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'Não vi nenhuma manifestação que tivesse um relevante apoio popular', diz relator da reforma da Previdência

Protestos contra mudanças nas regras de aposentadoria levaram milhares às ruas nesta quarta-feira.

15/03/2017 20:31 BRT | Atualizado 16/03/2017 10:59 BRT
Montagem / Agência Brasil / Instituto Lula
Deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma da Previdência e manifestação contra mudanças nas regras de aposentadoria na Avenida Paulista

Relator da Proposta de Emenda à Constituição 287/16, que muda as regras de aposentadoria, o deputado Arthur Maia (PPS-BA), minimizou o impacto de manifestações em seu relatório.

A gente sabe que quem fez essa manifestação, quem está patrocinando essa manifestação são setores que historicamente foram contra a reforma da Previdência. Portanto, do ponto de vista da cabeça do relator, isso não muda absolutamente nada.Arthur Maia

Apesar de defender o direito à manifestação, ele questionou a legitimidade dos atos desta quarta-feira (15). "Eu não vi nenhuma manifestação que tivesse um relevante apoio popular", afirmou nesta quarta-feira (15).

O deputado afirmou, por outro lado, que têm ouvido colegas e irá considerar em seu parecer as emendas apresentadas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu prorrogar até a próxima sexta-feira (17), o prazo para a apresentação de emendas à PEC.

Até o prazo anterior, terça-feira (14), foram apresentadas 146 emendas. A maior parte relacionada a pontos específicos como benefícios assistenciais, professores, trabalhadores rurais, policiais, servidores públicos e mulheres.

Pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) aponta que 54% dos brasileiros reprovam a reforma da previdência.

Protestos

Nesta quarta, milhares de pessoas foram às ruas contra a proposta do governo de Michel Temer em ao menos 23 capitais e no Distrito Federal. Os atos foram convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem sindicatos, entidades estudantis e outras organizações sociais.

Diversas categorias de trabalhadores paralisaram as atividades. Houve adesão de professores das redes públicas e privada, metroviários, eletricitários, trabalhadores da saúde, funcionários dos Correios, entre outros.

As quatro faixas da avenida Paulista foram ocupadas. A estimativa dos organizadores é que mais de 200 mil manifestantes tenham participado do ato. A polícia militar não informou o número.

No ato, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou que "está ficando cada vez mais claro que o golpe dado nesse país" foi para "acabar com as conquistas da classe trabalhadora ao longo de anos, com a reforma trabalhista e da Previdência". "Quem pensa que o povo está contente está errado", disse o petista.

Em Belo Horizonte, organizadores estimam que 150 mil participaram e a PM não informou.

No Rio, a concentração foi na Igreja da Candelária e, às 17h30, os manifestantes iniciaram caminhada até a Central do Brasil, pela Avenida Presidente Vargas, que teve todas as 16 faixas interditadas ao trânsito.

Segundo o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro, que representa os profissionais da rede particular, mais de 15 mil aderiram à paralisação.

A Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer do Rio de Janeiro confirmou que a paralisação ocorreu em 40 escolas, 10 creches e oito Espaços de Desenvolvimento Infantil, que atendem, juntos, a 16.354 alunos. Já a Secretaria de Estado de Educação informou que a rede estadual funcionou normalmente, com menos de 2% de adesão ao movimento

Em Brasília, o prédio do Ministério da Fazenda na Esplanada dos Ministérios foi invadido por integrantes da Via Campesina Brasil e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). De acordo com a entidade, 1.500 estavam presentes. O prédio foi depredado.

Protestos Dia do Trabalho pelo Brasil