MULHERES

O mandato de Manuela D'Ávila e a resistência da mulher na política

'Decidimos ficar. Eu e Laura. Para mostrar que lugar de mulher é em todo lugar.'

23/03/2017 11:48 -03 | Atualizado 23/03/2017 13:50 -03
Reprodução/Facebook
Manuela D'Ávila é deputada e mãe da pequena Laura.

Manuela D'Ávila ingressou cedo na política. Aos 23 anos, a deputada do PCdoB do Rio Grande do Sul iniciou o seu primeiro mandato. Hoje, aos 35, ela é mãe da pequena Laura e uma das poucas mulheres a ocupar cargos eletivos no Brasil. Atualmente, a Câmara é composta por 513 integrantes e desses, apenas 55 são mulheres.

Em texto publicado no blog #AgoraéqueSãoElas, da Folha, a deputada explica que tornar-se mãe foi uma opção, pois acredita que nem toda mulher deve enxergar a maternidade como obrigatória. Desde então, ela acredita que o seu mandato é uma forma de "resistência".

Quando sua filha nasceu, ela decidiu junto ao seu companheiro que a pequena ficaria sob os cuidados exclusivos dos pais - ou seja, sem frequentar creches ou ter ajuda de profissionais, como babás - por, pelo menos, os três primeiros anos de vida. Ainda, Laura seria amamentada pelo leite materno seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sendo ela deputada, isso significou ter a presença de Laura em reuniões, assembléias e eventos. Ou seja, ocupando o espaço público.

Ao refletir sobre situações vividas por ela, Manuela D'Ávila argumenta que a rotina do plenário simplesmente não é pensada para que exista a participação de mulheres, muito menos mães.

"[...] Percebi que há doze anos eu era submetida a processos de votação noturnos – e que iso era sexismo. Meus colegas, homens, não têm majoritariamente, nenhuma responsabilidade no ambiente privado, familiar, doméstico. A rotina no plenário dos parlamentos não acompanha a rotina de horários da família, pois aos homens não cabem responsabilidades corriqueiras como buscar os filhos na escola, por exemplo."

Em outro texto, a deputada destaca o fato de mulheres ocupando o espaço público ainda incomoda muita gente.

"À maternidade, tão "endeusada" pela sociedade, é reservado o espaço privado. A casa, a sala de amamentação. Percebi que o espaço público, sobretudo os espaços de poder, não tem espaço para nós. Por isso mesmo decidimos ficar. Eu e Laura. Para mostrar que lugar de mulher é em todo lugar. E qualquer lugar pode ser de qualquer mulher. Inclusive, das que decidem ser mães."

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho