POLÍTICA

FHC critica mote de Doria: 'Gestor não inspira nada, tem que ser líder'

"O momento é para o não político, mas é político. O que é político com P maiúsculo? Alguém que inspira, que pode conduzir".

24/03/2017 15:59 -03 | Atualizado 24/03/2017 16:50 -03
Divulgação/Reuters
Ao jornal, o ex-presidente diz acreditar que Doria não vai ser o nome do PSDB para a disputa presidencial de 2018.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou os políticos que se colocam como não políticos. FHC disse que ser gestor "não inspira nada", em referência ao mote adotado pelo prefeito de São paulo, João Doria.

Cardoso se referiu a Doria quando foi questionado sobre os políticos que dizem não ser políticos. "Tem muitos aí e vão continuar fazendo isso. O momento é para o não político, mas é político. O que é político com P maiúsculo? Alguém que inspira, que pode conduzir", disse. E acrescentou:

Se você for um gestor, você não vai inspirar nada. Tem que ser líder, e líder é alguém que inspira o caminho, certo ou errado, aí cada um vai dizer. No caso, quem ganha eleição inspirou de alguma maneira. Vai inspirar o Brasil? Não é simples.

Ao jornal, o ex-presidente diz acreditar que Doria não vai ser o nome do PSDB para a disputa presidencial de 2018.

"O Doria apoia o Geraldo [Alckmin]. Ele [Doria] disse a mim recentemente e eu acho que é verdade. (...) Agora, será o Geraldo? Não sei", disse, acrescentando que Alckmin seria o candidato do PSDB melhor posicionado por ser governador de São Paulo. "Ele tem uma força grande, ele tem mais estrutura na mão. Agora, isso é decisivo? Não. Depende do clima, do que vai acontecer. No fim, o PSDB, como sempre fez, pode ter três ou quatro candidatos e vai afunilar."

Os boatos de que João Doria poderia ser o principal nome da legenda para disputar a Presidência em 2018 ganharam força desde que Alckmin foi citado nas delações de ex-executivos da Odebrecht sobre repasses que a empreiteira teria feito para as campanhas dele ao governo de São Paulo em 2010 e em 2014.

De acordo com O Globo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao STF (Superior Tribunal de Justiça) pedidos de abertura de inquérito contra o tucano e mais nove governantes.

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