MULHERES

Corpos que não estão à venda: A denúncia de assédio sexual que afastou sócio da Playboy Brasil

"Coelhinhas" da revista denunciam sócios por exigirem favores sexuais em troca de projetos na edição da publicação no Brasil.

24/04/2017 12:06 -03 | Atualizado 25/04/2017 11:59 -03
Christopher Polk via Getty Images
Muheres denunciam assédio de editores da Playboy Brasil.

Teste do sofá: A expressão é um eufemismo para relações, em sua maioria de trabalho, em que uma das partes (a que tem maior autoridade) se enxerga no poder de exigir favores sexuais em troca de oportunidades de crescimento para a outra (a subordinada).

Oito mulheres denunciaram dois sócios da editora PBB, responsável pela publicação da revista masculina Playboy no Brasil. Elas acusam os responsáveis de exigirem sexo em troca de projetos de trabalho na publicação.

A denúncia veio à público em reportagem veiculada no Fantástico deste domingo (23). As modelos haviam participado da festa de relançamento da marca em agosto de 2016. Os sócios André Luís Sanseverino e Marcos Aurélio de Abreu Rodrigues e Silva teriam prometido oportunidades de novos projetos para elas.

Em trocas de mensagens, Sanseverino insinua que as oportunidades só aconteceriam se elas fizessem sexo com eles. Indignadas com a proposta, as mulheres conversaram entre si e buscaram ajuda de advogados.

Em entrevista ao jornalístico da Rede Globo, elas afirmam que o fato de estarem fantasiadas de "coelhinha da Playboy", não era um convite ao desrespeito de seus corpos:

"Eu não tenho que me esconder. Eu não sou culpada. Eu trabalhei. Eu não desrespeitei ninguém. Eu tive a mesma postura que eu sempre tive seja usando terno ou vestido de noiva ou usando um espartilho como eu usei no dia da festa."

Os sócios negaram qualquer tipo de assédio. De acordo com Rodrigues, ele estava com a esposa durante a festa e não teria tido contato com as mulheres em outros momentos. Já o fotógrafo Sanseverino aparece em trocas de mensagens no Whatsapp com elas.

Ele pede fotos das meninas nuas, "para avaliar seus corpos" e pergunta se uma delas "trairia o namorado" pelo emprego. Ele promete transformar garotas "comuns" em "sucessos", e para isso é preciso construir uma relação de "confiança e intimidade".

A repórter expõe a situação da denúncia para o fotógrafo:

"Eu converso de forma normal com elas. Faço várias perguntas. Me preocupo para que elas não sejam garotas de programa", argumenta Sanseverino.

"Então se elas reponderem 'sim' as perguntas sobre sexo você não as contrata?', questiona a repórter.

"Lógico que não", responde o sócio.

"Mas elas responderam justamente não as perguntas e foi aí que você encerrou o dálogo sobre os trabalhos futuros, não é?".

A essa última pergunta André Sanseverino não soube responder.

Em comunicado à imprensa, a editora afirma que afastou os profissionais até que toda investigação seja finalizada.


A PLAYBOY BRASIL declara que repudia toda forma de desrespeito contra a mulher.

Informamos que decidimos pelo total afastamento do sócio André Sanseverino, por prazo indeterminado, de quaisquer atividades relacionadas à PLAYBOY.

Assim, qualquer declaração dada por André Sanseverino não reflete em absolutamente nada os valores da PLAYBOY. O mesmo encontra-se afastado da empresa e não responde mais pela mesma.

Acreditamos de forma franca e honesta que ele deverá colaborar para elucidar os fatos até que as denúncias sejam apuradas.

A PLAYBOY, ao longo de sua história, vem coadjuvando em defesa e em busca da liberdade e empoderamento das mulheres, não somente no Brasil, mas em todo o mundo. E não será diferente neste momento.

Atenciosamente,
PBB EDITORA S.A

Nas redes sociais da revista, Edson Marcos de Oliveira, terceiro sócio da publicação, afirma que não tem envolvimento com o que foi exposto na reportagem.

Divulgação

Clique aqui para assistir a reportagem completa do Fantástico.

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