MULHERES

Ele decidiu assinar e-mails com o nome de sua colega de trabalho e viu o pior lado do machismo

Martin e Nicole passaram duas semanas respondendo e-mails com os nomes trocados

13/03/2017 15:03 BRT | Atualizado 13/03/2017 16:52 BRT
Reprodução/Twitter

Martin Schneider sentiu na pele o pior do machismo. Por duas semanas, ele trocou a assinatura do e-mail com sua colega de trabalho, Nicole Hallberg, e teve o período mais improdutivo de sua carreira. Nicole, por outro lado, passou semanas de pura tranquilidade, sem ser questionada ou receber respostas grosseiras dos clientes.

Martin e Nicole trabalhavam em uma pequena agência de empregos. Apesar de terem de lidar com os mesmos clientes, Nicole demorava mais com as trocas de e-mail do que Martin - o que irritava o chefe.

Um dia, porém, Martin, que era supervisor de Nicole, começou a ter problemas com os clientes. De uma hora para outra, eles começaram a questionar todas as sugestões de Martin, eram grosseiros e irritantes.

Ele percebeu que, acidentalmente, estava assinando os e-mails como Nicole. Então, eles decidiram fazer um experimento de duas semanas com os e-mails trocados. "Eu estava no inferno", desabafou Martin.

A história foi contada no Twitter por Martin e viralizou em todo o mundo. Veja o relato:

"Aqui está uma pequena história de quando @nickynacks me ensinou como é impossível que mulheres profissionais recebem o respeito que merecem."

"Nicole e eu trabalhávamos em uma pequena agência de emprego e nosso chefe sempre vinha com a mesma queixa: ela demora tempo demais com cada cliente."

"Como seu supervisor, eu considerava um detalhe sem muita importância. Eu acreditava que eu fazia meu trabalho mais rápido que ela só porque eu tinha mais experiência."

"Mas, eu me preocupava em monitorar seu tempo e a pressionava por conta do que o nosso chefe dizia. Ambos odiavam isso e ela tentava de tudo para acelerar seu trabalho."

"Então, um dia eu estava trocando e-mail com um cliente sobre seu currículo e ele estava sendo IMPOSSÍVEL. Grosseiro, desrespeitoso, ignorava minhas questões."

"Eu estava cansado desta merda quando me dei conta de algo. Como eu e Nicole compartilhávamos a mesma caixa de e-mail, eu estava assinando todos os meus e-mails como 'Nicole'".

"MELHORA IMEDIATA. Feedback positivo, agradecimento por todas as minhas sugestões, me respondia prontamente com 'ótimas sugestões!' Se tornou um cliente modelo."

"Então eu perguntei pra Nicole se isso acontecia o tempo todo. Ela respondeu: 'Não TODO o tempo... Mas sim, muito."

Então Martin e Nicole tiveram a ideia de fazer um experimento: trabalhar por duas semanas de nomes trocados. "Eu mandava todos os e-mails para os clientes como Nicole e ela mandava com o meu nome. Amigos, foi horrível."

"Eu estava no inferno. Tudo o que eu perguntava ou sugeria eu era questionado. Clientes com os quais normalmente era fácil de lidar passaram a ser condescendentes. Um deles me perguntou se eu estava solteiro."

"Nicole teve a semana mais produtiva de sua carreira. Eu me dei conta, na verdade, ela levava tanto tempo com cada cliente porque estava tentando convencê-los que ela merecia ser respeitada."

"Eu não era melhor que ela naquele trabalho, eu apenas tinha uma vantagem invisível."

"Eu mostrei para o meu chefe e ele não acreditou. Eu decidi não levar adiante, mas disse a ele que nunca mais a pressionaria a ser mais rápida com os clientes."

"E a pior coisa: para mim, isso foi chocante. Ela estava acostumada com isso. Ela simplesmente entendia que fazia parte do trabalho."

Schneider diz que hoje eles não trabalham mais na empresa e que isso teria acontecido em 2014.

Nicole Hallberg publicou um texto Medium sobre o caso. "Eu tive uma das semanas mais fáceis da minha vida profissional. Ele... não. Mas eu soube bem antes deste experimento que minha vida naquela empresa seria sempre difícil. Eu soube disso no meu segundo dia."

"Ele [o chefe] nunca acreditou na gente. Na verdade, ele disse 'há milhares de razões pelas quais os clientes podem ter reagido diferente. Poderia ser a forma de trabalhar, a performance... Vocês não têm como saber'", relatou Nicole sobre ter confrontado o dono da empresa sobre o experimento junto de Martin. "Eu queria segurar seus braços e chacoalhar ele, gritar na cara dele até ele me ouvir, chorar de estresse e gritar para o céu até o mundo fazer sentido. Mas eu não fiz isso."

Mas eu sempre me perguntei: o que meu chefe ganhou se recusando a acreditar que o sexismo existe? Mesmo depois das evidências gritarem para ele, mesmo depois que seu próprio funcionário homem dizer isso a ele??

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