POLÍTICA

A sangria não estancou: Tá todo mundo na lista do Fachin

Um terço dos ministros do governo Temer e um terço dos senadores são alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

11/04/2017 18:01 -03 | Atualizado 12/04/2017 00:28 -03
Montagem / Agência Senado
Os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido, e Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, são os com maior número de pedidos de inquéritos .

8 ministros

3 governadores

24 senadores

39 deputados

1 ministro do TCU

Esta é a quantidade de políticos com foro privilegiado alvos de pedidos de abertura de inquérito nesta terça-feira (11) pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. As informações são do Estadão.

O número representa um terço dos ministros do governo do presidente Michel Temer e também um terço do Senado Federal.

No total, são 108 alvos dos 83 inquéritos que o Ministério Público Federal encaminhou ao Supremo, com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht.

Segundo o Estadão, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido, e Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, são os com maior número de pedidos de inquéritos, cinco. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do PMDB no Senado, aparece logo em seguida, com quatro.

As ilegalidades mais citadas pelos delatores foram:

Corrupção passiva,

Corrupção ativa,

Lavagem de dinheiro e

Falsidade ideológica.

Também há relatos de formação de cartel e faude a licitações.

Temer, Dilma e Lula?

O presidente Michel Temer é citado nos pedidos de abertura de dois inquéritos, mas não está entre os investigados. O Estadão ressalta a "imunidade temporária" do presidente, que não pode ser investigado por crimes que não decorreram do exercício do mandato.

Já os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não têm a prerrogativa do foro privilegiado. O STF julga apenas processos de políticos com direito ao foro especial.

Outro lado

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, e o titular da Casa Civil, Eliseu Padilha não vão se manifestar. Ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes afirmou que "só vai se manifestar depois que tiver acesso ao teor do inquérito".

Em nota, o titular da Agricultura, Blairo Maggi, lamentou a inclusão de seu nome e negou ter recebido doações da Odebrecht nas campanhas eleitorais. "Me causa grande constrangimento ter minha honra e dignidade maculadas, numa situação na qual não sei sequer do que sou acusado", afirmou.

Ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab afirmou que não teve acesso oficialmente às informações e que as campanhas seguiram a legislação. "É necessário ter cautela com depoimentos de colaboradores, que não são provas", disse, em nota.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que confia na Justiça. "O processo vai comprovar que são falsas as citações dos delatores, e os inquéritos serão arquivados", afirmou a jornalistas.

No comando do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) negou ter conhecimento dos inquéritos e que a lista irá interromper os trabalhos da Casa. "Os homens públicos têm que estar sempre atentos e sem medo de fazer os enfrentamentos que a vida pública nos oferece", afirmou a jornalistas.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), refutou irregularidades. "Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas contas aprovadas", disse, em nota.

Para o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), a abertura dos inquéritos permitirá exercer o direito de defesa e o caso será arquivado. "Um homem público sabe que pode ser investigado. Mas isso não pode significar uma condenação prévia ou um atestado de que alguma irregularidade foi cometida", afirmou, em nota.

Do mesmo partido, o senador Valdir Raupp (RO) afirmou que "recebeu com tranquilidade a sua citação na lista do Ministro Fachin" e que o documento é baseado "em declarações de delatores que no desespero falam e ninguém pode impedir".

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), defendeu o fim do sigilo e afirmou, em nota, que "considera que assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua conduta".

Ex-ministro de Relações Exteriores, o senador José Serra (SP) reiterou que "não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido, na forma da lei".

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), disse que está à disposição da Justiça e que não foi candidato em 2014. Ele negou conhecer o teor das menções atribuídas a ele.

Pai do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), afirmou, por meio de seu advogado André Luís Callegari, que não teve acesso à investigação e que está à disposição das autoridade. "A defesa do senador observa que nestes 35 anos de vida pública de Fernando Bezerra Coelho não há qualquer condenação em desfavor do parlamentar", disse, em nota.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o caso será arquivado. "Mais uma vez confiarei que as investigações irão esclarecer os fatos e, assim como das outras vezes, estou convicto que o arquivamento será único desfecho possível para esse processo", disse, em nota.

O também petista Humberto Costa (PE) disse que aguarda ter acesso aos novos documentos para reunir as informações necessárias à sua defesa e que "espera a conclusão de inquérito aberto há mais de dois anos pelo STF, e para o qual a Polícia Federal já se manifestou em favor do arquivamento".

Do mesmo partido, Jorge Viana (AC) afirmou que "a crise política vai se aprofundar, a partir de agora, com risco de paralisia institucional, porque todo o sistema político brasileiro está em xeque". Quanto à citação dele e do governador do Acre, Tião Viana (PT), o parlamentar afirmou que "não há nenhuma denúncia de corrupção" e que as campanhas foram dentro da Lei.

A liderança do PSBB na Câmara defendeu o fim do sigilo, mas afirmou que "é fundamental, todavia, que o trabalho das instituições não paralise o país". "Há uma agenda de reformas pendente no Congresso e elas são cruciais para a reativação da economia e a geração de emprego", disse o deputado Ricardo Tripoli (SP), em nota.

A liderança do PSDB no Senado reforçou o papel do partido no governo Temer. "Os inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, não prejudicarão nosso compromisso maior com o país", afirmou o líder da legenda na Casa, Paulo Bauer (SC).

A defesa do ministro do TCU Vital do Rêgo informou que não teve acesso conteúdo do pedido de abertura de inquérito. "O ministro está à disposição das autoridades e confia que será comprovada a falta de relação entre ele e os fatos investigados", disse, em nota.

Íntegra da lista dos alvos, segundo o Estadão:

Senador da República Romero Jucá Filho (PMDB-RR)

Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)

Senador da República Renan Calheiros (PMDB-AL)

Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)

Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)

Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

Deputado Federal Paulinho da Força (SD-SP)

Deputado Federal Marco Maia (PT-RS)

Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-SP)

Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)

Deputado federal Milton Monti (PR-SP)

Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)

Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)

Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)

Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)

Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)

Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)

Senador da República Edison Lobão (PMDB-PA)

Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Senador da República Jorge Viana (PT-AC)

Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)

Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)

Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)

Senador da República Ivo Cassol

Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Senadora da República Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)

Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

Senador da República José Serra (PSDB-SP)

Senador da República Eduardo Braga (PMDB-AM)

Senador Omar Aziz (PSD-AM)

Senador da República Valdir Raupp

Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)

Deputado Federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)

Deputado Federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA)

Deputado Federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)

Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)

Deputado Federal Felipe Maia (DEM-RN)

Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)

Deputado Federal Vicente "Vicentinho" Paulo da Silva (PT-SP)

Deputado Federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB-RS)

Deputado Federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

Deputado Federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

Deputado Federal João Paulo Papa (PSDB-SP)

Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)

Deputado Federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)

Deputado Federal Cacá Leão (PP-BA)

Deputado Federal Celso Russomano (PRB-SP)

Deputado Federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)

Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)

Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB-GO)

Deputado Federal Alfredo Nascimento (PR-AM)

Deputado Federal Zeca Dirceu (PT-SP)

Deputado Federal Betinho Gomes (PSDB-PE)

Deputado Federal Zeca do PT (PT-MS)

Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP)

Deputado Federal Júlio Lopes (PP-RJ)

Deputado Federal Fábio Faria (PSD-RN)

Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI)

Deputado Federal Beto Mansur (PRB-SP)

Deputado Federal Antônio Brito (PSD-BA)

Deputado Federal Décio Lima (PT-SC)

Deputado Federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho

Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)

Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

Valdemar da Costa Neto (PR)

Luís Alberto Maguito Vilela, ex-Senador da República e Prefeito Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014

Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig

Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)

Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)

Guido Mantega (ex-ministro)

César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado

Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro

José Dirceu

Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy

Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC

João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia

advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão

Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio

Eron Bezerra, marido da senadora Grazziotin

Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos – a38

Humberto Kasper

Marco Arildo Prates da Cunha

Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

José Feliciano

Os ministros de Temer que caíram