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O relato da jornalista que visitou a cidade síria depois do ataque que deixou 80 mortos

Karreem Shaheen rechaça justificativa de Bashar al Saad para ataque e mostra que não há evidência de produção de armas no local.

07/04/2017 11:10 -03 | Atualizado 07/04/2017 15:56 -03

Primeira jornalista a visitar a cidade de Khan Sheikhoun, no noroeste da Síria, Karreem Shaheen, egípcia que trabalha para o Guardian, não encontrou nenhuma evidência da fabricação de armas químicas no local.

A produção de armas por rebeldes foi justamente o argumento que o governo sírio usou para atacar a cidade na última terça-feira (4). A ação ordenada pelo presidente Bashar al Assad deixou pelo menos 80 mortos, incluindo quase 30 crianças.

A jornalista relatou no twitter como foi a visita:

No primeiro post, ela conta que no que a Rússia disse que era uma fábrica de armas, ela não encontrou nada além de grãos vazios, poeira e entulho.

(Este era uma armazém em Khan Sheikhoun que supostamente produzia armas químicas)

(Estes são os silos cerca de 59 metros do local do ataque químico)

(O ponto de impacto do míssel onde aconteceu o ataque)

(Entrada do hospital que foi bombardeado após o ataque químico)

(Não existe um número exato de mortes na cidade. Um médico disse que refugiados de Hama enterraram suas famílias em sua cidade natal)

Shaheen afirmou ainda que um rebelde disse que prefere Trump para a Síria porque ele é honesto e insano.

Na reportagem para o Guardian, na qual relata a visita, a jornalista descreve a cidade como um lugar fantasma, deserta e silenciosa.

Ela diz que não há nenhuma evidência de prédio sendo atingido nos últimos dias perto de onde as pessoas foram mortas pelo gás asfixiante sarin. Segundo ela, as casas pareciam intactas, não havia nenhuma área de contaminação perto de qualquer edifício.

O ataque químico ordenado por Bashar al Assad, com a justificativa da produção de armas, foi considerado "uma afronta à humanidade" por Donald Trump.

Na quinta-feira (6), o governo norte-americano retaliou o país com um bombardeio de mais de 50 mísseis em poucos minutos. Pelo menos 15 pessoas morrera.

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