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Corrida presidencial na França é a 'mais imprevisível' da História do país

Candidatos 'antissistema', populistas e extremistas lideram as intenções de votos.

23/04/2017 07:12 -03 | Atualizado 23/04/2017 10:40 -03
Charles Platiau / Reuters
Na sequência, os candidatos a presidente François Fillon (conservador), Benoit Hamon (socialista), Marine Le Pen (extrema-direita), Emmanuel Macron (centrista) e Jean-Luc Mélenchon (extrema-esquerda).

Neste domingo (23), a França vai às urnas para eleger o seu novo presidente. O cenário que compreende os candidatos é inédito na História do país: dois políticos extremistas e populistas lideram a corrida com as maiores intenções de votos.

Nomes conhecidos da tradicional política como o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé abriram espaço para que Marine Le Pen, da Frente Nacional (partido da extrema-direita), e Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa (partido da extrema-esquerda), arrebatassem mais de 40% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas locais.

Para os especialistas, esta é a eleição mais imprevisível dos últimos 50 anos na França. Eles apostam que a disputa para decidir quem irá para o segundo turno será bastante apertada: Le Pen, Mélenchon, o conservador François Fillon e o centrista Emmanuel Macron estão muito próximos nas pesquisas eleitorais.

O avanço de Le Pen e Mélenchon pode ser entendido como consequência do desgaste de partidos clássicos franceses, o Socialista e o Republicano, já que eles se alternam no poder desde o início dos anos 1980.

Em entrevista à BBC, Martial Foucault, diretor do Centro de Pesquisas Políticas da Universidade Sciences Po de Paris, explica que a opção pelos candidatos "antissistema" representa um gesto de protesto diante dos problemas do país:

"Os franceses preferem se refugiar em votos de protesto ou de radicalização. Isso não significa adesão total aos projetos de sociedade de Le Pen ou Mélenchon."

Entre os principais desafios dos franceses está o combate ao desemprego e a queda da produtividade econômica. Neste cenário, a globalização, os imigrantes, o atual sistema político e o resto da Europa são tachados como os "vilões".

Em resposta, Le Pen e Mélenchon apresentam ideias como o "Frexit" - a saída da França da União Europeia -, na esteira do Brexit. É uma solução para o eleitorado descontente, além de outros projetos como a revogação da atual lei trabalhista e o protecionismo econômico.

Atentado reforça o medo

Na última quinta-feira (20), um atirador matou um policial e outras pessoas ficaram feridas em um ataque do Estado Islâmico em Paris.

O atentado ocorreu na Champs-Élysées, a avenida mais badalada e ponto turístici da capital.

O tiroteio coincidiu com o momento em que ocorria o último debate na TV entre os candidatos à Presidência. Um dia após o ataque, o governo anunciou que as forças de segurança estarão completamente mobilizadas neste domingo de eleições.

Após o ocorrido, o centrista Emmanuel Macron declarou que a França não pode "ceder ao medo" e garantiu que "a democracia é mais forte".

Marine Le Pen aproveitou a oportunidade para argumentar que o país precisa de uma presidência que "aja e nos proteja".

Para François Fillon, não há como relativizar o ataque. Ele assume que o país "está em guerra".

No Twitter, Donald Trump afirmou que o atentado deve influenciar na corrida presidencial: "Mais um ataque terrorista em Paris. O povo da França não vai tolerar mais isso. Terá um grande efeito na eleição presidencial".

Candidato antipolarização

De acordo com informações da Folha, jovens e ativistas estão fazendo campanha para o movimento Em Frente!, do centrista Emmanuel Macron.

O candidato tem 25% das preferências, segundo pesquisa do instituto Harris, e se coloca à frente de Le Pen (22%).

Financiado por doações, o movimento é liderado por voluntários e é considerado fundamental para o sucesso do político na corrida presidencial.

O seu objetivo é "unir as pessoas que não têm uma ideologia, mas querem a oportunidade se expressar", conclui Armelle Grenier em entrevista ao jornal.

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