POLÍTICA

Greve Geral 100 anos depois: Trabalhadores querem parar Brasil contra reforma trabalhista

Em 1917, trabalhadores iniciaram em São Paulo uma greve geral que se tornou uma convulsão social sem precedentes na História do Brasil.

27/04/2017 19:08 -03 | Atualizado 28/04/2017 11:48 -03
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Em 1917, trabalhadores de São Paulo impulsionado por anarquistas cruzaram os braços e entraram para a História.

Em 1917, 100 mil trabalhadores de São Paulo de uma população de 500 mil habitantes decidiram parar tudo.

"A cidade amanheceu sem pão, sem leite, sem gás, sem luz e sem transporte. A atividade industrial foi paralisada. O comércio fechou as portas. Teatros, cinemas e casas de diversão adiaram as programações. O tráfego de bondes foi interrompido. Nenhum tilbury circulou. Os paulistanos jamais tinham presenciado um movimento de tal envergadura. Uma convulsão social sem precedentes se inscrevia na história do Brasil."

Hoje, 100 anos depois, trabalhadores brasileiros prometem repetir o cenário descrito pela autora do lilvro O Espírito da Revolta, Christina da Silva Roquette Lopreato. Apesar dos 100 anos de História que separam as duas datas, o desejo de paralisar a mão de obra para pressionar o governo segue bandeira das principais entidades de classe do País.

Além das centrais sindicais, as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo orquestram a greve prevista para esta sexta-feira (28).

Em São Paulo, por exemplo, a expectativa é de paralisação geral em categorias como a de metroviários -com exceção da linha administrada por uma empresa privada, ferroviários, motoristas de ônibus, trabalhadores da limpeza, aeroviários, professores e bancários. No Rio de Janeiro, motoristtas, cobradores, professores, petroleiros também cruzem os braços. No Distrito Federal, rodoviários, metroviários, bancários, jornalistas e vigilantes também engrossam o movimento.

Também estão previstos bloqueios nas principais rodovias do País.

O catalisador da greve geral prevista para esta sexta-feira (28) é o mesmo da greve impulsionada por anarquistas em 1917: As condições de trabalho. Hoje, na avaliação do desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 10 ª Região Grijalbo Coutinho, a luta é contra alterações na legislação com a reforma trabalhista e a reforma da Previdência.

"Desmonte da legislação, retirada de direitos, venda das riquezas brasileiras, todos esses retrocessos são reflexos do golpe. Milhões de trabalhadores estão sendo prejudicados e, sequer, têm noção desses ataques. A Terceirização é uma maquina de moer gente."

"Temos uma situação extremamente preocupante. Em uma sociedade que se diz democrática a Constituição deve ser de todos e, claramente, isso não está ocorrendo no Brasil. Por exemplo, a aprovação relâmpago do projeto da terceirização foi um absurdo. O jogo está desequilibrado e o trabalhador tem que reagir. Devemos relembrar ao povo do seu poder e para os demais órgãos os seus limites. É fundamental ocupar todos os espaços públicos, somente o diálogo e a greve poderão barrar os ataques", emenda o procurador do Trabalho da 10ª região, professor adjunto da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, Cristiano Paixão.

Ambos apresentaram seus argumentos em plenária da Central Única dos Trabalhadores.

No lado do governo, o argumento é o de que as reformas modernizarão o País e o adequarão a nova realidade. A reforma da Previdência, por exemplo, faz com que o campo jurídico se alinhe com a atual expectativa de vida do País e força de trabalho. Já no caso da reforma trabalhista, as alterações prometem gerar mais empregos.

"Uma vez em vigor, a nova legislação permitirá garantir os direitos dos trabalhadores previstos na Constituição Federal e impulsionar a criação de empregos no País. Trata-se de mais um importante avanço para superar a mais profunda crise econômica de nossa história", avaliou o presidente Michel Temer após a aprovação da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados.

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Greve Geral em 28 de abril de 2017