ENTRETENIMENTO

A discussão sobre cotas raciais no 'Amor e Sexo' botou muita gente pra pensar

Programa abordou tema de forma didática com ajuda de especialistas e cotistas.

31/03/2017 16:07 -03 | Atualizado 31/03/2017 19:51 -03

Masculinidade, feminismo e diversidade de gênero foram temas discutidos nos últimos episódios desta temporada de Amor & Sexo que repercutiram nas redes sociais.

Nesta quinta-feira (30), o programa comandado por Fernanda Lima repetiu a façanha de promover reflexão para além da TV - desta vez focando no tema "cotas sociais e racismo".

Para falar sobre o assunto, a apresentadora levou para o palco da atração diferentes especialistas. Entre eles estava o sociólogo Luiz Augusto Campos, pesquisador do sistema de cotas. De forma bem didática, o pesquisador explicou a função das cotas dentro do cenário brasileiro marcado pelo racismo.

"A gente vive num país profundamente desigual e profundamente diverso. A maior parte da população, de um lado, é de classe baixa. E de outro lado, se declara preta ou parda, mas não se via representada na universidade desse modo. Então a cota serve, basicamente, para que essa universidade represente a sociedade onde ela está inserida."

Após sua primeira fala, Fernanda Lima perguntou a quem o sistema de cotas atende de fato. Campos respondeu:

"O principal sistema de cotas, que é regulado pela lei federal, atinge basicamente três grupos: estudantes de escola pública, que tiveram o ensino precário por culpa do Estado em grande medida; estudante de baixa renda e os estudantes que se declaram pretos, pardos ou indígenas."

"Como é que foi o desempenho dos cotistas nas universidades até aqui?", questionou a apresentadora na sequência. O especialista então respondeu:

"De modo geral, os cotistas têm tido um desempenho muito próximo dos não-cotistas. Tanto no sistema de seleção, no ENEM, no vestibular, quanto dentro da universidade. Tem um dado adicional já indicadas por algumas pesquisas que mostra que os cotistas evadem menos da universidade. Ou seja, eles tendem a permanecer mais na universidade do que os não-cotistas."

A fim de ampliar a discussão, a apresentadora conversou também com convidados cotistas que falaram sobre suas experiências acadêmicas.

Reprodução/Tv Globo
O professor doutor Wellington Oliveira dos Santos falou sobre sua experiência como cotista.

O professor doutor Wellington Oliveira dos Santos, que foi aluno da primeira turma de cotistas raciais da Universidade Federal do Paraná, falou sobre a importância do sistema para a população negra do País.

"As cotas representam uma mudança significativa na sociedade brasileira como a gente não tinha há muitos anos. Como parte das ações afirmativas que nós temos, a política de cotas garantem o ingresso de estudantes negros que serão produtores de conhecimento a partir do ponto de vista do negro brasileiro, que também leva esse conhecimento para a periferia."

Em seguida, ele expôs sua visão acerca da representatividade na qual o sistema de cotas está inserido - e sobre como ele pode ser uma ferramente para inspirar a formação de alto nível de indivíduos negros no Brasil.

"Eu também falo como professor negro. Ter um professor negro para você se espelhar em sala de aula, principalmente nas universidades onde há poucos, isso garante um processo sunjetivo de identificação. Você sabe onde quer chegar, você se imagina no lugar daquele que detém o conhecimento e você percebe o seu futuro como além daquele imediato. Você sonha a partir daí."

Você pode assistir à discussão completa que ocorreu no programa clicando aqui.

A recepção dos debate proposto foi positiva entre os espectadores no Twitter.

Classificaram a atração como o melhor programa da grade da Globo.

E também como "pura utilidade pública".

O debate deixou alguns realmente impressionados.

E colocou outros para refletir.

Para o Tiago Bispo, as discussões foram "saudáveis".

E a Amanda Telles pediu até um "abraço" do programa.

No entanto, essa recepção não foi unânime. Muitos espectadores no Twitter fizeram questão de se posicionar contra a defesa do sistema de cotas no Brasil.

Além das cotas raciais, o Amor & Sexo abordou também temas como educação sexual, gravidez precoce e aborto, além da ocupação das escolas como manifestação contra a reforma do ensino médio.
O programa completo está disponível no site Gshow.

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