POLÍTICA

De volta à cena política, Dilma mira em 2018 com aposta na defesa de direitos sociais

“O presidente ilegítimo tem todo o direito (de tentar melhorar a popularidade), mas não pode ser em cima de obra alheia”, afirmou em evento em Genebra.

13/03/2017 20:21 -03 | Atualizado 13/03/2017 20:40 -03
FABRICE COFFRINI via Getty Images
Ex-presidente Dilma Rousseff no Festival Internacional de Filmes de Direitos Humanos, em Genebra.

De olho em uma vaga nas eleições de 2018, a ex-presidente Dilma Rousseff tem se dedicado a uma agenda no exterior de defesa de direitos humanos e denúncia contra o "golpe", após o impeachment consolidado em agosto.

Desde a última sexta-feira (10), a petista participa de uma série de eventos internacionais incluindo Genebra, na Suíça, que sedia o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, e Lisboa, em Portugal, onde será recebida pela Fundação Saramago.

Na sexta, Dilma encontrou o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, Olav Fykse Tveit, para discutir ações para impedir o avanço da agenda neoliberal e a redução de direitos sociais.

Ela também se reuniu com a ex-presidenta da Suíça, Ruth Dreifuss e com Guy Rider, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

No sábado (11), participou da conferência no Fórum Direitos Humanos, evento paralelo ao 15º Festival Internacional de Filmes de Direitos Humanos, em Genebra.

Em seu discurso, ela citou programas sociais desenvolvidos pelo PT, com o Bolsa Família e o Luz para Todos e afirmou que tais políticas estão em risco no governo de Michel Temer.

A ex-presidente também disse ser vítima de uma conspiração política e criticou a apropriação da transposição do Rio São Francisco pelo peemedebista. A obra no treixo leste foi inaugurada na sexta-feira.

O presidente ilegítimo quer ter algum nível de interlocução [com a população]. Ele tem todo o direito [de tentar melhorar a popularidade], mas não pode ser em cima de obra alheia.Dilma Rousseff

A petista também participou de reuniões com parlamentares suíços e relatores de direitos humanos e de uma palestra no Graduate Institute of Geneva, um centro de estudos de Relações Internacionais, para falar sobre o futuro da luta contra o neoliberalismo.

Em entrevista à televisão pública da Suíça, Dilma disse que continuará fazendo política para assegurar que o Brasil tenha "um encontro correto com a democracia" e que Luiz Inácio Lula da Silva possa concorrer ao Palácio do Planalto em 2018. O petista é réu em cinco ações judiciais.

Pesquisa CNT/MDA divulgada em 15 de fevereiro mostra avanço nas intenções de voto no ex-presidente em 2018. Ele lidera em todos os cenários, na intenção espontânea, na estimulada para primeiro turno e nas projeções de segundo turno.

Na espontânea, o petista atingiu 16,6%, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 6,5% e pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), com 2,2%.

Ainda nesta semana, a petista será recebida pela Fundação Saramago, Casa do Brasil em Lisboa e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. No dia 15, Dilma fará uma conferência sobre "Neoliberalismo, desigualdade, democracia sob ataque", no Teatro da Trindade, na capital portuguesa.

Em janeiro, a ex-presidente também se encontrou com lideranças na Europa, incluindo o secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, em Madri. Em fevereiro, ela participou de evento do PT em Brasília com deputadas, senadoras, prefeitas e vereadoras do partido. No evento, ela criticou as reformas trabalhista e da Previdência, principais bandeiras do governo Temer.

Senadora

Nos bastidores, petistas sustentam que a hipótese de que Dilma concorra a uma vaga no Senado é a mais provável. No próximo pleito, haverá duas vagas para o Rio Grande do Sul abertas.

Em entrevista à agência de notícias AFP, em fevereiro, a ex-presidente afirmou que não quer ficar longe da atividade política. "Eu não afasto a possibilidade de me candidatar para esse tipo de cargo: senadora, deputada, esses cargos", afirmou.

Em Genebra, contudo, Dilma desconversou sobre o futuro nas urnas. "Até os 60 anos, fazia política sem ter cargo eletivo. Posso perfeitamente continuar fazendo política sem ter um cargo. Não fui para prisão por ser parlamentar. Fui por ser militante", afirmou.

Apesar de sofrer impeachment, a ex-presidente foi beneficiada por um acordo entre lideranças e não perdeu os direitos políticos por oito anos.

Impeachment de Dilma Rousseff