POLÍTICA

Doria: 'Não sou grevista, que é preguiçoso e vagabundo. Não sou Jaiminho'

Prefeito de São Paulo criticou paralisações e disse que o movimento "é muito mais protesto do que greve".

28/04/2017 15:47 -03 | Atualizado 28/04/2017 16:03 -03
Montagem/Reprodução

O prefeito de São Paulo, João Doria, criticou a greve geral contra a reforma trabalhista realizada nesta sexta-feira (28). Em entrevista à rádio Jovem Pan pela manhã, o prefeito chamou os grevistas de "preguiçosos" e "vagabundos".

Questionado sobre a barreira planejada por movimentos sindicais, Doria disse que acordou mais cedo e, portanto, chegou ao gabinete da Prefeitura sem problemas. "Eu acordo cedo e trabalho. Eu não sou grevista, que dorme, é preguiçoso e acorda tarde. Eu não sou Jaiminho, não", declarou o empresário, citando o emblemático carteiro do seriado mexicano "Chaves".

O plano era fazer uma barreira na praça 14 Bis, por volta das 6h30 da manhã. Mas Doria saiu de casa às 6h e chegou à prefeitura sem dificuldades. Ao final da entrevista, ele voltou a criticar a tentativa de bloqueio:

Volto a dizer a esses grevistas, que quiseram bloquear meu acesso, que acordem mais cedo. Vagabundos! Porque o prefeito acorda cedo e trabalha muito.

Em entrevista ao Estadão no início desta tarde, Doria afirmou que a greve é muito mais política do que reivindicatória. "Você pode organizar esse movimento para protestar contra reforma da previdência e trabalhista, sem alterar a vida das pessoas, se dificultar o direito de ir e vir das pessoas, e o direito soberano das pessoas, de trabalhar", disse. E continuou: "[Hoje] É muito mais protesto do que greve, desde que você não prejudique o direito de ir e vir das pessoas."

O prefeito de São Paulo já tinha ameaçado descontar o dia de trabalho ao funcionário que aderisse à greve. Ele foi criticado nas redes por ter sido a favor dos protestos contra o governo Dilma Rousseff nos anos anteriores.

Questionado sobre o fato, Doria disse que o protesto é válido fora do expediente ou nos finais de semana, como foi o caso dos protestos a favor do impeachment de Dilma Rousseff.

Mas, em 10 de julho de 2013, data que caiu em uma quarta-feira, Doria defendeu uma greve convocada por oito sindicatos que pedia o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho e do aumento de investimentos em saúde e educação.

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