POLÍTICA

Os 9 pontos da entrevista de Bolsonaro à Folha

“Tenho bandeiras que um presidente pode levar avante e o povo está gostando”, afirmou o deputado.

13/03/2017 12:00 BRT | Atualizado 13/03/2017 12:44 BRT
Nilson Bastian / Câmara dos Deputados
Deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no plenário da Câmara dos Deputados

Militar da reserva, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), defendeu, em entrevista à Folha de São Paulo, o uso da violência para combater o crime e "métodos energéticos" para obter informações.

"Você não combate violência com amor, combate com porrada, pô. Se bandido tem pistola, [a gente] tem que ter fuzil", afirmou ao jornal em entrevista publicada nesta segunda-feira (13).

Nome crescente nas pesquisas de intenção à Presidência da República em 2018, Bolsonaro desta o apoio popular que recebe. "Quando vou para qualquer capital de Estado, tem no mínimo mil pessoas me esperando", afirmou.

Na sondagem da CNT/MDA divulgada em fevereiro, o deputado alcançou 6,5% das intenções de voto na pesquisa espontânea, atrás de Lula (16,6%), mas na frente de Aécio Neves (2,2%) e Marina Silva (1,8).

Em pesquisa do instituto Datafolha divulgada em dezembro, o parlamentar aparecia com 9% das intenções de voto, atrás de Lula (25%), Marina (15%) e Aécio (11%).

Confira os principais pontos da entrevista de Bolsonaro à Folha.

Candidatura

"Quando vou para qualquer capital de Estado, tem no mínimo mil pessoas me esperando. Tenho bandeiras que um presidente pode levar avante e o povo está gostando. Quem sou eu na política perto de Serra, Aécio, Alckmin, Marina, Ciro? Ninguém. Sou um deputado que vocês chamam de baixo clero. Só que não sou uma coisa antes das eleições e outra depois (...) Tenho simpatia enorme das Forças Armadas e auxiliares, do público evangélico."

Tortura

"Quando disse "isso que dá torturar e não matar", foi uma resposta para os vagabundos aqui que estavam se vitimizando que foram torturados pelos militares. Ninguém é favorável à tortura."

'Métodos energéticos'

"Tem de ter métodos enérgicos [para obter informação]. Eu proponho, o Congresso aprova. Ninguém é candidato para ser ditador (...) Qual o limite entre bater e tratar com energia? Não tem limite, pô. O cara senta ali, faz a pergunta, ele responde. Se não responde, bota na solitária. Fica uma semana, duas semanas, três meses, quatro meses... Problema dele."

Violência

"Você não combate violência com amor, combate com porrada, pô. Se bandido tem pistola, [a gente] tem que ter fuzil (...) Foram fazer um escracho na minha casa e ameaçaram entrar. Eu falei: "Se entrarem, não sairão". Agora o Ministério Público quer saber o que é "não sairão". É atirar neles. (...) Entra na minha casa, estupra minha mulher, fode a minha filha, e eu tenho que bater palmas para liberdade de expressão? Por isso que essa porra desse país está nessa merda aí. E por isso que o pessoal gosta de mim. Eu não estou maluco!"

Incitação ao estupro

"Não vou discutir. Não é a imprensa nem o Supremo que vão falar o que é limite pra mim. Vão catar coquinho, não vou arredar em nada, não me arrependo de nada que falei."

Previdência dos militares

"Se nos colocarem os mesmos direitos trabalhistas, vão ver as Forças Armadas em greve, é isso que vocês querem? Não estou pedindo hora extra, só reconhecimento. Na hora da dor de barriga, lembram-se da gente. É Olimpíada, Copa, o problema no Espírito Santo."

Governo Temer

"Está fazendo tudo para se manter vivo, só isso. Não vou ajudar a desestabilizar, mas não votar tudo o que ele quer. Meu voto não é comprado (...) Se eu chegar lá um dia, vou botar militares em metade dos ministérios, gente igual a mim. Ele está botando gente igual a ele. Quer que eu continue? Acho que não precisa."

Mulheres e gays no governo

"Eu não vou perguntar, não vou ter cota de lésbica (...) Vocês estão desgastando os valores familiares. Daqui a pouco vai virar uma anarquia esse Brasil aí."

Homofobia

"Se eu sou deputado e te canto agora, você vai se sentir bem? Não, né? Então, o trabalho nosso não tem nada a ver com opção sexual. Você começa a falar por aí "eu sou lésbica" para ver se uma mulher aí simpatiza contigo..."

Estupro e #ForaBolsonaro