ENTRETENIMENTO

'Cabra Marcado Para Morrer' é eleito o melhor documentário brasileiro de todos os tempos

Eduardo Coutinho aparece no top 5 da lista com três produções.

16/03/2017 15:16 -03 | Atualizado 16/03/2017 18:22 -03
Montagem/Divulgação/YouTube
Documentário retrata história do líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962.

Uma votação realizada por críticos associados e convidados da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) elegeu Cabra Marcado Para Morrer (1984) o melhor documentário do cinema brasileiro de todos os tempos.

O filme retrata a história do líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste em 1962. As filmagens foram interrompidas pelo golpe militar de 1964 e retomada dezessete anos depois, quando o diretor reencontrou a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos.

Para Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine, a escolha do filme de Eduardo Coutinho (1933-2014) não é uma surpresa.

"O que chama a atenção é essa forte presença de Coutinho, tão significativa que hoje podemos afirmar, sem receio, que sua obra paira muito acima do restante da produção nacional", analisa.

A votação aponta o diretor como o mais importante realizador do gênero no país, já que aparece mais duas vezes entre as 5 produções mais votadas: Jogo de Cena (2007) em segundo lugar, e Edifício Master (2002) na quarta posição (veja trechos abaixo).

Completa o topo da lista: Santiago (2007), de João Moreira Salles, em terceiro lugar, e Serras da Desordem (2006), de Andrea Tonacci, em quinto.

A lista será transformada no livro Documentário Brasileiro 100 Filmes Essenciais, cujo lançamento está previsto para o segundo semestre de 2017, numa parceria entre Abraccine e Grupo Editorial Letramento. A edição também reunirá ensaios sobre os filmes eleitos.

No levantamento foram citados 649 documentários nacionais. E Eduardo Coutinho aparece com mais 6 trabalhos entre os 100 melhores filmes.

A produção mais antiga presente na lista é São Paulo, Sinfonia da Metrópole (1929), de Adalberto Kemeny e Rudolf Rex Lustig, que ficou na 28º posição. Entre os mais recentes estão Martírio (2016), de Vicent Carelli, na 23º posição e Cinema Novo (2016), de Eryk Rocha, que ficou na 34ª posição.

Vale lembrar que o docmentário de Rocha, que aborda um dos mais importantes movimento do cinema brasileiro, foi o grande vencedor do prêmio Olho de Ouro do Festival de Cannes 2016.

"O grande número de documentários realizados nos últimos 20 anos é significativo da força que o gênero conquistou, não só pela facilidade dos meios de produção, mas também como fruto do interesse do brasileiro por sua cultura", afirma Paulo Henrique.

A lista com os 100 melhores documentários do cinema brasileiro está disponível no site da Abraccine.

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