MULHERES

Esta menina de 13 anos fez uma 'vaquinha' para que 800 pessoas assistissem 'Estrelas Além do Tempo'

E ela não vai parar por aí.

20/03/2017 12:59 BRT | Atualizado 20/03/2017 13:12 BRT

Latonja Richardson
Taylor Richardson has been working to uplift enlighten her community since she was just nine years old. 

Com apenas 13 anos de idade, Taylor Richardson, aspirante a astronauta e dedicada fã do filme Estrelas Além do Tempo, se destaca na causa filantrópica.

Em fevereiro, Richardson foi nomeada "Heroína do Mês" do site de captação de fundos GoFundMe, depois de arrecadar US$ 17 mil (cerca de R$ 53 mil) para que pessoas em todo os Estados Unidos pudessem assistir ao filme. Estrelas Além do Tempo conta a história de três matemáticas negras que desempenharam um papel fundamental para o envio do primeiro norte-americano ao espaço.

"Espero [que o filme] os inspire e que saibam que podem fazer qualquer coisa que quiserem", Richardson disse ao The Huffington Post.

Com isso, até o mês de fevereiro, Richardson e sua mãe haviam dado a oportunidade para que mais de 800 pessoas pudessem ver o filme de graça (com direito à pipoca) e que, algumas delas, recebessem o livro Hidden Figures (título original do filme em inglês), escrito por Margot Lee Shetterly e que inspirou Estrelas Além do Tempo. O filme recebeu três indicações ao Oscar, incluindo melhor roteiro adaptado.

Richardson disse que sua empolgação inicial com Estrelas Além do Tempo surgiu depois que teve a oportunidade de participar do evento "Exploração Espacial" na Casa Branca, em Washington, onde o filme foi exibido em dezembro do ano passado.

"Isso mostra que as mulheres e, especialmente, as mulheres afro-americanas, podem fazer qualquer coisa que um homem pode fazer e qualquer coisa que um homem branco pode fazer", comentou Richardson sobre o filme.

A adolescente disse que sua iniciativa de proporcionar sessões de cinema gratuitas tinha inicialmente como alvo jovens garotas, mas depois ela e a mãe decidiram expandir o tipo de público.

"Queríamos que outros grupos vissem não só o que três mulheres negras fizeram, mas também conhecessem [nossas] contribuições", disse a mãe de Richardson.

Embora as duas saibam que o filme não levará todas as pessoas a aspirar uma carreira no espaço, como aconteceu com Richardson, elas esperam que, por meio do livro Hidden Figures, as crianças possam pelo menos desenvolver um maior interesse pela alfabetização, algo que Richardson tem regularmente incentivado em sua comunidade.

Quando tinha 9 anos, Richardson disse que conheceu um garotinho no hospital que não tinha fácil acesso a livros. Depois do encontro, ela decidiu organizar feiras de livros em sua cidade em homenagem ao garoto e batizou a iniciativa de "Taylor Takes Flight With A Book" (Taylor Voa com um Livro).

Até o momento, Richardson coletou e doou mais de 5 mil livros em Jacksonville, na Flórida (Estados Unidos), e já leu histórias para mais de 300 crianças.

Latonja Richardson
Taylor Richardson reads to a group of children.

A adolescente também participou de uma campanha antibullying com os presidentes da YMCA da Flórida e com o grupo de escoteiras Girl Scouts of Gateway Council.

Mas a trajetória filantrópica de Richardson não é o que deixa sua mãe mais orgulhosa, e sim a resiliência da filha.

"Digo às pessoas o tempo todo: o que mais me dá orgulho sobre Taylor não é o que você escuta ou todas essas histórias de sucesso, e sim como ela lida com seus fracassos", disse a mãe da garota ao HuffPost.

Mas o espírito perseverante de Richardson — que sofreu bullying, repetiu a segunda série e já teve problemas com alfabetização — pode ser melhor capturado na forma pela qual ela superou seu diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

"Ela define assim o ADHD [sigla em inglês de TDAH]: Abundantly Different Happily Divine (Abundantemente Diferente Felizmente Divina). "Espero estar viva para vê-la ir a Marte".

Este texto foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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