POLÍTICA

Delação da Odebrecht: Pastor Everaldo recebeu para ajudar Aécio em debate

Candido à Presidência em 2014, Everaldo teria recebido R$ 6 milhões da empreiteira.

14/04/2017 13:18 -03 | Atualizado 14/04/2017 13:41 -03
Montagem / TV Globo
Pastor Everando, candidato do PSC à Presidência da República em 2014 e Aécio Neves, candidato pelo PSDB.

Em depoimento no âmbito da Lava Jato, o executivo Fernando Reis afirmou que a empreiteira Odebrecht orientou em 2014 o então candidato a presidente Pastor Everaldo (PSC) a ajudar o candidato do PSDB, Aécio Neves, em um debate.

O objetivo era "dar mais visibilidade" para o tucano a fim de garantir uma vaga no no segundo turno para disputar com a então presidente Dilma Rousseff, que concorria à reeleição. As informações são do G1.

Reis não detalhou em qual debate isso aconteceu nem o envolvimento do Aécio no caso.

Em nota, Everaldo afirmou que "a atuação política sempre foi pautada pela defesa do Estado mínimo e da família. É absolutamente fantasiosa a afirmação de que as bandeiras da campanha de 2014, ou a participação do pastor, em qualquer debate, tenham sido influenciadas por uma empresa".

Aécio Neves negou ter informações sobre doações feitas pela Odebrecht a outras campanhas."Em suas delações, Marcelo Odebrecht e Benedicto Júnior afirmaram que o candidato do PSDB não recebeu uma contribuição da empresa no valor de R$ 15 milhões porque se recusou a receber recursos no exterior. Na delação, Marcelo declarou também que doações eleitorais feitas ao senador Aécio Neves não tiveram qualquer tipo de contrapartida", informou a assessoria do senador.

No Twitter, teve gente intrigada com a coincidência de datas da notícia da ajuda de Everaldo a Aécio com a Sexta-Feira Santa.

E gente confusa sobre as amizades da Odebrecht.

Além dos que tentaram descobrir quais perguntas favoreceram Aécio.

6 milhões

De acordo com os delatores Renato Amaury de Medeiros e Fernando Reis, Everaldo recebeu R$ 6 milhões em caixa dois na campanha de 2014.

Segundo Reis, o pastor "praticamente desapareceu das pesquisas (de intenção de voto)" após a a morte de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB. Isso porque os votos da comunidade evangélica migraram para Marina Silva, que assumiu o lugar de Campos.

Em depoimento, o delator afirmou que o candidato do PSC "tinha uma rixa com o PT" e que a empreiteira sugeriu então, a ajuda a Aécio.

Como a gente se sentia credor por ter contribuído tanto para a campanha dele, nós sugerimos a ele que usasse o debate sempre para perguntar ao candidato Aécio porque aí daria mais tempo ao Aécio. E analisando a transcrição do debate do primeiro turno se nota que ele fez perguntas absolutamente simples e inócuas para que o candidato Aécio pudesse ter tempo na televisão.

Os delatores Renato Amaury de Medeiros e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis mencionaram o envolvimento do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nos repasses para Everaldo.

O pastor negou irregularidades e afirma que a campanha "custou menos de R$ 2 milhões".

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