MULHERES

Expulso do BBB17, Marcos pede desculpas: 'Jamais tive a intenção de agredi-la'

Marcos foi intimado a depor na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá na próxima quarta-feira

11/04/2017 10:43 -03 | Atualizado 11/04/2017 12:11 -03
Reprodução/TV Globo
Antes da expulsão de Marcos, a família e amigos do médico divulgaram uma nota para falar sobre sua personalidade.

Após ser expulso do Big Brother Brasil na noite de segunda-feira (10), o cirurgião Marcos Härter divulgou uma nota sobre o ocorrido. O médico de 37 anos foi flagrado agredindo a estudante Emilly Araújo, de 20 anos, com quem mantinha um relacionamento na casa, na noite de sábado (8).

A expulsão foi comunicada pelo apresentador do programa, Tiago Leifert às finalistas. O caso começou a ganhar força desde domingo de manhã, quando telespectadores pediram a expulsão do participante à TV Globo por agressões físicas e psicológicas contra a namorada.

Durante a festa do último sábado (8), o casal teve uma briga e o médico acabou se exaltando. Ele gritou com Emilly e, em certo momento, beliscou e apertou o seu pulso. No vídeo divulgado nas redes, é possível assistir ao momento em que Emilly pede para Marcos parar:

A repercussão continuou na segunda-feira e a hashtag #GloboApoiaViolência era a mais comentada. Além da pressão do público, foi aberto um inquérito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro que comprovou que a estudante foi agredida pelo cirurgião plástico.

Leifert explicou que a produção do programa ouviu especialistas, a polícia e o público antes de tomar a decisão.

Na manhã desta terça-feira, o médico se pronunciou pela primeira vez sobre o caso. "Como todo casal passamos por momentos de alegria, ansiedade, euforia e tensão. Jamais tive a intenção de machucar física ou emocionalmente uma pessoa pela qual nutri tanto carinho e afeto", escreveu no Instagram, acrescentando que o programa o levou ao "limite".

"O programa tem um formato destinado a levar o nosso emocional ao limite, e consequentemente, os nervos à flor da pele. Repito: jamais tive a intenção de machuca-la ou agredi-la, estou surpreso com tudo que está acontecendo."

Ele termina a nota se desculpando com todos os envolvidos, "Emilly, sua família, demais participantes e a todo o Brasil".

Antes da expulsão de Marcos, a família e amigos do médico divulgaram uma nota para falar sobre sua personalidade. "Dr. Marcos, como é conhecido, sempre foi um ser humano dócil, amável e querido por todos, tanto por seus familiares como amigos e pessoas que lida diariamente. Esse relacionamento com a Emilly não é o tipo de relação amorosa que ele costuma ter, e acreditamos que o que vem acontecendo dentro da casa entre os dois é responsabilidade de ambos e não apenas do Marcos", disse a nota, que ainda justifica o comportamento de Marcos como fruto do "estresse causado pelo confinamento.

"O Marcos que vocês estão assistindo não é esse ser humano agressivo. Temos certeza que esse desvio de comportamento é consequência do estresse causado pelo confinamento".

De acordo com o jornal Extra, Marcos foi intimado a depor na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá na próxima quarta-feira (12). Já Emilly será ouvida na próxima segunda-feira.

Para a diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher do Rio, a delegada Marcia Noeli Barreto, as imagens comprovam que Emilly estava acuada e se sentindo culpada.

É importante investigar esse caso, mas também é importante que a sociedade entenda a questão da violência doméstica. A tortura psicológica que ele pratica é, sim, violência doméstica e se enquadra na Lei Maria da Penha.Delegada Marcia Noeli Barreto, ao Jornal Extra

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.

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