LGBT

Greve de fome, ameaças e celas masculinas: Trans brasileira detida na Itália finalmente é liberada

Adriana vive há 17 anos no país e foi detida no centro de pessoas irregulares após perder o emprego.

25/03/2017 09:43 -03 | Atualizado 03/04/2017 11:26 -03
Andrejs Zemdega
A trans Adriana sofreu ameaças de homens na prisão.

A transexual brasileira identificada como Adriana será liberada do Centro de Identificação e Expulsão (CIE) da cidade italiana de Brindisi nos próximos dias graças à decisão de um tribunal de Nápoles.

À ANSA, Cathy Latorre, advogada do Movimento de Identidade Transexual (MIT) da Itália que assumiu o caso de Adriana, disse que o tribunal de Nápoles concedeu à brasileira uma permissão de estadia no país de seis meses, tempo no qual a mulher deverá ser ouvida pela Comissão Ministerial Territorial, que analisará o seu pedido de proteção humanitária.

"Eles liberaram ADRIANA. Mulher trans por dois meses presa no CIE de Brindisi. Os juízes concederam uma autorização temporária enquanto se aguarda a aprovação de proteção humanitária. Chorei de alegria quando Adriana me ligou para me dizer sobre a liberação. Eu prometo que a partir de sua história vai nascer uma batalha sobre a detenção de pessoas em transição e o respeito pela sua segurança e sua identidade de gênero", escreu a advogada em sua página no Facebook.

A prisão da brasileira tem causado muita indignação e polêmica. Adriana foi levada ao CIE, espaço de detenção de pessoas irregulares no país, em 21 de fevereiro, onde está até o momento. Ela mora na região da Púglia há 17 anos, no entanto, há três anos perdeu seu trabalho, e com ele a permissão de estadia do território italiano. Por isso, Adriana foi transferida ao centro e teve que dividir a cela com vários homens, sofrendo ameaças de morte e violência diárias. Em nenhum momento ela teve o seu gênero reconhecido e respeitado.

Adriana chegou a fazer uma greve de fome para denunciar a situação, de acordo com informações da agência EFE. Durante uma semana, a trans tentou chamar atenção e procurou o MIT para que a ajudassem com seu "pedido de ser presa junto às mulheres, protegida de discriminações e violências".

O ex-presidente da região da Apúlia, Nichi Vendola, fez coro às reivindicações: "Quais são os direitos de uma transexual quando está presa, quanto vale sua vida, quanto pesa sua história, quanto vale sua dignidade?"

Atualmente ela está sozinha em uma cela de alta segurança no centro de detenção, que não conta com uma ala feminina. De acordo com Latorre, a decisão da libertação da brasileira pelo tribunal foi muito influenciada pela "atenção da opinião pública solicitada pelas condições desumanas da detenção de Adriana".

Muitos travestis e transexuais brasileiros decidem se mudar para a Itália na esperança de recomeçar a vida em um país com menos preconceito e violência. No entanto, é comum que a imprensa italiana divulgue matérias que mostram que a recepção desses homens e mulheres nem sempre é das melhores. O país conta com vários casos de pessoas trans brasileiras que sofrem muito preconceito e chegam às vezes até a serem assassinadas.

Além de Adriana, um dos casos que mais gerou polêmica nos últimos meses foi o da jogadora de vôlei transexual Tiffany Abreu, de 32 anos, que atua como oposta em um time feminino na Itália e que reabriu a discussão sobre pessoas trans e esporte no país

(Com informações da Agência ANSA)

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