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Podemos confiar em pesquisas eleitorais?

Levantamentos que medem a opinião pública sobre questões políticas têm desafios diferentes das pesquisas eleitorais.

26/04/2017 01:00 -03 | Atualizado 27/04/2017 18:38 -03
Rawpixel via Getty Images

Pesquisas de opinião políticas não-eleitorais são encaradas com cada vez mais ceticismo. A obstrução no Congresso vem recebendo respostas cada vez mais polarizadas. E o Obamacare é mais popular que durante o governo de Barack Obama.

PESQUISAS SOBRE TEMAS POLÍTICOS ESTÃO SENDO REEXAMINADAS NA ESTEIRA DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DOS ESTADOS UNIDOS, NO ANO PASSADO – Natalie Jackson e Janie Valencia, do HuffPollster, em um trecho de Trumped: The 2016 Election That Broke All the Rules (Trumped: a eleição de 2016 que contrariou todas as regras, em tradução livre): "É provável que o debate sobre os fatores que levaram os pesquisadores a errar em 2016 continue por algum tempo, assim como a discussão sobre até que ponto os erros representar uma falha crítica para a indústria ou simplesmente uma demonstração de certeza excessiva dos especialistas. Mas, a despeito da magnitude do erro, as pesquisas sistematicamente apontaram a vitória de Hillary como mais provável. Isso é algo que vai acompanhar os pesquisadores na próxima eleição. Também é algo que, com o novo governo se assentando, levanta outra pergunta mais imediata: até que ponto podemos confiar nas pesquisas para medir o apoio do público a certas políticas? É uma pergunta mais que acadêmica. Embora pesquisas eleitorais chamem mais atenção, pesquisas que medem o humor do país em relação a temas políticos têm função importante no processo democrático. Descartar seus resultados como intrinsecamente pouco confiáveis seria deixar potencialmente uma grande parte do país sem voz no período entre eleições." [Sabato's Crystal Ball]

Desafios diferentes em relação às pesquisas eleitorais – Mais da equipe do HuffPollster: "Felizmente, alguns dos maiores obstáculos enfrentados pelas pesquisas de campanha são inerentemente menos problemáticos para quem faz pesquisas de temas políticos. Os modelos que determinavam que americanos compareceriam às urnas provavelmente foram uma fonte significativa de imprecisão... Até mesmo erros grandes o suficientes para gerar números diferentes dos resultados das urnas podem ter menos consequências quando se trata de interpretar a opinião pública. Diferenças de 2 pontos percentuais em pesquisas eleitorais podem mudar o resultado final, mas uma diferença de 2 pontos nas opiniões relativas a uma questão não costumam ser substanciais... Embora essas pesquisas não sofram dos mesmos problemas que afligem as pesquisas eleitorais, elas também são potencialmente sujeitas a várias questões sérias, cuja presença deveria ser levada em conta na interpretação dos resultados.... Muita gente nunca tem posições muito certas em relação a eventos atuais ou questões políticas, especialmente as que são complicadas ou recebem cobertura limitada do noticiário... Essas pesquisas também podem ser afetadas pela escolha de palavras das perguntas. Esse problema é virtualmente não-existente em pesquisas eleitorais, nas quais as palavras em geral refletem as perguntas que os eleitores verão nas cédulas, o que significado uma escolha de palavras relativamente uniforme."

ACRESCENTAR O NOME DE DONALD TRUMP A UMA PESQUISA AFETA AS RESPOSTAS - Chris Kahn e James Oliphant: "Os republicanos geralmente concordam que os políticos não devem enriquecer enquanto dirigem o país. Mas a maioria acha OK se o presidente Donald Trump o fizer. Democratas em grande parte apoiam a ideia de um sistema de saúde público. Mas esse apoio despenca quando eles descobrem que Trump apoiou a idéia no passado. Em um momento de fissuras já profundas em questões políticas, culturais e econômicas, Trump polariza ainda mais as coisas assim que entra no debate, de acordo com os resultados de uma pesquisa Reuters/Ipsos. A pesquisa sugere que qualquer esforço para chegar a um consenso sobre questões políticas pode ser complicado simplesmente pelo envolvimento de Trump. Pesquisa realizada de 1º de fevereiro a 15 de março com quase 14 000 pessoas pediu que os entrevistados considerassem uma série de declarações que Trump fez sobre impostos, crime e mídia, entre outras questões. Em muitos casos, os dados mostraram que as pessoas vão orientar suas opiniões de acordo com o que pensam de Trump." [Reuters]

AS OPINIÕES SOBRE OBSTRUÇÕES NO CONGRESSO ESTÃO CADA VEZ MAIS POLARIZADAS - Kathy Frankovic, em votação realizada antes de Senado adotar a "opção nuclear": "Como disseram em pesquisas anteriores, os americanos nesta semana dizem que o filibuster [obstrução] é geralmente uma coisa boa e eles não querem vê-lo eliminado. Mas a opinião sobre o filibuster tornou-se cada vez mais politizada nas últimas semanas. Apenas algumas semanas atrás, os republicanos estavam divididos quando se tratava de saber se o filibuster era uma boa idéia. Agora, por 43% a 31%, eles dizem que não é. No mesmo período, os democratas tornaram-se mais favoráveis ​​ao filibuster e dizem que é uma coisa boa, numa proporção de mais de quatro para um. Os democratas rejeitam a opção nuclear. Por mais de três a um, eles não acham que o filibuster deva ser eliminado. Eles o manteriam. Os republicanos, entretanto, que há três semanas estavam muito divididos a respeito do fim do filibuster, agora dizem que iriam se livrar dele por quase dois a um." [YouGov]

A POPULARIDADE DO OBAMACARE BATE RECORDES - "Os republicanos estão tentando se recuperar do fracasso do plano de revogar Obamacare. Mas agora eles enfrentam um novo problema: a lei tornou-se mais popular do que nunca. As opiniões dos americanos sobre a atual lei de saúde são as mais positivas desde a assinatura do Obamacare, em 2010. Em média, quase metade do público agora é favorável ao Obamacare, de acordo com um agregado de pesquisas compilado pelo HuffPost Pollster, com apenas cerca de 42% contra. De acordo com uma nova pesquisa Gallup, a aprovação do Obamacare saltou 13 pontos percentuais nos últimos cinco meses, graças ao aumento do apoio dos democratas e republicanos, bem como uma mudança notável de 17 pontos entre os independentes... Na mais recente pesquisa da Kaiser Family Foundation, as opiniões a respeito da lei atual são uniformemente divididas: 46% por cento a favor e 46% contra. Mas 64% dos americanos dizem que o fracasso da revogação do Obamacare foi uma coisa boa – 31% porque são contrários à revogação e 29% porque estavam preocupados com a proposta alternativa dos republicanos." [HuffPost, Pollster, mais do KFF e do Gallup]

PAUL RYAN CAI PERANTE OS OLHOS DO PÚBLICO - HuffPollster: "As avaliações do presidente da Câmara, Paul Ryan, continuam caindo em uma nova pesquisa Quinnipiac. Apenas 28% dos eleitores americanos disseram ter opinião favorável em relação ao republicano de Wisconsin. 52% disseram que o vêem desfavoravelmente, um aumento de 18 pontos desde maio de 2016. As avaliações desfavoráveis ​​de Ryan têm aumentado desde dezembro. Mesmo a Rasmussen Reports, cujos números são muitas vezes mais conservadores que os de outros pesquisadores, indica avaliações mais desfavoráveis em pesquisa de 27 de março. Ryan é mais bem-visto entre os republicanos, embora apenas 57% tenham opinião favorável na última pesquisa Quinnipiac. Mesmo entre os grupos demográficos que mais apoiaram o presidente Donald Trump -- como os eleitores brancos sem diploma universitário, as pessoas com mais de 65 anos e os homens --, Ryan não se aproxima de uma classificação de aprovação positiva líquida." [HuffPost, mais da pesquisa Quinnipiac]

O ASSESSOR DE TRUMP STEVE BANNON TAMBÉM TEM ALTA REJEIÇÃO - Mark Blumenthal – "Enquanto especialistas e insiders de Washington ponderam a remoção do presidente Trump do estrategista-chefe Stephen Bannon do Conselho de Segurança Nacional, uma coisa é clara: Bannon tornou-se um nome familiar para muitos e é impopular entre os americanos que o conheciam. Uma pesquisa SurveyMonkey com adultos em todo o país mostra que 42% têm opinião negativa do assessor, contra 20% que têm opinião positiva, embora mais de um terço dizer que não o conhece bem o suficiente para avaliá-lo (34%) e 3% não responderem à pergunta. A porcentagem que tem uma opinião altamente desfavorável de Bannon (34%) é quatro vezes maior que a daqueles que têm opinião altamente favorável (8%). O perfil de Bannon é semelhante ao de outros conhecidos assessores de Trump, como o secretário de imprensa, Sean Spicer, o chefe de gabinete, Reince Priebus, a conselheira sênior Kellyanne Conway e o ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn. Todos têm avaliações favoráveis ​​ entre 19% e 26%, e desfavoráveis ​​acima dos 40%." [HuffPost]

HISTÓRICO DE POUCO APOIO A AÇÕES MILITARES NA SÍRIA - Os Estados Unidos lançaram um ataque militar direto contra o governo sírio. Embora seja muito cedo para saber como o público americano vai avaliar a ação, essa intervenção foi impopular quando considerada pelo então presidente Barack Obama, em 2013. Do HuffPollster, em setembro daquele ano: "Os americanos são muito menos propensos a apoiar uma ação militar Na Síria do que foram nos últimos 20 anos para endossar outras intervenções, incluindo as guerras no Iraque e no Afeganistão, segundo pesquisa Gallup recente. Questionados se eram favoráveis ou contrários a uma ação militar americana contra a Síria para reduzir as capacidades químicas do país, somente 36% se disseram favoráveis, enquanto 51% se manifestaram contra. Em comparação, a maioria do público apoiou as ações anteriores ao envolvimento no Afeganistão, no Iraque e no Golfo Pérsico, em 1991. As opiniões sobre a intervenção militar no Kosovo e nos Bálcãs estavam praticamente divididas. Em muitos desses casos, o apoio aumentou uma vez iniciada a ação militar, de acordo com Gallup, algo conhecido como um efeito de união." [HuffPost]

Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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