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Após contratar goleiro Bruno, Boa Esporte Clube perde um de seus patrocinadores

A equipe do sul de Minas agora tem apenas o apoio de duas empresas: Gois e Silva e a fabricante de material esportivo Kanxa.

12/03/2017 12:37 -03 | Atualizado 14/03/2017 13:22 -03
Reprodução/Facebook
Bruno Fernandes foi contratado pelo Boa Esporte, time de Varginha

O goleiro Bruno é o novo reforço do time Boa Esporte (MG), da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Um dia após o anúncio da contratação, o time sofreu um revés.

A Nutrends, empresa de nutrição que é uma das patrocinadoras do time, anunciou que vai retirar de forma imediata o apoio à equipe de Varginha (MG).

O anúncio foi divulgado na noite deste sábado (11) no Facebook da marca:

O comunicado diz que:

"Em reunião extraordinária, a Diretoria da Nutrends Nutrition decidiu que, a partir de hoje, a empresa não é mais patrocinadora/apoiadora do Boa Esporte Clube"

Segundo informações da Veja.com, com a saída da empresa de nutrição, a equipe do sul de Minas conta apenas com o apoio de duas empresas: da empresa Gois e Silva e da Kanxa, ambas do ramo esportivo.

Ainda nos comentários das postagens, a marca foi elogiada pela atitude:

A marca justificou a decisão também nos comentários:

E também foi criticada por outros consumidores:

As outras marcas também têm sofrido constantes ataques de perfis em suas redes sociais, cobradas a retirarem o apoio ao time. "A empresa pretende continuar patrocinando ou prestando serviços ao Boa Esporte Clube, mesmo após contratarem o goleiro Bruno, condenado pelo homicidio de Elisa Samudio, mãe de seu filho, e que após a morte mandou esquartejar e esconder o corpo?", diz uma das avaliações feitas na página da Kanxa.

A contratação

Nesta sexta-feira (10), o clube de futebol Boa Esporte, de Varginha, anunciou a contratação do jogador Bruno Fernandes. Ele está fora da prisão desde fevereiro, devido a um habeas corpus.

Em entrevista ao Globo Esporte, o diretor do clube Roberto Moraes afirmou não precisar comentar sobre a situação de Bruno na Justiça. Para ele, a prioridade é a "técnica do time".

"Na realidade tem 4 ou 5 dias que a gente apertou mais [a negociação], mas o Boa Esporte sempre teve interesse, enviou o documento para ajudar ele a ter o benefício com a Justiça, foi isso. Eu não tenho que comentar sobre isso [sobre os problemas do Bruno com a Justiça], eu tenho que ver a parte do Boa tecnicamente. Se eu estou contratando é porque ele tem condições de jogar pelo Boa", argumentou Moraes.

De acordo com o site, o advogado do atleta e o clube confirmaram que o contrato será de dois anos e a previsão é de que o jogador já se apresente para os treinos na próxima terça-feira (14).

Segundo o advogado do jogador, Bruno recebeu diversas propostas de times brasileiros, mas optou pelo clube por uma questão de "lealdade". Ainda, ele afirma que o jogador não teme a recepção do público já que está em período de ressocialização.

Porém, mais de 25 mil pessoas assinaram uma petição esta semana para que ele não voltasse a jogar profissionalmente. O documento pede também que Bruno seja impedido de requerer a guarda do filho, de sete anos.

O abaixo-assinado foi lançado por Vanuzia Leite Lopes. Em vídeo publicado no Facebook, ela argumenta que "não se pode aplaudir criminoso em campo de futebol".

Na página do Facebook do time, os usuários mostraram indignação em relação a contratação. As publicações da página receberam "vomitaços" e comentários de repúdio a contratação.

Com passagens pelo Flamengo e Atlético, p goleiro Bruno estava preso desde 2010, acusado pelo assassinato de sua ex-mulher, Eliza Samudio.

Em 2013, foi condenado a 22 anos e 3 meses pelo homicídio mas, como não teve seu recurso julgado desde então, conseguiu sua liberdade provisória no dia 24 de fevereiro deste ano, por decisão do ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

ATUALIZAÇÃO:

O site oficial do Boa Esporte Clube também foi hackeado no início da tarde deste domingo (12). A página inicial, que trazia informações sobre o clube e os últimos jogos no Campeonato Mineiro, foi substituída por um texto com dados sobre feminicídio e questionamentos sobre a associação de empresas com o jogador:

Reprodução/Boa Esporte

Momentos depois, o Boa Esporte retirou a mensagem do ar, deixando somente uma página em branco.

Em nota oficial o Boa Esporte afirma que:

"não foi o responsável pela soltura e liberdade do atleta Bruno, mas o clube e sua equipe, enquanto empresa e representada por seres humanos, dotada de justiça e legalidade, podem dizer que tentam fazer justiça ajudando um ser humano, mais, cumprem a legalidade dando trabalho a quem pretende se recuperar".

O documento ainda diz que "o tão procurado estado democrático de direito, a sociedade justa e fiel, a vida em sociedade, segundo critérios civilizados indicam de longa data que o criminoso colocado em liberdade deve ter atenção do estado, atenção suficiente para que possa restabelecer uma vida em sociedade. E ninguém pode negar que não existe vida em sociedade mais digna [do que a] vida no trabalho".

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