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'As pessoas correm de mim. O Boa está abrindo as portas', diz goleiro Bruno

Solto em fevereiro, Bruno se diz feliz com oportunidade e afirma que mulher foi a maior incentivadora

14/03/2017 12:29 -03 | Atualizado 14/03/2017 16:06 -03
Reprodução/Facebook

Sem falar de Eliza Samúdio, do tempo em que ficou na prisão ou da perda de todos os patrocinadores do clube, o goleiro Bruno foi apresentado oficialmente na manhã desta terça-feira (14) como novo reforço do Boa Esporte Clube, de Varginha, em Minas Gerais.

Liberado da prisão desde fevereiro graças a um habeas corpus, o jogador assinou um contrato de dois anos com o time mineiro, o que acarretou em uma reação do público e dos patrocinadores. Ontem (13), o clube perdeu todos os patrocinadores.

Na coletiva desta manhã, Bruno fugiu de assuntos do passado e afirmou estar motivado com o recomeço. "Estou muito feliz, motivado. Deus está abrindo as portas para a gente. Tenho certeza que é Deus", disse o goleiro, de acordo com o site Estadão.

Ele também agradeceu o clube pela oportunidade. "As pessoas correm de mim pelo o que aconteceu no passado. O Boa está abrindo as portas", acrescentou.

Após ser questionado se ele se achava "digno de voltar a vestir a camisa de um clube", Bruno disse que não responderia a pergunta.

Mais tarde, ele revelou que sua esposa foi a pessoa que mais o incentivou sua voltar aos gramados. "Minha esposa foi quem mais me motivou, mais me incentivou e mais me colocou pra cima. Agradeçu a Deus pela oportunidade dada e à minha esposa por ter tanta paciência comigo", disse ao Globo Esporte.

Bruno voltou a ser questionado sobre a possibilidade de voltar à prisão, já que ainda não cumpriu a pena integral de 22 anos e 3 meses, sentenciada em 2013. "Ninguém fecha portas abertas por Deus", respondeu.

Depois da entrevista, Bruno foi para o CT do clube, onde fez exames médicos e começou o treinamento físico.

No último domingo (12), o clube fez uma postagem no Facebook dizendo que a contratação de Bruno faz parte da "obrigação social da empresa."

"Quem nunca ouviu: o trabalho dignifica o homem? Então o argumento seria asqueroso, nojento ou imoral (a contratação do atleta Bruno), antes de mais nada, legalmente, faz parte da obrigação social da empresa, da sociedade em cooperar com a recuperação de um ser humano", escreveu o time.

"Aqui não se condena a morte ou prisão perpetua. Enquanto isso não refletir a regra legal, a regra é que o egresso, o criminoso colocado em liberdade, possa obter meios de viver em sociedade, trabalhando e procurando dignidade em sua vida."

Com passagens pelo Flamengo e Atlético, o goleiro Bruno estava preso desde 2010, acusado pelo assassinato de sua ex-namorada, Eliza Samudio.

Em 2013, foi condenado a 22 anos pelo homicídio mas, como não teve seu recurso julgado desde então, conseguiu sua liberdade provisória no dia 24 de fevereiro deste ano, por decisão do ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.