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Aqui está a receita de bolo para conseguir uma bolsa de estudos na Nova Zelândia

O país da Oceania, que se destaca em quase todos os rankings de educação e qualidade de vida, está de olho nos estudantes da América do Sul.

17/03/2017 17:37 -03 | Atualizado 24/03/2017 09:02 -03
4FR via Getty Images
A agência de educação da Nova Zelândia (que concentra a oferta de bolsas e benefícios) criou um programa de bolsas de estudo apenas para países em desenvolvimento.

Com universidades de ponta e qualidade de vida invejável, a Nova Zelândia tem atraído cada vez mais estudantes de todo o mundo, inclusive do Brasil. O país insular da Oceania, que tem uma população de apenas 4,5 milhões de pessoas, se destaca em praticamente todos os rankings de educação e qualidade de vida – e agora está de olho no mercado sul-americano.

Todas as universidades da ilha foram citadas entre as 500 melhores instituições de ensino superior no mundo, de acordo com a última edição do QS World University Rankings 2016. As melhores colocadas são University of Auckland (81º) e University of Otago (169º).

Por representar a 4ª maior fonte de receita do país – atrás de Turismo (1º), Agronegócio (2º) e silvicultura (3º), a educação internacional é prioridade para o governo neozelandês. Hoje, os internacionais representam 16% do total de estudantes do país e a maioria vem da China, Japão e Índia. Mas parece que as coisas começaram a mudar.

"Queremos aumentar o número de estudantes sul-americanos", disse Margaret Leninston, chefe do departamento de programas de bolsas de estudos da Auckland University of Technology (AUT).

Para atraí-los, a agência de educação da Nova Zelândia (que concentra a oferta de bolsas e benefícios) criou um programa de bolsas de estudo apenas para países em desenvolvimento, o que inclui o Brasil. No programa, são oferecidas bolsas para cursos com certificado de pós-graduação (seis meses), diploma de pós-graduação (um ano), mestrado (de um a dois anos) e doutorado (três a quatro anos).

As bolsas cobrem taxas de matrícula e mensalidades, uma bolsa-auxílio de NZ$ 480 por semana para gastos com alimentação e moradia, NZ$ 3.000 para gastos como livros, materiais e outras despesas. Elas ainda pagam seguro-viagem, o valor das passagens de ida e volta (o que podem custar cerca de R$ 5 mil) e dão assistência para os alunos internacionais. As inscrições vão até 30 de março e podem ser feitas por este link.

Como conseguir uma bolsa?

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Todas as universidades da ilha foram citadas entre as 500 melhores instituições de ensino superior no mundo

O primeiro passo é procurar o curso que você quer fazer e se ele está entre os "setores prioritários" – campos de estudo que têm prioridade e, portanto, você tem mais chance de ser selecionado. São eles: Desenvolvimento de Agricultura, que abrange cursos de Economia da Agricultura, Logística, Agronegócio, Agronegócio Internacional, Bio-segurança, Segurança alimentar, Ciência Alimentar, entre outros, e cursos relacionados à Energia Sustentável.

Você pode, porém, se candidatar para cursos de outras áreas. Todas as universidades do país oferecem diversas bolsas para diferentes áreas. A Auckland University of Technology, por exemplo, está com duas bolsas para um Mestrado de Direitos Humanos. Para ver todas as universidades participantes, clique aqui.

Após escolher o curso e a universidade, você precisa confirmar sua elegibilidade seguindo as etapas deste link. Você precisa ter entre 18 e 39 anos, ser brasileiro, residir no Brasil e não dupla cidadania de países europeus ou dos Estados Unidos. Também deve ter boas notas no curso anterior (por exemplo, se você se candidatar a um mestrado, precisará ter uma boa média somar todas as notas de sua grade curricular).

Além disso, o estudante precisa ter conhecimento da língua inglesa – já que todos os cursos serão ministrados em inglês. Para cursos de pós-graduação, mestrado ou doutorado você precisa ter tirado, ao menos, 6.0 no IELTS ou ter uma pontuação de 90 no TOEFL.

Após seguir todos estes passos, você receberá um login e senha, o qual usará para se candidatar às bolsas de estudo nas universidades.

Se você não prestou um teste de inglês, você pode tentar a um desconto na Massey University. A Universidade lançou um programa específico que oferece uma ajuda financeira para estudantes latino-americanos que queiram estudar cursos nas áreas de Design, Ciências Sociais ou Humanidades (como Comunicação e Artes).

Todos os estudantes que forem aceitos na universidade podem ganhar um desconto de 25% a 50% na mensalidade em um curso intensivo de inglês antes de começar as aulas. Se você não precisar do curso de inglês, você ganha um desconto de NZ$ 5.000 na mensalidade do curso de graduação, pós-graduação e mestrado.

Este foi o desconto que a brasileira Catharina Schultz ganhou ao cursar Desgin no começo deste ano. Ela viveu no Brasil até seus 12 anos e depois se mudou com a família para Singapura, onde aprendeu inglês fluente.

Como sua irmã morava em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, ela começou a pesquisar algum curso no país. Ela acabou escolhendo o campus da Massey em Wellington, capital da Nova Zelândia, depois de se apaixonar pela cidade. "Aqui é tudo muito bonito e perto. Dá pra fazer tudo a pé", disse a estudante de 18 anos. "Singapura é tudo muito caro. O que eu pagava no High School [Ensino Médio] eu pago hoje o meu curso."

Outra vantagem que Catharina viu na Nova Zelândia foi a possibilidade de trabalhar. "Acabei de chegar, mas já no segundo semestre vou procurar um emprego para ajudar a pagar as contas."

Estudar e trabalhar

David Schaffer
O primeiro passo é procurar o curso que você quer fazer e se ele está entre os "setores prioritários"

Com o visto de estudante, qualquer pessoa pode trabalhar por até 20 horas semanais. Com um salário mínimo de cerca de NZ$ 16,50 por hora, os estudantes internacionais dizem que o dinheiro não cobre todos os custos dos cursos e moradia, mas ajuda no dia a dia. "A gente consegue tirar uma média de 300 dólares cada um por semana", conta Géssica Bazaglia, que está há três semanas em Christchurch com o namorado João Vitor Fantini, ambos brasileiros.

Já na primeira semana, o casal assinou um contrato com uma agência de empregos casuais (os famosos "bicos" por aqui) e começou a trabalhar. "Quase todo o dia chamam a gente para trabalhar em eventos, restaurantes, em shows... Cada dia alguma coisa diferente", explicou Géssica. Eles vieram para a Nova Zelândia para estudar por seis meses, mas eles não pretendem voltar tão cedo para o Brasil. "Depois a gente pensa em fazer uma pós-graduação, um mestrado, para continuar por aqui. A gente quer morar aqui", acrescentou João.

Segundo o casal, apesar de o aluguel ser semanal e, por conta disso, ser mais caro, eles acreditam que a vida em Christchurch, cidade localizada na ilha Sul da Nova Zelândia, é mais barata do que em São Paulo. "Aqui não pagamos água, por exemplo, e podemos fazer tudo de bicicleta, o que economizamos no transporte", disse João.

Outro ponto positivo é a segurança e qualidade de vida. A Nova Zelândia é o quarto país mais seguro do mundo, de acordo com o Global Peace Index 2016, atrás apenas da Islândia (1º), Dinamarca (2º) e Áustria (3º). No mesmo ranking, o Brasil aparece na 105ª posição entre 162 países pesquisados.

A Nova Zelândia também é um dos países com a população mais satisfeita do mundo, de acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Segundo o estudo Better Life Index da organização, quando questionados sobre a sua satisfação em geral com a vida, numa escala de 0 a 10, os neozelandeses – que fazem questão de ser chamados carinhosamente de 'kiwis' – consideram que estão em um nível de 7,4, acima da média da OCDE de 6,5.

"O que mais me chamou atenção ao chegar aqui foi a segurança", afirmou Rodrigo Oliveira, que acabou de se graduar em Tecnologia da Informação na Weltec (Wellington Institute of Technology) e está tentando agora o visto de residência. Há três anos em Wellington, Rodrigo disse que a qualidade de vida é bem diferente da que tinha no Rio de Janeiro, onde morou por toda a vida.

"Uma manhã eu esqueci de colocar cadeado na minha bicicleta e só lembrei quando já estava no ônibus e não podia mais voltar. Eu achei que já tinha perdido, mas quando voltei à noite, ela estava lá paradinha. Não mexeram nem no capacete. Aqui não precisamos nos preocupar com essas coisas", disse o carioca.

Uma vez um amigo meu daqui me disse para evitar passar por uma rua porque um homem havia sido assassinado. Eu me espantei e perguntei quando isso tinha acontecido. Ele me disse que foi há seis meses atrás. Eu quis dar risada, né?

Atenção às feiras

Tom Merton
Representantes das instituições de ensino estarão disponíveis para conversar com interessados e falar sobre oportunidades de bolsas de estudos.

Entre março e abril deste ano, vão rolar feiras da Nova Zelândia e Austrália em algumas cidades brasileiras. Representantes das instituições de ensino estarão disponíveis para conversar com interessados e falar sobre oportunidades de bolsas de estudos.

Em março, a Expo Educação Austrália e Nova Zelândia vai passar por Porto Alegre (23), Curitiba (25), São Paulo (26) e Belo Horizonte (28).

Já no dia 8 de abril deste ano, a Education New Zealand, agência do governo, vai realizar uma feira em São Paulo com representantes das instituições de ensino do país. A Expo Estude na Nova Zelândia é destinada para brasileiros que queiram aprender inglês, fazer uma graduação ou pós-graduação. Para saber sobre a feira, clique aqui.

*A jornalista viajou para a Nova Zelândia a convite da Education New Zealand e da Air New Zealand.

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