MULHERES

'Você não tem culpa de nada': O apoio que Ieda e Vivian deram a Emilly após a expulsão de Marcos

Quando a rivalidade sai de campo, entra a empatia. ❤

11/04/2017 11:33 -03 | Atualizado 11/04/2017 12:00 -03
Reprodução/Rede Globo
Pelos abusos e agressão, o público pediu a expulsão do médico.

O cirurgião plástico Marcos Härter, de 37 anos, foi expulso do Big Brother Brasil na noite desta segunda-feira (10). O médico de 37 anos foi flagrado agredindo diversas vezes a estudante Emilly Araújo, de 20 anos, com quem manteve um relacionamento na casa.

A expulsão foi comunicada ao vivo pelo apresentador Tiago Leifert às três finalistas. "Agressão dá eliminação", afirmou Leifert:

Leifert ainda explicou que a produção do programa ouviu especialistas, policiais e o público antes da decisão. A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito para apurar o caso e concluiu que houve agressão.

Leifert também ressaltou a ocorrência de "abuso psicológico". A polícia entrou no caso depois da repercussão das agressões desde a manhã de domingo (9). Pelos abusos e agressão, o público pediu a expulsão do médico. A tag #MarcosExpulso foi um dos tópicos mais discutidos no último fim de semana.

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Gravações do programa mostram o gaúcho apertando e beliscando a jovem. O cirurgião também constrangeu Emilly em várias ocasiões, descritas como "tortura psicológica" pela diretora da Divisão de Política de Atendimento à Mulher do Rio de Janeiro, Marcia Noeli Barreto.

Ela disse em entrevista ao jornal Extra:

"Esse caso não pode ficar sem ser apurado. A tortura psicológica que ele pratica é considerada violência doméstica, se enquadra na Lei Maria da Penha. É assim que tudo se inicia. Ele não a ameaçou de morte, por exemplo, mas houve constrangimento tão forte, que ela ficou acuada."

Emilly ficou impactada com a decisão e demonstrou preocupação com sua família e também com Marcos. "Por que isso está acontecendo?", emocionou-se. E tentou justificar as reações de Marcos. "Ele estava muito nervoso."

Foi neste momento que o fato de Ieda e Vivian estarem ao lado de Emilly foi de extrema importância. Ambas demonstraram cuidado e empatia em relação à situação em que jovem foi exposta e tentaram acalmá-la.

Vivian, que é advogada, diversas vezes, mostrou para ela que a culpa nunca é da vítima e tentou explicar, de certa forma, como a violência psicológica funciona.

"Talvez tu gostasse tanto dele que tu não estivesse enxergando [o nível da agressão]", tentou explicar a advogada Vivian.

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E continuou:

"Talvez eles [a produção do programa] não tivessem como te ajudar se algo pior acontecesse. Eles querem evitar que coisas que acontecem diariamente lá fora, acontecessem também aqui dentro."

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"Marcos é grande, ele sabe que ele é responsável pelos atos dele. Eu entendo que na sua cabeça talvez eles tenham tomado uma decisão muito... ao extremo, né. Eu entendo. Mas pensa assim: pelo menos eles não deixaram que algo pior acontecesse."

"Talvez tu não estivesse enxergando que estava precisando de ajuda. Não precisa ter a intenção de machucar, Emilly. Agressão é agressão"

Mais tarde, no quarto, a conversa continuou entre as três. Emilly, muito sensível, ainda tentando entender o que aconteceu e como aconteceu disse:

"Ele só estava aqui por mim. Eu não queria ficar sozinha. Se ele não tivesse ficado, nada disso teria acontecido".

E Vivian respondeu:

"Quando a gente entre aqui a gente entra só. E é um jogo de convivência. A gente vai aprendendo a gostar das pessoas, a conhecer as pessoas. Cara, e independente de qualquer coisa, a gente tem as nossas diferenças, mas jamais a gente vai virar as costas para você"

No Twitter, as pessoas comentaram a atitude de Viviam e elogiaram a advogada:

Momentos depois, Ieda e Vivian deixaram Emilly sozinha para que ela pudesse descansar e foram para a varanda. Na manhã desta terça-feira (11), Vivian falou no Raio-X, do programa. Assista:

Vivian, Ieda e Emilly foram declaradas finalista do programa. A edição de 2017, com apresentação de Thiago Leifert, chega ao fim na próxima quinta-feira (13). Na noite de hoje, o primeiro finalista será conhecido pelo Brasil.

Enquanto isso, o apoio a Emilly permanece.

Reprodução/Rede Globo

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.

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