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Boa Esporte Clube diz que contratação de goleiro Bruno 'faz parte da obrigação social da empresa'

Em nota, presidente do clube defendeu a contratação do goleiro, que está solto desde de fevereiro

13/03/2017 10:15 -03 | Atualizado 13/03/2017 10:58 -03
Reprodução/Twitter

Após ser criticado por torcedores, internautas e perder o patrocínio, o Boa Esporte Clube, time de Varginha, em Minas Gerais, divulgou uma nota no último domingo (12) explicando a contratação do goleiro Bruno, que foi solto em fevereiro devido a um habeas corpus.

Assinada pelo presidente, Rone Moraes da Costa, a nota publicada no perfil do clube no Facebook reitera que não foi a empresa que soltou o Bruno e que contratá-lo, antes de mais nada, "faz parte da obrigação social da empresa, da sociedade em cooperar com a recuperação de um ser humano."

Na última sexta-feira (10), o time anunciou no Twitter a contratação do goleiro por dois anos.

A reação foi imediata e o clube foi alvo de críticas de milhares de usuários e torcedores, que pediam a reavaliação da contratação.

No dia seguinte, um dos principais patrocinadores do clube anunciou que encerrou contrato por causa de Bruno.

De acordo com a Veja.com, agora a equipe do sul de Minas conta apenas com o apoio de da empresa Gois e Silva e da Kanxa, ambas do ramo esportivo.

Já no domingo, o clube se pronunciou sobre a contratação. "O que dizer da contratação do atleta Bruno?", disse o post. "O tão procurado estado democrático de direito, a sociedade justa e fiel, a vida em sociedade, segundo critérios civilizados indicam de longa data que o criminoso colocado em liberdade deve ter atenção do estado, atenção suficiente para que possa restabelecer uma vida em sociedade. E ninguém pode negar que não existe vida em sociedade mais digna vida no trabalho."

"Quem nunca ouviu: o trabalho dignifica o homem? Então o argumento seria asqueroso, nojento ou imoral (a contratação do atleta Bruno), antes de mais nada, legalmente, faz parte da obrigação social da empresa, da sociedade em cooperar com a recuperação de um ser humano. Aqui não se condena a morte ou prisão perpetua. Enquanto isso não refletir a regra legal, a regra é que o egresso, o criminoso colocado em liberdade, possa obter meios de viver em sociedade, trabalhando e procurando dignidade em sua vida."

O presidente continua dizendo que o clube não foi responsável pela soltura do Bruno, mas sua equipe, enquanto empresa e representada por seres humanos, "dotada de justiça e legalidade, pode dizer que tenta fazer justiça ajudando um ser humano, mais, cumpre a legalidade dando trabalho a quem pretende se recuperar."

Ele termina o post reiterando que o clube não está cometendo nenhum crime "conforme a legislação Brasileira e perante a lei de Deus."

Com passagens pelo Flamengo e Atlético, o goleiro Bruno estava preso desde 2010, acusado pelo assassinato de sua ex-mulher, Eliza Samudio.

Em 2013, foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo homicídio mas, como não teve seu recurso julgado desde então, conseguiu sua liberdade provisória no dia 24 de fevereiro deste ano, por decisão do ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.