POLÍTICA

Às vésperas de nova lista de Janot, aliado de Temer volta ao Palácio do Planalto

Na delação da Odebrecht, ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é acusado de intermediar caixa 2 para o PMDB.

13/03/2017 11:14 BRT | Atualizado 13/03/2017 13:18 BRT
Adriano Machado / Reuters
Presidente Michel Temer e ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha

Após 21 dias afastado, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, voltou ao trabalho nesta segunda-feira (13). A expectativa é que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, peça nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquéritos com base na delação da Odebrecht.

O peemedebista reassumiu a função de articulação política e, pela manhã, se reuniu com o presidente Michel Temer e com os ministros Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), Osmar Serraglio (Justiça) e Raul Jungmann (Defesa), para discutir segurança pública e combate ao crime organizado.

O objetivo é elaborar medidas de aperfeiçoamento das estruturas governamentais, fortalecimento do combate ao crime organizado e ilícitos transnacionais e fortalecimento da atividade de inteligência.

Às 17h30, Padilha se reunirá com os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), no Congresso, André Moura (PSC-SE), na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES) para discutir a Reforma da Previdência.

O titular da Casa Civil estava de licença médica desde 23 de fevereiro para se submeter a uma cirurgia para a retirada da próstata, em Porto Alegre (RS).

Ele havia sido internado no Hospital do Exército no último dia 20 em decorrência de uma obstrução urinária provocada por uma hiperplasia prostática benigna.

Em setembro, o ministro, que tem 71 anos, foi internado por problemas de pressão.

Lava Jato

A licença médica de Padilha coincidiu com a declaração do empresário José Yunes, um dos melhores amigos do presidente Michel Temer, de que recebeu, a pedido do ministro, um pacote em seu escritório entregue por Lucio Funaro, conhecido como operador do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Em delação premiada, Claudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, afirmou que a empresa destinaria R$ 10 milhões para campanhas do PMDB, por intermédio de Padilha.

De acordo com o executivo, em jantar no Jaburu, com Temer, Padilha e Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira na época, o presidente teria solicitado apoio financeiro para a campanha do PMDB a Marcelo, que definiu um repasse de R$ 10 milhões ao partido.

Desse total, R$ 4 milhões seriam entregues a Padilha, sendo uma parte entregue no escritório de José Yunes, ex-tesoureiro do PMDB em São Paulo e, na época, assessor especial da Presidência. Marcelo confirmou o jantar, mas negou que Temer tenha pedido o dinheiro. O presidente sustenta que todas as doações foram legais.

Em depoimento prestado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta sexta-feira (10), o ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho afirmou que Padilha recebeu pelo menos quatro senhas para o pagamento de caixa 2 ao PMDB.

O valor total destinado ao partido chegou a R$ 5 milhões, dos quais R$ 500 mil teriam ido para Eduardo Cunha.

A expectativa é que Janot peça abertura de inquérito contra Padilha no STF. Cabe ao ministro relator da Lava Jato na Corte, Edson Fachin, decidir se a investigação deve ser aberta ou arquivada e se declina a competência para outras instâncias.

Em fevereiro, Temer afirmou que a abertura de inquérito contra membros do governo não resultará em um afastamento imediato. De acordo com o presidente, só haverá demissão se um ministro se tornar réu.

Os ministros de Temer que caíram