ENTRETENIMENTO

120 anos de Pixinguinha e um lindo site para celebrar o legado do mestre do choro

IMS acaba de lançar plataforma com mais de 9 mil itens sobre o gênio carioca.

23/04/2017 11:41 -03 | Atualizado 24/04/2017 12:27 -03

"Meu coração, não sei por que

Bate feliz quando te vê

E os meus olhos ficam sorrindo

E pelas ruas vão te seguindo

Mas mesmo assim

Foges de mim"

O versos acima - que certamente você leu cantarolando em sua mente - é a principal obra-prima de Pixinguinha (1897-1973), mestre do choro que completa 120 anos de nascimento neste domingo (23).

Mas ela não é a única.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, nome de batismo do compositor, arranjador e intérprete, nascido no bairro de Piedade, no Rio, deixou mais de 300 pérolas musicais.

A fim de revelar e comemorar esse legado, o Instituto Moreira Salles acaba de lançar o portal Pixinguinha.com.br.

Além das centenas de canções, incluindo 40 músicas inéditas, a plataforma reúne documentos, depoimentos, discografia para audição online, recortes de críticas, fotografias e cadernos de anotações, somando mais de 9 mil peças - todas elas pertencente ao acervo que está sob cuidado da instituição desde 2000.

Para quem quiser se aprofundar ainda mais na trajetória de Pixinguinha, a plataforma ainda oferece um inédito Catálogo Crítico de Obras de Pixinguinha, que reúne mais de 500 verbetes.

Filho de pai flautista, o mais novo de três irmãos que também tocavam instrumentos, Pixinguinha viveu a infância e adolescência rodeado por músicos mais velhos e ouvindo repertório antigo - fatos que influenciariam sua obra, que combina tradição e reinvenção.

Pixinguinha compôs sua primeira canção, Lata de Leite, quando tinha apenas 11 anos.

"Uma das coisas que vamos tentar mostrar no site é que Pixinguinha já nasceu com alma, talento e criatividade de arranjador. Ele foi arranjador a vida inteira, em todos os grupos dos quais participou ou dirigiu, e isso é muito forte na carreira dele, quase tão forte quanto o trabalho de compositor, que é magnífico", conta Bia Paes Leme, coordenadora de música do IMS.

Reprodução/Pixinguinha.com.br
Plataforma reúne mais de 9 mil itens sobre o mestre do choro.

A plataforma conta ainda com uma área especial que traz um valioso conjunto de partituras manuscritas.

São cerca de 2.200 peças de músicas do autor e também de arranjos criados para composições de terceiros, a maioria entre 1947 e 1952, quando o músico integrou o programa semanal de rádio O Pessoal da Velha Guarda.

Ao navegar pela plataforma, o usuário tem uma dimensão da importância de Pixinguinha para a música popular brasileira, em especial para a elaboração do choro como conhecemos hoje.

Bia contextualiza:

"A mãe do choro é a polca, aqui ela ganhou a síncope africana e se transformou no que chamamos de choro. Pixinguinha abre mais esse leque, traz o samba para o choro. Muitos músicos também fazem choro na época, como Luiz Gonzaga no Nordeste, outros no Sul. Mas Pixinguinha, com a criatividade melódica e harmônica dele, é o libertador do choro, no sentido de não deixá-lo uma linguagem ligada ao passado."

Para o lançamento da plataforma em grande e estilo e também com o objetivo de comemorar o centenário de Carinhoso, o IMS preparou um videoclipe especial da obra-prima de Pixinguinha com a participação de grandes nomes música. Entre eles, Chico Buarque, Zélia Duncan, Joyce, Jacques Morelenbaum e Monarco.

Assista no player abaixo:

Aqui vale destacar uma curiosidade: neste dia 23 abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, justamente por conta do aniversário de nascimento do músico carioca.

No entanto, recentemente, a equipe do IMS descobriu que, diferentemente da certidão de batismo usada como principal referência biográfica sobre o músico, o livro do cartório em que foi registrado trazia outra data de nascimento: 4 de maio.

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