POLÍTICA

Ré na Lava Jato e aliada de Cunha assume secretaria da Mulher no Rio

Solange Almeida é acusada de atuar em esquema em que o ex-presidente da Câmara teria recibido R$ 5 milhões em propina.

13/03/2017 16:44 -03 | Atualizado 13/03/2017 17:12 -03
Montagem / Agência Câmara / Agência Brasil

Ré na Operação Lava Jato, Solange Almeida (PMDB) foi nomeada nesta terça-feira titular da Secretaria de Apoio à Mulher e ao Idoso no estado do Rio de Janeiro pelo governador Fernando Pezão (PMDB).

Ex-deputada federal, Solange é acusada de ter atuado a mando do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso desde outubro de 2016.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados foi denunciado sob a acusação de receber US$ 5 milhões para viabilizar a contratação de dois navios-sonda para a Petrobras, cuja fornecedora era a Samsung Heavy Industries Co.

De acordo com o Ministério Público Federal, a empresa parou de pagar comissões ao operador Júlio Camargo ao final do contrato e, então, Solange fez requerimentos na Câmara Federal pedindo investigações sobre a empreiteira e sobre a Samsung.

A denúncia contra Cunha e Solange foi feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em agosto de 2015. Em março de 2016, o STF decidiu torná-los réus. Atualmente, o caso está no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

As acusações contra os dois são baseadas principalmente nas delações premiadas dos lobistas Julio Camargo e Fernando Baiano no âmbito da Lava Jato.

Solange foi prefeita de Rio Bonito (RJ) até o ano passado, mas decidiu não concorrer à reeleição. "A crise estava muito grande, imensa. A situação do país estava muito difícil. Seria muita responsabilidade de tocar o município sem saber se vai arrecadar", afirmou ao G1.

Ela disse ainda Pezão sabe de sua situação com a Justiça. "Acho muito desagradável [responder ao processo na Lava Jato], mas tenho certeza da minha lisura. Vou responder de cabeça erguida", afirmou.

Alvo de ação por improbidade pelo Ministério Público, o governador minimizou a denúncia contra a nova secretária. "Não [incomodam as acusações]. Também já passei por isso, estou passando. Tenho certeza que ela vai fazer um grande trabalho", afirmou ao G1.

Pezão chegou a ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas se mantém no cargo até o caso ser transitado em julgado.

Criada nesta segunda-feira, a pasta de Solange é a 19ª e absorveu a de Dependência Química, que foi extinta. Com o Rio em grave crise financeira, Pezão anunciou no final do ano passado que pretendia reduzir o seu secretariado de 26 para 12.

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