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Este teste simples pode revelar seu risco de desenvolver a doença de Alzheimer mais tarde na vida

Basta identificar qual imagem é diferente das outras.

26/04/2017 16:39 -03 | Atualizado 28/04/2017 21:42 -03
g-stockstudio via Getty Images

Um novo estudo sugere que um teste simples pode ser um indicador da probabilidade de você desenvolver o mal de Alzheimer no futuro.

Pesquisadores desenvolveram caracteres gráficos singulares, chamados Greebles, que, afirmam, podem ser ferramentas valiosas para detectar indícios do mal de Alzheimer décadas antes de os sintomas da doença se manifestarem.

Para testar seu risco de apresentar essa forma de demência, simplesmente olhe os quatro Greebles na imagem abaixo e tente identificar qual é diferente dos outros.

Se você tiver dificuldade em identificar o Greeble que se diferencia dos outros, isso pode significar que você corre risco maior que outras pessoas de desenvolver o mal de Alzheimer.

Qual é o Greeble diferente? Veja a resposta mais abaixo.

CENTRO MICHAEL J TARR PARA A BASE NEURAL DA COGNIÇÃO E DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE CARNEGIE MELLON

A pesquisadora Emily Mason, da Universidade de Louisville (UofL), descobriu que pessoas com predisposição genética a apresentar a doença de Alzheimer têm dificuldade maior que indivíduos sem a predisposição para distinguir entre os diferentes Greebles.

Quando estava estudando para seu doutorado na Universidade Vanderbilt, Mason dividiu voluntários na faixa dos 40 a 60 anos de idade em dois grupos: pessoas consideradas como tendo risco de Alzheimer por terem pai ou mãe biológicos (ou ambos) diagnosticados com a doença, e pessoas sem histórico de Alzheimer em sua família mais próxima.

Os voluntários realizaram uma série de tarefas de identificação do "objeto que se diferencia dos demais", em que lhes foram mostrados conjuntos de quatro imagens mostrando objetos do mundo real, rostos humanos, cenas e Greebles em que uma imagem se diferenciava um pouco das outras três.

Eles tinham que identificar a imagem diferente.

Os dois grupos tiveram desempenho semelhante no caso dos objetos, rostos e cenas. Quando foi preciso olhar os Greebles, porém, o grupo de risco demonstrou menos capacidade de identificar diferenças nas imagens.

Os indivíduos do grupo de risco mais alto identificaram o Greeble diferente 78% das vezes, enquanto as pessoas do grupo sem histórico de Alzheimer na família o identificaram 87% das vezes.

RESPOSTA: No exemplo dado acima, a quarta imagem é o Greeble diferente –seus chifres e um braço têm formato sutilmente diferente dos outros.

Mason tem esperança que os Greebles possam ser usados para detectar o risco de doença de Alzheimer no futuro, de modo que cientistas possam desenvolver tratamentos novos para as pessoas que vão precisar deles, antes mesmo de os sintomas se manifestarem.

"Hoje, quando detectamos a doença, seria muito difícil restaurar a função perdida dos pacientes, porque já ocorreu tanto dano a seus cérebros", disse Mason.

"Queremos poder procurar as modificações muito precoces e sutis que se manifestam no cérebro. Uma maneira de fazê-lo é com testes cognitivos direcionados a uma área muito específica do cérebro."

Mason diz que serão necessárias mais pesquisas para determinar se os indivíduos que tiveram maus resultados no teste de fato vão apresentar a doença de Alzheimer no futuro.

"A melhor coisa que poderíamos fazer seria aplicar esse teste a pessoas na casa dos 40 ou 50 anos e então acompanhar as pessoas ao longo dos dez ou 20 anos seguintes para ver quem acaba apresentando a doença e quem não", disse a cientista.

Brandon Ally, professor assistente de cirurgia neurológica na UofL e autor sênior do estudo, disse que os testes com Greebles podem ser uma maneira de baixo custo de identificar indivíduos que podem estar nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Os testes também podem servir como ferramenta para fazer o acompanhamento dessas pessoas ao longo do tempo.

"Não estamos propondo que a identificação de objetos novos, como Greebles, seja um marcador definitivo da doença, mas, quando ela é somada a alguns dos biomarcadores novos e a um histórico clínico sólido, isso pode melhorar nossa precisão de diagnóstico precoce de indivíduos de alto risco", disse Ally.

"À medida que métodos preventivos, vacinas ou medicamentos que modificam a doença forem ficando disponíveis, marcadores como a detecção de objetos novos podem ajudar a identificar os candidatos de alta prioridade ao uso dessas medidas."

O professor Robert P. Friedland, que há 35 anos estuda os aspectos clínicos e biológicos do mal de Alzheimer e desordens relacionadas, acredita que a detecção precoce da doença aumentará a capacidade de pacientes e médicos utilizaram intervenções terapêuticas e de estilo de vida.

"Este trabalho mostra que os efeitos do Alzheimer sobre a cognição podem ser medidos décadas antes de a demência se manifestar", ele disse.

"O fato de a doença levar tanto tempo para se desenvolver nos oferece uma oportunidade de atrasar sua progressão, atuando sobre os muitos fatores ligados à doença, como o sedentarismo, uma alimentação com alto teor de gordura, obesidade, lesões cranianas, tabagismo e ausência de engajamento mental e social."

A íntegra da pesquisa foi publicada no Journal of Alzheimer's Disease.

Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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