LGBT

Como um panfleto homofóbico gerou uma reação de solidariedade e amor em Curitiba

Casal gay foi vítima de panfletagem homofóbica e amigos decidiram fazer um lindo ato no último sábado (14).

17/04/2017 11:07 -03 | Atualizado 17/04/2017 11:28 -03
Facebook/ Bella Souza/Respeito Diversidade Curitiba
Apesar do feriado de Páscoa, mais de 300 pessoas participaram do ato pacífico, que contou com cartazes pedindo o fim da homofobia, balões e bandeiras LGBTs.

Amigos, parentes e diversas pessoas realizaram um ato neste fim de semana em solidariedade ao casal João Pedro Schonarth e Bruno Banzato, vítimas de um panfleto homofóbico distribuído no bairro que estão prestes a morar, em Água Verde, Curitiba.

O casal João Pedro Schonarth, jornalista, e Bruno Banzato, servidor público, estavam terminando de construir uma casa na vizinhança quando foram surpreendidos com o panfleto anônimo com textos extremamente homofóbicos.

"Em breve, sua rua será mais 'alegre'!!! Todos os dias nos passeios matinais ou dos finais de tardes terá a visão para inspirar e influenciar toda a vizinhança: você, seus filhos, seus netos e amigos", diz o folheto com fotos de casais homossexuais diversos e divulgando o endereço da nova casa dos rapazes.

Ao saber do ataque, João Pedro fez um post no Facebook denunciando o ato. "Eu nunca pensei em passar por isso na minha vida. Mas sim, estou passando", escreveu. "Para quem acha que não existe homofobia, muito prazer."

O post viralizou e o bairro, com amigos, conhecidos e familiares do casal, decidiu promover um protesto contra a homofobia. Apesar do feriado de Páscoa, mais de 300 pessoas participaram do ato pacífico, que contou com cartazes pedindo o fim da homofobia, balões e bandeiras LGBTs.

Facebook/Bella Souza

Facebook/Bella Souza

Facebook/Bella Souza

"Eu sou gay, mas isso é só uma das minhas características", discursou João Pedro no encontro na Praça Guanabara . "O preconceito fecha porta, o preconceito diz: 'você não é bem-vindo. A gente precisa valorizar as nossas diferenças."

O casal está junto há sete anos e aguarda na lista de adoção há cerca de dois anos. "A gente vai ficar e resolveu lutar. Vamos ser pais de um filho com dois pais homossexuais. Eu não quero que ele passe por isso", disse João Pedro ao HuffPost Brasil.

Preciso mostrar que ser diferente não é problema. E no fundo, a gente é mais igual do que diferente. Assim como uma família tradicional, queremos ter nossa casa, formar nossa família e ter qualidade de vida. Temos tanto direito de viver na sociedade quanto as outras pessoas.

Além dos panfletos, João afirma que eles foram alvo de sabotagem na construção. Colocaram uma mangueira na tubulação do ar condicionado e jogaram água, o que danificou o piso. O contratempo fez com que eles adiassem a mudança, prevista para o último fim de semana.

No protesto de sábado, porém, o casal recebeu alguns presentes para a nova casa.

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