paralisação. Críticos ao movimento divulgaram imagens com #AGreveFracassou em que mostram manifestações esvaziadas.

Greve Geral em 28 de abril de 2017

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