POLÍTICA

Citado nas delações da Odebrecht, Temer diz que 'compartilha indignação' dos brasileiros

Em entrevista à TV Bandeirantes, presidente disse que é “constrangedora” delação contra ele.

16/04/2017 10:44 -03 | Atualizado 16/04/2017 10:58 -03
Reprodução / TV Bandeirantes
Presidente Michel Temer em entrevista à TV Bandeirantes.

O presidente Michel Temer disse que compartilha da indignação dos brasileiros com as denúncias expostas pela lista de Fachin e o número de políticos citados nas delações da Odebrecht.

A indignação é verdadeira, e eu compartilho essa indignação. Eu não faço uma crítica à indignação que a população sente, é mais que razoável. É legítima porque é quase, digamos assim, assustador.
A declaração foi dada em entrevista à TV Bandeirantes exibida na noite deste sábado (15). "Quando você vê uma lista com 200 nomes – e agora se alardeia que tem mais 200 nomes –, você tem muita gente do Congresso, você tem ex-presidentes, você vê governadores, você tem uma multidão", completou o presidente.

Na última terça-feira (11), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, autorizou investigações contra oito ministros de Estado, três governadores, 24 senadores, 41 deputados federais e um ministro do Tribunal de Contas da União, com base nas delações da Odebrecht.

Apesar de citado em dois inquéritos encaminhados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Temer não será investigado em razão da "imunidade temporária" que detém na condição de chefe do Executivo.

De acordo com a PGR, há indícios de que os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) atuavam "em nome do PMDB e de Temer" para solicitar "recursos ilícitos" à Odebrecht. A suspeita é baseada no depoimento de seis delatores.

Na entrevista, o presidente afirmou que "é constrangedor" ter sido citado no depoimento de Márcio Faria da Silva, ex-presidente da Odebrecht Industrial.

O executivo, que assinou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Lava Jato, disse ter tratado em uma reunião com Temer em 2010 sobre uma doação de R$ 40 milhões para a campanha eleitoral do PMDB.

Por meio de nota e de um vídeo publicado na quinta-feira (13) nas redes sociais do governo, Temer disse que se reuniu com o executivo, mas negou ter tratado sobre valores com ele.

"É uma coisa desagradável para quem está na vida pública há tanto tempo", disse o presidente à TV Band. "É muito desagradável ouvir aquele depoimento. É constrangedor", completou.

Temer confirmou também que o encontro, realizado em São Paulo, foi organizado pelo então deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso há seis meses em Curitiba em decorrência da Lava Jato.

O presidente disse, no entanto, que tinha uma "relação institucional, não uma relação pessoal" com Cunha. À época, Temer era presidente do PMDB, enquanto Cunha era líder do partido na Câmara.

Ministros

Questionado sobre a possibilidade de afastar algum dos oito ministros de seu governo que passaram a ser alvo de inquérito no STF, após terem sido citados por delatores da empreiteira Odebrecht como envolvidos em esquemas ilícitos, Temer respondeu que "pode acontecer que o próprio ministro se sinta desconfortável e queira sair".

O presidente voltou a afirmar que somente afastará ministros por iniciativa própria se a PGR apresentar denúncia contra algum integrante de seu gabinete. "Temporariamente, se houver a denúncia. Definitivamente, se a denúncia for aceita. É uma linha de corte compatível com nosso sistema jurídico", afirmou.

Ao ser perguntado por que seria tão difícil afastar ministros neste momento, Temer respondeu que o principal apoio a seu governo vem do Congresso Nacional. "Temos que compreender essa indignação [da população] e construir gestos e formas para superar essa indignação", disse.

Impeachment

A respeito do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, Temer disse que se o PT tivesse votado contra o processo de cassação do mandato de Cunha no Conselho de Ética da Câmara, "é muito provável que a presidente ficasse [no poder]".

Reformas

Na entrevista, Temer reconheceu ter enviado um "projeto pesado" sobre a reforma da Previdência ao Congresso, mas acrescentou que a flexibilização de pontos do texto faz parte do processo democrático.

O presidente afirmou que, após as reformas da Previdência e trabalhista, sua prioridade será a reforma política, que ele considera "inadiável".

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