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As novas regras da Lei Roaunet têm incentivos regionais e ingressos de até R$ 150

"Essa é a resposta que a sociedade brasileira exige para dizer que a Lei Rouanet deve continuar”, diz ministro da Cultura.

21/03/2017 15:28 -03 | Atualizado 21/03/2017 15:35 -03
Montagem / Facebook
Os cantores Claudia Leitte e Luan Santana foram alguns dos beneficiados pela Lei Roaunet

Após denúncias e investigação de fraudes em projetos aprovados pela Lei Rouanet (Lei 8.313/91), o Ministério da Cultura (MinC) anunciou nesta terça-feira (21) uma série de mudanças na legislação, reunidas em uma nova instrução normativa (1/2017).

Além de impactar empresas, artistas e produtores culturais pela definição de limites de incentivo e prestação de contas em tempo real, as alterações também chegam ao público. O limite médio dos produtos culturais, sejam ingressos, catálogos ou livros, passa a ser de R$ 150.

"Isto vai ajudar a democratizar", diz o ministro da Cultura, Roberto Freire. Antes, projetos não tinham limite de lucro e poderiam cobrar o preço que desejassem por ingressos e outros produtos. Agora, a média do que é cobrado do público por produto não poderá ultrapassar R$ 150.

Segundo o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Martins, o limite foi estabelecido após a constatação de receita exagerada de alguns projetos pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Outros benefícios já estabelecidos na lei estão mantidos, como a obrigatoriedade de 30% dos ingressos serem gratuitos e 20% custarem menos de R$ 50.

"Isso aumenta a possibilidade de acesso da população a esses itens e produtos culturais", diz.

Os limites dos cachê dos artistas, já presentes na instrução normativa anterior (1/2013) também são mantidos. Cada artista poderá receber no máximo R$ 30 mil. Nesta normativa, foram incluídos outros setores, como o da moda.

Sancionada em 1991, a Lei 8.313, conhecida como Lei Rouanet, instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), que estabelece as normativas de como o Governo Federal deve disponibilizar recursos para fomentar a cultura no Brasil.

Segundo a legislação, as empresas podem aplicar recursos em projetos culturais, a título de doação ou patrocínio, em troca de renúncia fiscal. Entre 1992 e 2017 foram captados, segundo o MinC, R$ 15,9 bilhões.

Limites dos proponetes

Para distribuir a renúncia fiscal do governo, o MinC estabeleceu novos limites que variam de acordo com o proponete, ou seja, microempresários e pessoas físicas poderão propor até R$ 700 mil com até quatro projetos por ano.

Na outra ponta, sociedades limitadas e outras pessoas jurídicas poderão propor até R$ 40 milhões, com até dez projetos.

Cada projeto deverá custar até R$ 10 milhões e a receita bruta com produtos culturais não poderá ser meior do que o custo total do projeto aprovado pelo MinC. No máximo 20% poderá ser gasto com divulgação.

Além disso, o produto cultural, seja espetáculo, show, teatro, deverá custar no máximo o equivalente a R$ 250 por pessoa do público. Ou seja, um produto com o custo máximo de R$ 10 milhões deverá ter um público de 40 mil pessoas para que esteja dentro da legislação.

O objetivo é evitar que projetos muito onerosos atendam a um público restrito.

A pasta também institui incentivos regionais. Atualmente, menos de 10% dos projetos apoiados via incentivo fiscal estão nas regiões Norte (0,8%), Nordeste (5,5%) ou Centro-Oeste (2,6%). Os projetos nas três regiões terão limite maior de R$ 15 milhões, sendo que a divulgação poderá chegar a 30% desse valor. Não há, nessas regiões, limite de projetos por proponente.

Inclusive, quem propuser mais de quatro projetos poderá captar 50% a mais do que o limite estabelecido. A maior parte dos incentivos está no Sudeste (80%) e Sul (11%).

Prestação de contas

Pelas novas regras, quando um projeto é aprovado, uma conta no Banco do Brasil é aberta – antes, eram duas: uma para captação e outra para movimentação – e, por meio dela, será acompanhada a movimentação dos recrusos em tempo real.

Os dados serão disponibilizados no Portal da Tranparência. Não será mais necessário o envio de notas fiscais. O pagamento em cheque não será mais utilizado.

A prestação de contas foi um dos alvos de investigação de fraudes. Batizada de Boca Livre em referência à expressão utilizada para eventos em que se come e bebe às custas de outra pessoa, a operação da Polícia Federal foi deflagrada em outubro do ano passado e apurou denúncias envolvendo projetos aprovados pela Lei Rouanet.

Segundo a PF, o esquema envolvia o desvio de recursos por diversas fraudes como superfaturamento, apresentação de notas fiscais relativas a serviços e produtos fictícios, projetos duplicados e contrapartidas ilícitas realizadas às incentivadoras.

A fraude, segundo as investigações, resultou em desvios de R$ 180 milhões de recursos públicos.

A questão também está sendo investigada em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados.

Essa é a resposta que a sociedade brasileira exige para dizer que a Lei Rouanet deve continuar. Espero que a CPI indique aprimoramentos, mas não podíamos esperar que isso viesse a acontecer sem ter, de imediato, uma resposta que é a que o Brasil está exigindo.Ministro da Cultura, Roberto Freire

O ministro disse ainda que a pasta está aberta a novas mudanças.

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