MULHERES

11 livros para entender por que é importante ser feminista, segundo 9 ativistas

Prepare a sua estante. ✨

07/04/2017 14:54 -03 | Atualizado 11/04/2017 19:21 -03

"Penso como posso construir uma história que não termine assim", "Nenhuma mulher é uma ilha", "Não foi uma leitura fácil para mim, mas é um verdadeiro exercício de empatia", "Em 2015 tomei como meta ler livros de mulheres negras".

Entender feminismo. Ler mulheres. Sobre mulheres.

Perguntei a 9 feministas e ativistas quais foram os livros de suas vidas: Monique Evelle, Anna Haddad, Luíse Bello, Amara Moira, Nana Soares, Carol Patrocínio, Fernanda Kallianny Martins e Stephanie Ribeiro responderam.

As respostas se transformaram em uma lista inspiradora de 11 livros que formam um conjunto de leituras feministas - tanto de teoria quanto ficção - que colaboram para entender o mundo e os desafios para construir uma sociedade mais igualitária e livre para as mulheres.

Então prepare a mente e a prateleira. Aqui estão 11 livros para entender por que é importante ser feminista, segundo 9 ativistas:

1. Tornar-se Negro, Neusa Santos Souza

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Monique Evelle, ativista e criadora do projeto Desabafo Social:

"Eu gosto muito do livro "Tornar-se negro", de Neusa Santos Souza. Explico: o livro fala muito do mar de emoções das pessoas negras, principalmente aquelas que estão em ascensão. Mas o que isso tem relação com o feminismo? A autora, neusa Santos Souza, se matou. Suas obras e especificamente o livro que citei foi de grande contribuição para a literatura. Porém, ela foi invisibizada, silenciada e não suportou. As pessoas desconhecem a existência dessa mulher, não há muitos registros e eu olho pra Neusa hoje, e penso como posso construir uma história que não termine assim."

2. A Cor Púrpura, Alice Walker

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Anna Haddad, criadora da Comum, plataforma de desenvolvimento humano focada em mulheres:

"É uma narrativa sobre racismo, subserviência, machismo e violência extrema contra as mulheres negras, mas ainda assim uma história linda - na ingenuidade da Celie, na persistência, na coragem, na linguagem, nos diálogos. Ela cresce e desperta na nossa frente, e faz as revoluções que pode com o que tem. Recomendo demais o livro ao invés do filme (dirigido por Steven Spielberg e com a Whoopi Goldberg no papel principal)."

3. Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

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Luíse Bello, publicitária, feminista, colaboradora da ONG Think Olga, responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu:

"O livro acompanha o ponto de vista de uma adolescente nigeriana que está descobrindo a vida para além do que sempre aprendeu e a sua trajetória abre a janela para uma realidade difícil, mas que a leva a grandes aprendizados. Não foi uma leitura fácil para mim, mas é um verdadeiro exercício de empatia."

4. Teoria King Kong, Virginie Despentes

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Amara Moira, travesti, feminista, doutoranda pela Unicamp e autora do #ESeEuFossePuta:

"Dá pra se ter uma noção da importância dessa obra, p.ex., por quem a traduziu para o espanhol: Paul B. Preciado. No livro, a autora propõe um novo olhar sobre estupro, prostituição, usos políticos da masculinidade e da feminilidade, tudo duma forma bastante direta e compreensível, colocando em xeque as nossas certezas sobre esses assuntos todos."

5. Como ser Mulher, Caitlin Moran

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Nana Soares, jornalista e co-criadora do projeto 'Você não está sozinha' para o Metrô de SP:

"O livro da Caitlin abriu meu mundo porque tem uma linguagem muito fácil, didática e divertida. Como eu li muito jovem, foi um divisor de águas para entender feminismo e questões que sempre fizeram parte da minha vida. Os exemplos de cultura pop também ajudaram muito."

6. O Harém de Kadafi, Annick Cojean

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Nana Soares, jornalista e co-criadora do projeto 'Você não está sozinha' para o Metrô de SP:

Pouco tempo depois li "O Harém de Kadafi" e ele me marcou demais. Também por ser incrível, mas dessa vez um verdadeiro soco no estômago. É um livro incrível, e também didático que mostra o quanto ainda temos que avançar em termos de direitos das mulheres e como nós estamos vulneráveis no mundo. Recomendo muito!

7. A Arte de Pedir, Amanda Palmer

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Carol Patrocínio, jornalista e co-fundadora da Comum, comunidade de mulheres:

"Esse livro me mostrou muito como a gente coloca características ditas femininas para escanteio. A gente abre mão de criar laços, esconde nossa vulnerabilidade e nos tornamos ilhas. Nenhuma mulher é uma ilha. Nós somos arquipélagos que precisam de cada ilha para conseguir sobreviver. Foi ali, lendo Amanda Palmer contar como confia nas pessoas e como isso tem dado bons frutos, que entendi minha linha de militância – e até escrevi sobre isso em uma das minhas newsletters. Eu escolhi conscimentemente o que já tinha escolhido sem me dar conta: lutar com amor, criando laços e dando oportunidades pras pessoas transformarem seus entornos."

8. Gênero, Violência e Patriarcado, Heleieth Saffioti

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Fernanda Kallianny Martins, feminista e membro do coletivo Capitolina:

"O primeiro livro feminista que eu li que me marcou foi Gênero, violência, patriarcado. Marcou porque foi a primeira vez que li sobre violência de gênero e as definições de violência feitas pela Safiotti, me fizeram reconhecer violências que eu havia vivido e não tinha ferramentas para nomear."

9. Adeus, Haiti, Edwidge Danticat

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Stephanie Ribeiro, arquiteta, ativista e feminista negra:

Em 2015 tomei como meta ler livros de mulheres negras. Um dos que li nessa época foi "Adeus, Haiti" da Edwidge Danticat. Ele se tornou o meu livro de cabeceira. Ao falar sobre exílio, familia e racismo, ela aborda tanto identidade racial quanto masculinidades.

10. Não sou eu uma mulher?, Sojourner Truth

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Fernanda Kallianny Martins, feminista e membro do coletivo Capitolina:

O discurso da abolicionista Sojourner Truth, "Não sou eu uma mulher?", foi a primeira leitura que fiz que me permitiu pensar as diferenças entre mulheres brancas e negras. Ainda que tenha sido proferido nos Estados Unidos, em 1851, é muito atual porque permite pensar a articulação entre gênero, raça e classe.

11. Eu sou Atlântica, Beatriz Nascimento

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Fernanda Kallianny Martins, feminista e membro do coletivo Capitolina:

Esse livro reúne os textos da Beatriz Nascimento e fala sobre sua história de vida. Ela foi uma pesquisadora, historiadora, ativista e poeta negra, nascida em Aracaju. Gosto especialmente de um artigo que tem no livro que fala sobre as mulheres negras e o amor.

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