POLÍTICA

Odebrecht depositou propina para Aécio Neves em Nova York, revela Veja

Revista teve acesso à delação de ex-presidente de infraestrutura da Odebrecht

01/04/2017 15:57 -03 | Atualizado 01/04/2017 16:36 -03
AFP/Getty Images
Benedicto Junior foi um dos 78 executivos da empreiteira a firmar acordo de delação com a Justiça.

Depois de José Serra e Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves é o terceiro tucano a ser citado nas delações da Odebrecht. A revista Veja desta semana revelou que o presidente do PSDB recebeu propinas do ex-presidente de Infraestrutura da empreiteira, Benedicto Junior, por uma conta sediada em Nova York, operada pela irmã Andrea Neves.

Benedicto Junior foi um dos 78 executivos da empreiteira a firmar acordo de delação com a Justiça. Em seu depoimento, ele afirmou que fez depósitos em uma conta no exterior enquanto Aécio era governador de Minas Gerais. Os pagamentos eram referentes ao atendimento de interesses da construtora em empreendimentos do governo mineiro e à construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Os depósitos eram feitos em uma conta bancária em Nova York operada por Andrea, principal aliada do irmão. Na gestão do tucano, Andrea assumiu a área de comunicação do governo.

O senador já é um dos políticos mais citados nas denúncias da Odebrecht, assim como o político que recebeu uma das mais altas somas da empreiteira, totalizando cerca de R$ 70 milhões, considerando os pagamentos de 2003 até agora. De acordo com a revista, Aécio não declarou a quantia ao Tribunal Superior Eleitoral, ao qual o político afirmou ter recebido 15,9 milhões da Odebrecht em 2014.

Procurada pela Veja, Aécio afirmou ser a favor da liberação total do conteúdo das delações, pois, "com isso, os acusados poderão saber exatamente do que precisam se defender", disse em nota enviada pela assessoria de imprensa. Ele nega o envolvimento com o ex-executivo da Odebrecht: "jamais manteve com o delator qualquer abordagem ilícita".

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