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Efeito 'Operação Carne Fraca': Europa, Coreia do Sul e China barram importação de carne brasileira

Os anúncios vieram depois do escândalo da Operação Carne Fraca da PF

20/03/2017 11:05 -03 | Atualizado 20/03/2017 12:18 -03
Paulo Whitaker / Reuters
A China também afirmou ter suspendido a importação de carnes brasileiras como "medida de precaução"

A União Europeia, Coreia do Sul e China anunciaram nesta segunda-feira (20) que suspenderam temporariamente a importação de carne brasileira. A decisão é um efeito dos problemas descobertos em frigoríficos no País na última sexta-feira (17) pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

Em coletiva de imprensa, o porta-voz da Comissão Europeia, Enrico Brivio, afirmou que a Comissão garantirá que "quaisquer dos estabelecimentos implicados na fraude sejam suspensos de exportar para a UE". Brivio não citou as empresas que serão suspensas.

A Coreia do Sul também informou hoje que vai intensificar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil e vai banir temporariamente as vendas de produtos da BRF. De acordo com a agência Reuters, o Ministério da Agricultura sul-coreano comunicou que fornecedores brasileiros de carne de frango terão de enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiros.

A China também afirmou ter suspendido a importação de carnes brasileiras como "medida de precaução".

Os anúncios vieram depois do escândalo da Operação Carne Fraca da PF que deflagrou carnes em péssimo estado sendo vendidas em frigoríficos do País. Executivos do frigorífico JBS e da empresa BRF Brasil foram detidos e a Justiça mandou bloquear até R$ 1 bilhão dos investigados.

De acordo com as investigações, foram encontradas diversas irregularidades em frigoríficos, como reembalagem de produtos vencidos, inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas, venda de carne imprópria para o consumo humano e assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do MAPA sem checagem.

Também foi constatado o uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor.

Preocupação de Temer

Na noite de domingo (19), o presidente Michel Temer se reuniu com 40 representantes de países importadores de carne brasileira para tentar acalmar os ânimos em meio ao escândalo.

"Quero fazer um comunicado de que decidimos acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal. Na verdade, são 21 unidades, no total, três dessas unidades foram suspensas e todas as 21 serão colocada sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força tarefa do Ministério da Agricultura", anunciou Temer.

Na opinião do presidente, as empresas flagradas no esquema de "maquiagem" de carne estragada é um "mínimo" diante do total de plantas frigoríficas do país. "É importante sublinhar que dos 11 mil funcionário do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades", disse.

Ao final da reunião, o presidente convidou os embaixadores para um jantar em uma churrascaria. "Queremos convidar a todos para, quando saímos daqui, quem puder aceitar, vamos todos a uma churrascaria para comer a carne brasileira."

Carne importada

Um áudio divulgado pelo Estadão na manhã desta segunda revelou que a churrascaria Steak Bull, lugar escolhido por Temer para mostrar a confiança da carne brasileira, não serve carne bovina daqui. "Só trabalha com corte europeu, australiano e uruguaio", garantiu um dos gerentes da churrascaria em um áudio gravado pelo jornal.

Temer e embaixadores na churrascaria