MUNDO

Por que a ofensiva de Trump contra a Síria foi aplaudida por grandes potências internacionais

Canadá, Itália, França, Alemanha e Inglaterra estão entre os que concordaram com o ataque que deixou 15 mortos.

07/04/2017 18:25 -03 | Atualizado 07/04/2017 20:06 -03
NICHOLAS KAMM via Getty Images

Canadá, Itália, França, Alemanha, Inglaterra...

Estes são alguns dos países que apoiaram a retaliação dos Estados Unidos ao governo do ditador Bashar al-Assad. O principal argumento deles, como bem definiu o governo italiano, é que há "um inaceitável senso de impunidade" com as "barbáries", nas palavras da primeira-ministra britânica Theresa May, patrocinadas pelo ditador.

O argumento italiano é endossado pelos governos da Alemanhã e França, as duas maiores potências da União Europeia. Para esses países, assim como para o Canadá, al-Asaad é culpado pelo aumento das tensões na Síria.

Deste ponto de vista, o fato de o governo norte-americano ter ordenado o lançamento de 59 mísseis Tomahawk (geralmente usados em ações de combate ao Estado Islâmico) contra a base militar de Shayart, supostamente usada pelo governo sírio para armazenar um arsenal químico, pode ser encarado como uma repreensão as atitudes do regime de al-Assad.

A ofensiva norte-americana foi uma reação ao ataque com o gás asfixiante sarin à cidade de Khan Sheikhun, na qual, segundo o governo sírio, os rebeldes estavam fabricando armas químicas. Cerca de 80 pessoas morreram, sendo quase 30 crianças. Uma jornalista do Guardian esteve no local logo após o bombardeio e não encontrou nenhuma evidência da produção de armas químicas.

Para o governo canadense, não dá para aceitar o uso contínuo de armas químicas por parte do regime de Assad. Em 2013, um ataque semelhante, também com o uso de gás sarin, deixou cerca de 1,4 mil mortos.

Neste cenário, há líderes, como o vice-premier turco, Numan Kurtulmus, que defendem que a ofensiva norte-americana continue até o regime cair.

Esta foi a primeira vez que o governo Trump foi amplamente aplaudido tanto por americanos quanto pela comunidade interncional. Em 2013, o então presidente Barack Obama tentou uma operação semelhante, mas não teve aval do Congresso. Desta vez, Trump ordenou aretaliação sem consultar os congressistas.

Moderação

Embora haja uma indignação de parte da comunidade internacional, a situação é delicada. Há riscos reais de que o ataque orquestrado por Trump alimente a violência local. O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, acrescenta que é preciso "moderação para evitar que qualquer ato possa piorar o sofrimento do povo sírio".

Entre as críticas, há os que argumentam que o governo norte-americano poderia ter adotado outras estratégias, inclusive abrindo as fronteiras para receber refugiados. Já são mais de 10 milhões de deslocados na área.

O republicano Ro Khanna foi um dos que questionou. "Nós ainda não aprendemos dos disastres no Iraque e na Líbia? Agora Síria? Toda vez que nós atacamos, desde 2001, o terrorismo se espalha", alertou no Twitter.

Histórico de mortes

Em 2011, na onda da Primavera Árabe, com rebeliões no norte da África e no Oriente Médio, parte da população da Síria saiu às ruas contra o regime autoritário. O regime de al-Asaad não caiu e já são quase seis milhões de mortes.

Até então, a batalha dos Estados Unidos era contra o Estado Islâmico, grupro extremista que nasceu de movimentos islâmicos radiais. Com o ataque ao exército sírio, a política internacional norte-americana sinaliza para uma mudança de rumo.

Leia mais:

- Governo de Bashar al-Saad critica ataque ordenado por Trump à Síria

- O relato da jornalista que visitou a cidade síria depois do ataque que deixou 80 mortos

Catástrofe humanitária na Síria