POLÍTICA

7 provas de que a cassação da chapa Dilma-Temer é um enredo de novela mexicana

Julgamento da cassação da presidente que já sofreu impeachment começa terça (4). Estamos ansiosos pelo episódio final.

03/04/2017 06:31 -03 | Atualizado 03/04/2017 06:51 -03
José Cruz/Agência Brasil
Dilma Rousseff e seu então vice, Michel Temer, tomaram posse em 1º de janeiro de 2015.

O passo a passo do processo de cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer para as eleições de 2014 está digno de enredo de novela mexicana. É praticamente um ~Carlos que amava Dora que amava Lia~... só que um PSDB que não queria Dilma, mas se apaixonou por Temer.

Te mostramos o porquê:

1. Amigos e rivais

AFP/Getty Images

Em algum momento da trama, os três principais envolvidos na ação - PT, PMDB e PSDB - trocaram a senha de rivais para amigos. Nenhum tem interesse na agilidade do processo. O PT, por querer eleger Dilma em 2018 como representante do Rio Grande do Sul, o PMDB não quer abrir mão do governo e o PSDB hoje é aliado de Temer.

Apesar do interesse em comum, a trama não é uniforme. O PMDB, enquanto batalha para desvincular as contas da chapa, teve que adotar a mesma estratégia dos advogados de Dilma. O julgamento foi marcado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral e conselheiro de Temer, ministro Gilmar Mendes, para iniciar nesta terça-feira (4).

2. Cúmplices de um resgate

Getty Images

Autor da ação na Justiça Eleitoral, o PSDB inicialmente acusou toda a chapa de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2014 e denunciou que a campanha fora financiada com dinheiro desviado da Petrobras.

Para sustentar a tese, usou trecho da delação do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, no qual ele diz que havia recursos que também eram repassados para o PMDB.

Na semana passada, os tucanos, que ocupam cinco ministérios no governo Temer, mudaram de ideia e afirmaram que o atual presidente não cometeu nenhuma irregularidade.

"Ao cabo da instrução destes processos não se constatou em nenhum momento o envolvimento do segundo representado (Temer) em qualquer prática ilícita", diz alegação do PSDB ao TSE.

3. O Usurpador

Ueslei Marcelino / Reuters

Eleito na chapa junto com Dilma, Temer faz o possível para se divorciar das contas da petista. Para isso, recentemente, a defesa do peemedebista decidiu usar decisões antigas da Justiça Eleitoral nas quais o vice foi, de alguma forma, inocentado.

A defesa de Dilma, por outro lado, detalhou despesas de Temer pagas pela campanha da ex-presidente. Entre as contas, estão gastos com uma gráfica suspeita de ser de fachada e com o marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato.

4. O diário de Odebrecht

AFP/Getty Images

À força-tarefa da Operação Lava Jato, executivos ligados à Odebrecht relataram repasses para a campanha de 2014 da chapa Dilma-Temer. O herdeiro e ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, por exemplo, afirmou que cerca de 80% dos recursos destinados pela empresa para campanha foram via caixa dois. Disse ainda que parte do valor pago ao marqueteiro João Santana foi feito em espécie.

Os depoimentos chamaram atenção do relator do processo de cassação da chapa, ministro Herman Benjamin, e resultaram no convite de dez executivos para depor. Os testemunhos e documentos entregues pelos delatores estão entre as principais provas do caso. Também constam no parecer de Benjamin as delações de executivos da Andrade Gutierrez.

5. BJ, o feio

Corbis via Getty Images

O PSDB só não esperava se tornar alvo da ação que o próprio partido ajuizou. E foi justamente isso que ocorreu. Delatores ouvidos pela Justiça Eleitoral confirmaram que também financiaram irregularmente a campanha do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), à presidência em 2014.

Um dos depoimentos que mais pesou foi o do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedito Júnior, o BJ. Ele disse que a empreiteira doou R$ 9 milhões em caixa dois para campanhas do PSDB e que o pedido de ajuda teria sido feito pelo próprio Aécio.

A assessoria do tucano confirma que ele solicitou financiamento, mas afirma que o senador "jamais" pediu que fosse feito de maneira irregular.

6. Rebelde

Agência Brasil

O processo de cassação da chapa já tinha sido arquivado, mas por causa de um recurso do PSDB o TSE reabriu a ação. Nas mãos do ministro Herman Benjamin, a apuração do caso ganhou celeridade.

Diferentemente do esperado pelos parlamentares, o ministro não ficou em cima do muro. "Isso aqui não é um processo de impeachment do Congresso Nacional. O TSE não é um tribunal político, é um tribunal que decide sobre fatos, com base na lei e Constituição", disse em novembro passado.

O ministro pisou o acelerador e exigiu rapidez na marcação do julgamento para garantir que os atuais ministros da Corte façam parte do julgamento. Dois dos sete ministros estão com mandato perto do fim. São eles: Henrique Neves (16 de abril) e Luciana Lóssio (5 de maio).

7. E o tchã das novelas mexicanas: O desfecho inesperado

Cadu Gomes / Fotos Públicas

Ninguém sabe ainda como fica se a chapa realmente for cassada. Aliados de Temer acreditam na hipótese de eleições indiretas; já os petistas apostam nas eleições diretas. Em dezembro, ao HuffPost Brasil, o TSE chancelou a possibilidade de eleições diretas, o que faria que o brasileiros voltassem às urnas para escolher o próximo presidente.

Uma das apostas mais firmes é o parecer do Ministério Público Eleitoral. O texto - ainda em sigilo - é a favor da cassação da chapa com penas diferenciadas. Neste caso, Dilma ficaria inelegível e Temer, embora cassado, estaria habilitado a concorrer às eleições.

Além do cenário da cassação, o TSE pode condenar apenas um dos integrantes ou absolver os dois. Vale lembrar que são pelo menos três dias de julgamento e cabe recurso.

Aguardemos os episódios finais!

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