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Por que o MPF quer que Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, volte para Bangu

Mulher do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, terá que voltar para o complexo penitenciário de Bangu.

26/04/2017 15:49 -03 | Atualizado 26/04/2017 16:10 -03
Ricardo Moraes / Reuters
Adriana Ancelmo chega à sede da Polícia Federal para testemunhar.

A Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2a. Região (TRF-2) revogou a prisão domiciliar da ex-primeira-dama do estado do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo, na tarde desta quarta-feira (26).

Adriana Ancelmo ganhou o direito à prisão domiciliar após decisão da ministra Maria Thereza de Assis Moura, do STJ, que levou em conta o fato de ela ter dois filhos, de 11 e 14 anos, e de o pai das crianças também estar preso.

Com a decisão desta quarta-feira (26), Adriana terá que deixar seu apartamento no Leblon e voltar para a ala feminina no complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste carioca. A decisão deve ser cumprida imediatamente.

Ricardo Moraes / Reuters
Adriana Ancelmo (L), wife of former Rio's governor Sergio Cabral arrives at the Federal Police headquarter to give a testimony in Rio de Janeiro, Brazil, November 17, 2016. REUTERS/Ricardo Moraes

Segundo o G1, o recurso foi aceito no início da tarde e, posteriormente, os desembargadores começaram a debater o mérito da volta da ex-primeira-dama à prisão. A ordem para a volta dela foi decretada por volta das 15h05.

Em março deste ano, a mulher do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral deixou o Complexo Prisional de Bangu após quase quatro meses presa por suspeita de envolvimento em corrupção e lavagem de dinheiro em organização criminosa liberada por seu marido.

Durante a defesa, o advogado da família Cabral, Luís Guilherme Vieira, argumentou que que os filhos menores de Cabral sofrem hoje os efeitos de uma "família esfacelada" e que a presença dela em casa seria fundamental.

O advogado também sustentou a ideia de que Adriana não possui "nenhum contato com o mundo externo", em cumprimento às regras que foram determinadas para que ela fosse beneficiada com a prisão domiciliar.

Segundo o UOL, um dos principais argumentos do MPF foi de que a existência de filhos menores e que a prisão do pai já eram fatos de conhecimento do juiz no momento da decretação da prisão preventiva. Sendo assim, não houve fato novo para permitir a alteração para prisão domiciliar.

Outro argumento usado pelo MPF foi de que, em prisão domiciliar, Adriana poderá agir no sentido de ocultar o dinheiro que teria sido obtido pelo marido de forma ilícita.

"Adriana foi presa porque colocava e coloca risco a ordem pública, era muito mais que esposa e companheira, era cúmplice de Sérgio Cabral. Adriana Ancelmo está presa porque ajudou e ajuda a esconder o dinheiro auferido ilicitamente pela organização criminosa", disse Silvana Batini, procuradora da República, segundo o Valor.

Batini ainda lembrou ainda que há "milhares de crianças" inconsoláveis porque suas mães cumprem pena no sistema prisional e, nem por isso, essas detentas são beneficiadas com a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar.

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